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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

DIAGNÓSTICO PRECISO DA DOENÇA DESTA CIVILIZAÇÃO

Fonte: Google Images


Hoje, lendo mais uma vez meu livrinho TABU de Alan Watts (é um dos meus preferidos), descobri que no prefácio do livro deste livro  ele foi capaz de fazer uma síntese maravilhosa, um diagnóstico preciso da doença da nossa civilização e do remédio que necessitamos. Por isso estou compartilhando esta página com vocês.

PREFÁCIO
"Este livro investiga um poderoso embora não reconhecido tabu: nossa conspiração tácita para ignorarmos quem ou o que realmente somos.


Em resumo, sua tese é que a sensação vigente de que nossa própria pessoa é um ego separado, distinto e encerrado num invólucro de pele, constitui uma alucinação que não se harmoniza nem com a ciência ocidental, nem com as religiões-filosofias experimentais do Oriente, particularmente com a filosofia central e germinal do hinduísmo: o vedanta.


Essa elucidação subjaz ao emprego abusivo da tecnologia para o domínio violento do meio ambiente natural do homem e, por conseguinte, à sua eventual destruição.
Assim, necessitamos urgentemente de um sentido de nossa própria existência, que se adapte aos fatos físicos e nos permita vencer o sentimento de estarmos alienados do universo.
Para conseguir este propósito,  recorri às intuições do vedanta, apresentando-as, contudo, num estilo completamente moderno e ocidental - de maneira que este volume não procura ser uma obra didática ou uma introdução ao vedanta no sentido comum.
É, antes, um enxerto fertilizante da ciência ocidental com uma intuição oriental.
.....
Sausalito, Califórnia
          Califórnia
          Janeiro de 1966
                                                                                                                Allan Watts 
Nota do editor do blog: Deixei de colocar o parágrafo final onde ele coloca os agradecimentos por não achar necessário. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

MEU MESTRE/FILÓSOFO PREFERIDO: SÓCRATES

Sócrates - O primeiro homem a ter um pensamento humanista

http://www.brasilescola.com/filosofia/socrates-humanismo.htm
Entre os filósofos que estudei quando fazia matérias isoladas no curso de Filosofia da UFPE, o que mais me apaixonou foi Sócrates porque ele, no meu entender encarna o modelo do mestre.
 Preocupado com o crescimento moral de seus alunos, queria formar verdadeiros cidadãos da cidade-estado de Atenas na época, que, almejava na época, ser um modelo de democracia e da sabedoria. Neste período eu dava aulas sobre ética e ninguém mais do que Sócrates viveu e morreu por este ideal: caráter, moral, ética, postos em prática, vividos no quotidiano não apenas palavras, teoria, mas vivência. 
Pesquisando na NET, encontrei este texto que achei muito bom e que resume algumas coisas que é importante saber sobre Sócrates. Então, Boa leitura e reflexão e, principalmente, buscar uma forma de por em prática tudo que achar pertinente e importante na filosofia de Sócrates.
O mestre em busca da verdade
Biografia
Sócrates nasceu em Atenas por volta de 469 a.C. Adquiriu a cultura tradicional dos jovens atenienses, aprendendo música, ginástica e gramática. Lutou nas guerras contra Esparta (432 a.C.) e Tebas (424 a.C.) Durante o apogeu de Atenas, onde se instalou a primeira democracia da história, conviveu com intelectuais, artistas, aristocratas e políticos. Convenceu-se de sua missão de mestre por volta dos 38 anos, depois que seu amigo Querofonte, em visita ao templo de Apolo, em Delfos, ouviu do oráculo que Sócrates era “o mais sábio dos homens”.
Deduzindo que sua sabedoria só podia ser resultado da percepção da própria ignorância, passou a dialogar com as pessoas que se dispusessem a procurar a verdade e o bem. Em meio ao desmoronamento do império ateniense e à guerra civil interna, quando já era septuagenário, Sócrates foi acusado de desrespeitar os deuses do Estado e de corromper os jovens. Julgado e condenado à morte por envenenamento, ele se recusou a fugir ou a renegar suas convicções para salvar a vida. Ingeriu cicuta e morreu rodeado por seus amigos, em 399 a.C.
Sócrates marca uma reviravolta na historia humana. Até então, a filosofia procurava explicar o mundo baseada na observação das forças da natureza. Com Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. Como diria mais tarde o pensador romano Cícero, coube ao grego “trazer a filosofia do céu para a terra” e concentrá-la no homem e em sua alma (em grego, a psique). A preocupação de Sócrates era levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem.
Nessa empreitada de colocar a filosofia a serviço da formação do ser humano, Sócrates não estava sozinho. Pensadores sofistas, os educadores profissionais da época, igualmente se voltavam para o homem, mas com um objetivo mais imediato: formar as elites dirigentes. Isso significava transmitir aos jovens não o valor e o mérito da investigação, mas um saber enciclopédico, além de desenvolver sua eloqüência, que era a principal habilidade esperada de um político.
Sócrates concebia o homem como um composto de dois princípios, alma (ou espírito) e corpo. De seu pensamento surgiram duas vertentes da filosofia que, em linhas gerais, podem ser consideradas como as grandes tendências do pensamento ocidental. Uma é a idealista, que partiu de Platão (427-347 a.C.), seguidor de Sócrates. Ao distinguir o mundo concreto do mundo das idéias, deu a estas o status de realidade; e a outra é a realista, partindo de Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão que submeteu as idéias, às quais se chega pelo espírito, ao mundo real.
 Ensino pelo diálogo
 Nas palavras atribuídas a Sócrates por Platão na obra Apologia de Sócrates, o filósofo ateniense considerava sua missão “andar por aí (nas ruas, praças e ginásios, que eram as escolas atenienses de atletismo), persuadindo jovens e velhos a não se preocuparem tanto nem em primeiro lugar, com o corpo ou com a fortuna, mas antes com a perfeição da alma”.
Defensor do diálogo como método de educação, Sócrates considerava muito importante o contato direto com os interlocutores – o que é uma das possíveis razões para o fato de não ter deixado nenhum texto escrito. Suas idéias forma recolhidas principalmente por Platão, que as sistematizou, e por outros filósofos que convieram com ele. Sócrates se fazia acompanhar freqüentemente por jovens, alguns pertencentes às mais ilustres e ricas famílias de Atenas. Para Sócrates, ninguém adquire a capacidade de conduzir-se, e muito menos de conduzir os demais, se não possuir a capacidade de autodomínio. Depois dele, a noção de controle pessoal se transformou em um tema central da ética e da filosofia moral. Também se formou aí o conceito de liberdade interior: livre é o homem que não se deixa escravizar pelos próprios apetites e segue os princípios que, por intermédio  da educação, afloram de seu interior.
Opondo-se ao relativismo de muitos sofistas, para os quais a verdade e a prática da virtude dependiam de circunstâncias, Sócrates valorizava acima de tudo a verdade e as virtudes – fossem elas individuais, como a coragem e a temperança, ou sociais, como a cooperação e a amizade. O pensador afirmava, no entanto, que só o conhecimento (ou seja, o saber, e não simples informações isoladas) conduz à prática da virtude em si mesma, que tem caráter uno e indivisível.
Segundo Sócrates, só age erradamente quem desconhece a verdade e, por extensão, o bem. A busca do saber é o caminho para a perfeição humana, dizia,introduzindo na história do pensamento a discussão sobre a finalidade da vida.
 O despertar do espírito
O papel do educador é, então o de ajudar o discípulo a caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que ele consiga por si próprio “iluminar” sua inteligência e sua consciência.
Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que desperta os espíritos. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao exercer sua função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus argumentos da mesma forma que contesta os argumentos dos alunos. Para o filósofo, só a troca de idéias dá liberdade ao pensamento e a sua expressão – condições imprescindíveis para o aperfeiçoamento do ser humano.
 O nascimento das idéias, segundo o filósofo
Sócrates comparava sua função com a profissão de sua mãe, parteira – que não dá à luz a criança, apenas auxilia a parturiente. O diálogo socrático tinha dois momentos, o primeiro corresponderia às “dores do parto”, momento em que o filósofo, partindo da premissa de que nada sabia, levava o interlocutor a apresentar suas opiniões. Em seguida, fazia-o perceber as próprias contradições ou ignorância para que procedesse a uma depuração intelectual. Mas só a depuração não levava à verdade – chegar a ela constituía a segunda parte do processo. Aí, ocorria o “parto das idéias” (expresso pela palavra maiêutica), momento de reconstrução do conceito, em que o próprio interlocutor ia “polindo” as noções até chegar ao conceito verdadeiro por aproximações.
 A capital da democracia e do saber

Sócrates
Sob o governo de Péricles (499-429 a.), a cidade-estado de Atenas, vitoriosa na guerra contra os persas e enriquecida pelo comércio marítimo, tornou-se o centro cultural do mundo grego, para o qual convergiam os talentos de toda parte. Fídias, o arquiteto e escultor que dirigiu as obras do Patenon, o maior templo da Acrópole, os dramaturgos Sófocles, Esquilo, Eurípedes e Aristófanes e o orador Demóstenes são nomes dessa época. O regime democrático ateniense – restrito aos cidadãos livres, deixando de fora estrangeiros e escravos – foi fortalecido por reformas que limitaram os poderes da burguesia rica e ampliaram os da assembléia e o júri popular.
A educação artística do povo foi estimulada pela exibição de obras de arte em locais públicos e pelas representações teatrais.
 Para pensar
Ao eleger o diálogo como método de investigação,Sócrates foi o primeiro filósofo a se preocupar não só com a verdade mas com o modo como se pode chegar a ela. Eis por que ele é considerado por muitos o modelo clássico de professor. Quando você prepara suas aulas, costuma levar em conta a necessidade de ajudar seus alunos a desenvolver procedimentos para que possam pensar por si mesmos?
AUTOR:  Héctor Hugo Palacio

sexta-feira, 8 de junho de 2012

ECUMENISMO = PAZ PARA A HUMANIDADE







Não estou falando de ecumenismo no sentido em que a igreja divulgou quando realizou o seu concílio ecumênico.
Vamos começar pela sua origem etimológica.

A palavra ecumênico tem sua origem no vocábulo grego oikoumene.  Este, por sua vez, é derivado da palavra oikos, que significa casa, lugar onde se vive, espaço onde se desenvolve a vida doméstica, onde as pessoas têm um mínimo de bem-estar. 

No Novo Testamento, esta palavra é usada em várias ocasiões (ver Mateus 24.14; Lucas 2.1; 4.5; 21.26; Atos 11.28; Romanos 10.18; Hebreus 1.6; 2.5; e Apocalipse 12.9, para se referir ao" mundo inteiro", a "toda a humanidade", e, também ao "mundo vindouro" .

Podemos pois tomar  os termos ecumênico/ecumenismo como referência a Universal, geral, coletivo, ilimitado, total, aquilo que reúne fiéis de credos diferentes. Quando se fala hoje que algo é ecumênico, seu significado quer abranger a toda espécie humana, em sentido universal. Esta universalidade engloba pelo menos as seguintes dimensões: 


geográfica (se estende a todos os lugares e recantos da terra);
cultural (envolve os povos de diversas culturas ou modos de viver);
política (considera todos os povos, independentemente do sistema político em que vivam);
de gênero (supera as discriminações de gênero ou identidade sexual);
social (supera as discriminações sociais e de classe);
racial (supera as discriminações raciais ou as decorrentes da cor da pele).

Em seu significado especificamente religioso, o termo ecumênico veio a representar a unidade da igreja de Cristo que vai além das diferenças geográficas, culturais e políticas entre as diversas igrejas.

Em Brasília existe um templo ecumênico, que congrega adeptos de várias crenças.

Eu vou mais além e prefiro dar ao termo ecumenismo ou ecumênico ao fato de todos respeitarem a crença de todos sejam eles cristãos, budistas, cabalistas, espíritas, umbandistas e daí por diante, pois seria muito longa a lista de crenças de toda a humanidade.

Poderia também significar, dentro de meu ponto de vista que "um deixa de ser um e passa a ser com o outro. Ou seja uma diversidade dentro da Unidade. Entretanto, como espera ser sua religião para com outra de fé e base espiritual diferente? Quem cede?" No ecumenismo não é necessário ceder e sim respeitar. Ou seja, ecumenismo não tem relação com ceder, mas com buscar pontos em comum onde se fala a mesma linguagem!

E, passa também pelo  respeito à religião alheia. Ecumênico é quele que sabe que a verdade pode ter muitas faces, assim como Deus pode ter muitas formas de se manifestar. O que está causando tanto mal ao mundo é justamente a falta de compreensão e tolerância com os costumes e formas de crença de culturas que não são as nossas!

Buscar pontos em comum eu chamaria de Universalismo e respeitar as diferentes formas de culto eu chamaria de Ecumenismo.

No Rig Veda escrito faz mais de 5.000 anos está escrito:

A Verdade é uma só, mas o Sábio a vê como muitas.

O principio do ecumenismo como eu o entendo, é a Existência de um Deus Único e Pai de todos, mas os filhos deste Pai sentem, pensam, e cultuam de um modo diferente.

Ninguem precisa ceder ao credo do outro. Eu posso ser, por exemplo, espiritualista e respeitar meu irmão católico, espírita, evangélico,  umbandista ou budista e assim por diante.

É por este motivo que sou tão eclética em minhas postagens, para mim não tem importância a origem e sim o conteúdo daquilo que leio. Nas minhas leituras faço sempre uma pescaria, ou seja, vou separando e guardando para mim tudo aquilo que tem a ver com minha visão de mundo, minha forma de compreender Deus e o Universo.

O que importa é ser, eclético, crítico ao que se lê, e ecumênico e universalista no seu modo de viver e ser. Saber, que no fim das contas somos todos um, fomos todos criados à semelhança de Deus o qual é UNO.

No dia em que houver um entendimento semelhante ao que acabo de expor, acredito piamente que os conflitos e guerras não terão mais razão de existir.

É isto o que compreendo por ecumenismo.

Josélia Oliveira

sábado, 28 de abril de 2012

VOCÊ SABE O QUE É ALQUIMIA?

ARTE DIGITAL
Imagem Google

1. A Alquimia simboliza tudo que o homem pode aspirar a atingir espiritualmente em seu presente estado. As promessas do ouro (pedra filosofal), longevidade e da saúde (elixir da vida), são todas símbolos da regeneração interior. Remetem à idade do Ouro da Tradição indo-européia, presente tanto nos escritos platônicos quanto na Tradição da Índia Antiga.

2. A Alquimia é o grande símbolo do Caminho Iniciático, caminho solitário e penoso, cheio de impasses, mas que é o único caminho a seguir para que possamos voltar à Casa do Pai. Através de seus próprios esforços, tente compreender esta arte.


3. A Alquimia é a arte de manipular a vida (e a consciência na matéria) para ajudá-la a evoluir, ou para resolver problemas de desarmonias internas.


Palavras de Jean Dubois.



RESUMO DO PROCESSO ALQUÍMICO:



  • Um pensamento energizado pela força da emoção tem condições para deflagrar um processo criativo e desencadeará uma teia de acontecimentos que culminarão na sua realização.
  • Nosso sentimento é um campo magnético que repele e atrai energias.
  • O pensamento predominante, também chamado de atitude mental é o estopim do processo criativo que sempre produz consequências relacionadas à natureza da sua criação.
  • Os pensamentos são magnéticos e oscilam em diferentes frequências conforme seja a sua natureza.
  • A maioria dos nossos pensamentos cotidianos são dissipados e não atingem o universo porque contém baixa quantidade de energia.
  • No entanto, se nos concentramos em algo através da emissão de pensamentos repetidos relacionados a esse algo formamos uma concentração de energia.
  • A energia mental concentrada, alimentada pela imaginação disciplinada e pela vontade, constitui parte do processo criativo através do qual somos capazes de co-criar.
  • Portanto, nossos pensamentos são potencializados através da concentração da energia da emoção.
  • O pensamento + o sentimento + semente + solo propício para fazê-la germinar, crescer, florescer e frutificar a seu tempo.
  • Desse ponto de vista, nós não atraímos só o que pensamos mas o que pensamos e sentimos.
  • Nosso sentimento verdadeiro é sempre lido e interpretado literalmente pela Sabedoria Universal que nos dá um retorno proporcional àquilo que lhe enviamos e tudo multiplicado de acordo com os Princípios Universais Básicos de Crescimento e Expansão.

Fonte : O CAIBALION

Vá e aprenda.
 

Fonte: http://starlili-starlili.blogspot.com.br/2008/07/o-caibalion-e-os-princpios-hermticos.html

terça-feira, 17 de abril de 2012

MEISTER ECKHART, TEÓLOGO, FILÓSOFO E MÍSTICO


http://www.progressiveinvolvement.com/photos/heroes/index.html

Eckhart de Hochheim O.P. (Tambach, Turingia, 1260 – Colonia, 1328), mais conhecido como Meister Eckhart em reconhecimento aos títulos acadêmicos obtidos durante sua estadia na Universidade de Paris (Meister significa "maestro" em alemão), foi um frade dominicano, conhecido por sua obra como teólogo e filósofo e por suas visões místicas.

Mestre Eckhart foi um dos mais fecundos pensadores, da filosofia alemã medieval. Como tal, Eckhart insere-se na longa corrente de uma mística neo-platônica eivada das conclusões de Agostinho e do Pseudo Dionísio Areopagita.

Nesta tradição, porque Eckhart, embora cravado de balas inquisitórias em seu tempo - não sai de seus referenciais cristãos e da Tradição: ocorre, portanto, que o Mestre renano tem estatura que lhe é negada pela Igreja de Roma, sob os velhos ranços da suspeita da heresia… O problema da linguagem em Eckhart, entretanto, levanta problemas: como sói acontecer no idioma místico-negativo, tudo parece recender a panteísmo.

Não há, todavia, uma linguagem positiva que possa driblar a noção aparente de panteísmo na mística que seja digna do nome: o texto principal de Eckhart, este também marcado pela interminável discussão acerca de sua autenticidade, orbita em torno de um Deus que somente é alcançado pelo ser humano na medida em que este, assemelhando-se a Deus mesmo, esvazia-se quenoticamente no desprendimento, na palavra abgeschiedenheit. 

Desprender-se é o movimento para o Nada. Desprender-se provoca os interesses divinos na alma que assim se faz vazia: uma gravidade divina tende, inevitavelmente, para todo cristão que assume a postura desprendida diante da vida, do sofrimento e da morte.

De tal desprendimento, portanto, chegamos ao estágio necessário da gelassenheit: a plena serenidade não estóica diante da existência.

Assim como Deus é Nada, fazer-se Nada é atrair Deus a si mesmo sendo, assim, feitos como somos realmente: um com Deus que só é Deus na dimensão da existência, porém, não da essência e, destarte, O mestre nos remete à origem humana e leva-nos a sermos o que já somos desde sempre…

Uma pequena mostra de seu modo de entender a vida:

"Saiba que, por natureza, toda criatura busca ser como Deus. O objetivo da natureza não é nem a comida nem a bebida, nem a roupa, nem o conforto ou qualquer outra coisa da qual Deus seja excluído. Quer você goste, quer não, quer o saiba, quer não, secretamente a natureza busca, caça, tenta descobrir a trilha na qual Deus pode ser encontrado."

Fontes: Não temas o mal - Eva Pierrakos e Donovan Thesenga

A FILOSOFIA DE UG KRISHNAMURTI

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http://www.ugkrishnamurti.org/ug/quotes_and_photos/album03/page01.html


"Eu não tenho nada para ensinar. Não há nada para preservar. Ensinar implica algo que pode ser usado para trazer a mudança. Desculpe, não há nenhum ensinamento aqui, apenas  frases desconectadas. O que existe é apenas uma interpretação sua, nada mais. Por esta razão não existe agora, nem nunca haverá qualquer tipo de direitos de autor para o que estou dizendo. Eu não tenho reclamações. "

"Eu sou forçado pela natureza da sua audição para sempre negar a primeira afirmação com outra declaração. Em seguida, a segunda instrução é negada por um terceiro e assim por diante. O meu objectivo não é uma tese, mas a negação total de tudo o que pode ser expresso. "

UG enfatizou a impossibilidade e não-necessidade de qualquer alteração humana, radical ou mundana. Estas afirmações, segundo ele disse, não podem ser consideradas como um "ensino", isto é, algo destinado a ser usado para provocar uma mudança. Ele insistiu que o corpo e suas ações já são perfeitos, e ele considerou tentativas de mudar ou moldar o corpo como violações da paz e da harmonia que já está lá. 

A psique ou self ou mente, uma entidade que ele negou ter como qualquer ser, é composto por nada mais que a "demanda" para provocar uma mudança no mundo, em si, ou em ambos. Além disso, a humana auto-cosciência não é uma coisa, mas um movimento, caracterizado por um "descontentamento perpétuo" e uma " grande  insistência " na sua própria importância e sobrevivência.


Ele afirmou que habitamos um reino do pensamento. Quando a continuidade do pensamento é quebrado, mesmo que por uma fração de segundo, seu domínio sobre o corpo está quebrado e o corpo cai em seu ritmo natural. O pensamento também cai em seu lugar natural - então ele não pode mais interferir ou influenciar o funcionamento do corpo humano. Na ausência de qualquer continuidade os pensamentos que surgem entram em combustão.

Em seu estado natural, os sentidos do corpo assumem existência independente (não são coordenados por parte de qualquer 'eu interior') e as glândulas endócrinas (que correspondem aos locais dos Chakras Hindu) tornam-se reativadas. UG descreveu como é a glândula pineal (Chakra Ajna), que assume o funcionamento do corpo em estado natural, em oposição ao pensamento.

UG também sustentou que a razão para as pessoas aproximarem-se dele (e gurus), foi a fim de encontrar soluções para seus problemas quotidianos reais, e / ou de soluções para um problema fabricado, ou seja, a busca de espiritualidade e iluminação. 

Ele insistiu que esta pesquisa é causada pelo ambiente cultural , o que exige conformidade dos indivíduos, uma vez que, simultaneamente, coloca dentro de si o desejo de ser especial - a realização de iluminação, assim, vista como uma expressão culminante da "excepcionalidade" de um indivíduo e singularidade. 


Conseqüentemente, o desejo de iluminação é explorado por gurus, professores espirituais, e outros "vendedores de bens de má qualidade", que pretendem oferecer várias formas de alcançar esse objetivo. De acordo com UG,  todos esses facilitadores nada podem entregar, e não podem cumprir o que prometem, pois o objetivo em si (ou seja, iluminação), está inacessível.


"O homem é apenas uma memória. Você entende as coisas ao seu redor com a ajuda do conhecimento que foi colocado em você. Talvez o artista precise explicar sua arte moderna, mas você não precisa da ajuda de ninguém para entender uma flor. Você pode lidar com qualquer coisa, você pode fazer qualquer coisa se você não desperdiçar sua energia tentando alcançar as metas imaginárias. "

A articulação de suas idéias, pelo menos em público, não começou até UG estar na meia-idade. De acordo com UG, apesar de sua vida de esforços para trazer a iluminação espiritual , ele foi submetido a uma série de alterações em sua vida de experiências corporais, que colectivamente ele referia como "a" " calamidade " . 

De acordo com UG, "A chamada auto-realização é a descoberta para si e por si mesmo de que não há auto-descobrir. Isso vai ser uma coisa muito chocante, porque ela vai explodir cada nervo, cada célula, mesmo as células do medula dos seus ossos ". 

"Eu não sou anti-racional, apenas irrrational. Você pode inferir um significado racional no que eu digo ou faço, mas é o seu fazer, não meu."

quinta-feira, 29 de março de 2012

Vamos passear nos Jardins de Epicuro?

http://marciomariguela.wordpress.com


Hoje resolvi apresentar vocês a Epicuro (para quem ainda não conhece). 



Esta foto de Emanuel Braga do jardim de um mosteiro da cidade Samos, foi o mais perto que eu consegui para ilustrar a casa e o Jardim de Epicuro já que não existe nenhum registro fotográfico ou pintura que retrate este sítio geográfico. 

Geralmente os mosteiros têm áleas nos jardins por onde caminham em meditação os monges o que lembra o que faziam os mestres em suas preleções aos discípulos no jardim de Epicuro.

TETRAPHARMAKON


Inscrição da receita médica para a alma, gravada por Diógenes, na Turquia. Fonte da imagem:http://paracadaproblema.wordpress.com/tag/tetrapharmacon/

O filósofo grego Diógenes, que viveu em Oenoanda – hoje Oinoanda, na Lycia, sudoeste da Turquia – mandou talhar em pedras, por volta de 120 d.C., num muro da cidade, para que todos pudessem ver, quatro máximas, que ficaram conhecidas como TETRAPHARMAKON.


TETRAPHARMACON, São afirmações sintéticas, inspiradas na filosofia de seu mestre Epicuro (341 -270 a.C.) propostas como resumo da sabedoria humana.  Quatro remédios para a felicidade:


1. Não há o que temer quanto aos deuses;
2. Não há necessidade de temer a morte 
3. A felicidade é possível ; 
4. Podemos escapar à dor.

Vídeo relacionado





Para quem não tem tempo ou paciência para fazer a leitura completa do post, se leu o Tetrapharmakon já tem uma ideia da proposta de Epicuro.




Linha do tempo

Epicuro nasceu em 341a. C., na ilha grega de Samos, mas sempre ostentou a cidadania ateniense herdada do pai emigrante. Em Samos, ele passou a infância e a juventude, iniciando os estudos de filosofia com o acadêmico Pânfilo, filósofo platônico cujas lições seguiu dos 14 aos 18 anos.



Ao atingir essa idade, em 323, Epicuro transfere-se para Atenas a fim de cumprir os dois anos obrigatórios de treinamento militar destinado aos efebos (jovens adolescentes). Nessa mesma condição, encontra como colega de turma o futuro dramaturgo Menandro, de quem se torna amigo.


É em Atenas, capital cultural da Grécia Antiga, que Epicuro irá também encontrar  os grandes filósofos ainda em atividade após o desaparecimento de Sócrates e Platão (com exceção de Aristóteles, banido da cidade e refugiado em Cálcis, onde viria a falecer no ano seguinte), desde Teofrasto, o sucessor de Aristóteles no Liceu, até Xenócrates, diretor da Academia, cujos ensinamentos ele certamente seguiu.


Epicuro funda sua primeira escola em Lâmpsaco e conquista os discípulos que o irão acompanhar durante toda a sua trajetória: Hermarco, Colotes, Metrodoro, Pítocles e Heródoto. Estes três últimos ao lado de Meneceu são os destinários das três famosas cartas que escreveu e que costumam ser apontadas como a síntese do pensamento epicurista. 


Em 306 volta a Atenas onde, em uma casa que comprou instalou sua escola mais tarde denominada de "O Jardim de Epicuro". Na casa habitavam, além de Epicuro, os antigos discípulos agora denominados de Mestres que acampavam em barracas no jardim da residência, cultivavam hortaliças e recebiam os novos discípulos.


A Filosofia de Epicuro



A  famosa "Carta sobre a felicidade" contendo a súmula de seu pensamento filósofo, serve para desmentir o julgamento apressados de muitas pessoas que o julgaram sem o conhecer e divulgaram um retrato errôneo do filósofo e de seu pensamento filosófico.



No Jardim de Epicuro, vicejava uma verdadeira comunidade de pensamento e experiência onde mestres e discípulos viviam de uma maneira ascética, consumindo apenas as hortaliças que eles próprios cultivavam, às quais acrescentavam apenas pão e água ou, ainda, queijo em ocasiões especiais.
 Sim, eram vegetarianos! 


A real importância da doutrina de Epicuro vai muito além destes aspectos puramente circunstanciais.  Sua filosofia perdurou durante sete séculos no mundo greco-romano, e encontrou entre Lucrécio, Sêneca e Cícero os seus mais ilustres discípulos tardios.


Escreveu uma carta a Heródoto que era um verdadeiro tratado de física atômica (física), uma a Pítocles, a propósito dos fenômenos celeste (astronomia) e uma carta a Meneceu (a Carta sobre a felicidade) que versa sobre a conduta humana tendo em vista alcançar a tão almejada "saúde do espírito" (Filosofia e Ética)


Nesta carta ele afirma a necessidade de estudar Filosofia, para ele, a disciplina cuja meta é tornar feliz o homem que a pratica. A seguir disserta sobre tópicos que achava mais essenciais para esta busca, começando pela crença  na existência de deuses, considerados entes imortais e abençoados.


A seguir passa a dissertar sobre a morte. Segundo Epicuro é absolutamente necessário vencer esse medo da morte, ninguém deve temê-la uma vez que não há nenhuma vantagem em viver eternamente: o que importa não é a duração mas a qualidade da vida.


Continuando, descreve as várias modalidades de desejo e a necessidade imperiosa de controlá-los, tendo em mira a saúde do corpo bem como a tranquilidade do espírito, esta é a concepção do prazer no modo como Epicuro encara a sabedoria do bem viver. 

Podemos perceber aí, que, para ele, a busca indiscriminada do prazer pode resultar mais em dor do que em felicidade. Do mesmo modo, uma dor nem sempre deve ser evitada, já que pode resultar em prazer em tempos posteriores.


Assim sendo, em sua filosofia recomenda uma conduta comedida, moderada em relação aos prazeres, de acordo com sua crença de que devemos priorizar o princípio da qualidade, em detrimento da quantidade.


Por último, Epicuro acredita que o homem sábio não deve acreditar num destino cego ou na sorte como se fossem fatalidades inexoráveis e sem esperança, aqui mostra sua crença na vontade e liberdade do homem.


Foram esses os pontos essenciais da carta que escreveu ao discípulo Meneceu garantindo-lhe que a prática destes ensinamentos não só seria capaz de levá-lo à mais completa felicidade, mas até mesmo a sentir-se como um deus imortal entre os homens mortais.


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Desejando ler no original a Carta sobre a Felicidade A Meneceu, existe um livro de bolso da Editora UNESP (FEU). Tradução e apresentação de Álvaro Lorencine e Enzo Del Carratore.  Ou, então, a edição de G Arrighetti, Epicuro, Opere, Torino, 1973. entres outras publicações.



Vídeo sobre Epicuro e seu pensamento.




quarta-feira, 28 de março de 2012

Perceber o Mundo como Uma Unidade


Arquivo: Alan Watts.jpg
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Alan_Watts.jpg



No passado o grande tabu foi o sexo, hoje, vivemos a época da liberação da sexualidade. Então, qual seria hoje o tabu de nossa sociedade ?  A pergunta tem razão de ser porque na sociedade sempre há algo que é reprimido, que não se reconhece, que é considerado tabu.

 Mas, voltando à questão inicial, hoje em dia, nós, integrantes do dito mundo civilizado, temos o sentimento de sermos solitários e visitantes muito temporários no Universo.


Alan Watts e outras pessoas ( não muitas), com as quais concordo, pelo menos até prova em contrário, acreditam que


"[...]não viemos a este mundo, 'viemos dele', como as folhas de uma árvore. Tal como o oceano produz ondas, o universo produz pessoas. Cada indivíduo é uma expressão de todo o reino da natureza, uma ação singular do universo total. Raramente este fato é (se é que alguma vez chegou a ser) sentido pela maioria dos indivíduos. Nem mesmo aqueles que conhecem a veracidade teórica deste fato conseguem senti-lo ou apreendê-lo, continuando a ter consciência de si próprios como 'egos' isolados, dentro de sacos de pele. [...]" {Alan Watts (1)}


Este modo de ver o mundo e a nós mesmos, como coisas separadas, predispõe a uma série de consequências:

1 - Ter uma atitude hostil para com o mundo "de fora". Nossa disposição é de conquista em vez de cooperação harmoniosa.
2 - Não temos senso comum, não há condições para dar um sentido ao mundo sobre o qual todos estejam de acordo.

A Hipótese Gaia  de James Lovelock, trata-se, também de uma subversão  do modo como o ocidental vê o mundo em que vive.


Alan Watts, fritjof Capra, James Lovelock, Lyn Margules, Arne Naess, Aldo Leopoldo, UG Krihsnamurti, entre outros, chegaram a esta visão do mundo como uma unidade, por diferentes caminhos, entretanto a nota comum a todos é o estudo da filosofia oriental, seja o Zen Budismo, o Vedanta ou outras formas de expressão religioso/filosófica do oriente.


Esta forma de perceber o Universo como uma unidade atualmente, está bastante difundida principalmente na Índia, povos indígenas, e muitos cientistas/filósofos e seus seguidores.


 Josélia Oliveira


Livro consultado:

Watts, Alan. Tabu - O que não o deixa saber quem você é ? Trad. de  Fernando de Castro Ferreira e Olavo de Cavalho. Editora Três. Edição especial de Planeta n. 52-A. 1966

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

SOBRE O SER HUMANO (homem/mulher)

Fonte: Google Images


O homem é  o ser mais digno da Criação de Deus, porque foi colocado no centro do universo e porque de tudo quanto foi criado ele possui as sementes. Ser ontologicamente de natureza indeterminada, distingue-se, por tal fato, tanto do mundo natural como do mundo angélico, de que é o mediador, distingue-se ainda devido a ser o artífice de si mesmo, de tal modo que o problema da sua natureza não se pode por a priori, mas a posteriori

Enquanto o animal, devido a natureza que lhe é dada à partida, só pode ser animal e o anjo só pode ser anjo, o homem tem quase o poder divino de se constituir segundo aquilo que quiser ser: pode degenerar até os brutos e pode regenerar-se até os anjos, mas a possibilidade de viver como os animais ou como os seres espirituais depende inteiramente de si mesmo, isto é, de sua escolha. 

Esta tese, para a época, (1463-1496), é verdadeiramente notável e peculiar, o homem, ser de natureza indefinida, com a possibilidade de ser tudo, está condenado a escolher, está condenado à liberdade, por parte de Deus. E porque tem de escolher, o homem é fautor do seu destino. Eis o grande milagre.

A recondução do homem a Deus dá-se por via ética e a sua liberdade dá-se como imago Dei: o homem acaba de aparecer como um deus terreno, necessariamente imperfeito porque é apenas reflexo e imagem, isto é, ser à semelhança de Deus que, no entanto,sempre lhe permanece transcendente. Eis uma perspectiva metafísica.

(Pensamento ontológico-metafísico de Pico Della Mirandola in: Discurso Sobre a  Dignidade do homem)