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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

MITOLOGIA: DEUSA HÉSTIA

 
Héstia: o fogo sagrado que ilumina e aquece
A relação entre Héstia e Hermes

Autora : Maria Aparecida De Stefano

Héstia, Vesta para os romanos, foi a primeira filha nascida do casamento de Réia e Cronos. Irmã de Zeus e de Hera, ela é pouco conhecida entre os deuses do Olimpo, por não ter participado dos casos amorosos ou das guerras que permearam toda a mitologia grega.
Esteve sempre acima ou fora das intrigas e rivalidades dos seus parentes e sempre evitou ser tomada pelas paixões do momento.

Em três hinos de Homero, é descrita como “a virgem venerável”, uma das três que não se submeteu a Afrodite. Como Ártemis e Atenas, sempre resistiu às propostas amorosas que lhe fizeram os deuses, os Titãs e outros mais. Apolo e Poseidon, incentivados por Afrodite, tentaram tirar-lhe a virgindade. Em vez de sucumbir a seus desejos, ela fez um juramento sobre a cabeça de Zeus: o de permanecer eternamente virgem. No Hino a Afrodite, Homero relata que “Zeus, em vez de dar-lhe um presente de casamento, concedeu-lhe um belo privilégio: um lugar no centro da casa para receber as melhores oferendas”.

Não é conhecida por meio de representações, mas sim por rituais em que é simbolizada pelo fogo. Na Grécia antiga, para que uma casa se tornasse um lar, a presença de Héstia era obrigatória. Conta-se que, quando havia um casamento, a mãe da moça acendia uma tocha na lareira pertencente à casa da família e levava-a até a nova residência do casal, para com ela acender o primeiro fogo que consagraria o novo lar dos noivos. O mesmo se passava quando se fundava uma nova cidade: carregavam uma tocha que fora acesa na lareira comum do átrio central das antigas cidades gregas e levavam-na até a nova cidade para, com ela, acender o fogo. Vemos, então, que Héstia sempre apareceu sob a forma de “fogo sagrado”.

Enquanto as outras deusas andam pelo mundo, Héstia permanece imóvel no Olimpo. Ela permanece no centro, onde fica o altar de sacrifícios. Nesse sentido, representa o fogo interior que é conectado quando voltamos para o nosso centro, para o nosso lar. O “foco” de Héstia é o centro. É interessante notar que “focus”, em latim, significa fogo, lume, braseiro, chama, lar, altar, casa. 

Ela é considerada a deusa do lar, ou mais especificamente, do fogo que queima na lareira central e que aquece o lar. Os primeiros lares e templos que lhe foram dedicados eram redondos; o primeiro símbolo de Héstia era o círculo.

Nos lares gregos, muitas vezes, ela era ligada a Hermes (Mercúrio para os romanos), o mensageiro dos deuses. A mais remota representação desse deus era uma coluna de pedra denominada “herm”. Nas casas de família, a lareira central, simbolizando Héstia, ficava na parte central da casa, enquanto o pilar fálico de Hermes ficava na entrada. Na Índia e em outras partes do Oriente, pilar e círculo aparecem “acasalados”. Já na Grécia e entre os romanos, os dois símbolos estão relacionados, porém aparecem separadamente. 

Nos templos, essas divindades também estavam ligadas. Em Roma, por exemplo, o santuário de Mercúrio ficava do lado direito das escadas que levavam ao templo de Vesta. Embora Héstia e Hermes estivessem relacionados, cada qual tinha uma função distinta: Héstia era o santuário que unia a família ao redor dela, enquanto Hermes era o protetor do portal, guia, companheiro no mundo e mensageiro dos deuses.

Na mitologia grega, o emblema de Hermes é o caduceu. Esse seu atributo é formado por um bastão de ouro no qual se enrolam simetricamente duas serpentes que podem ser interpretadas como as duas correntes cósmicas, ascendente e descendente, que se equilibram em torno desse eixo.

Se trouxermos essas informações para dentro de nós mesmos, poderíamos concluir que Héstia representa nosso fogo interior em seu aspecto curativo, aquele que, quando acessado, expande-nos, trazendo-nos a sensação de podermos ir muito além de nosso limite corpóreo. É o fogo sagrado que permanece sempre virgem, que não se deixa seduzir por nenhum aspecto da vida. O fogo representado por Héstia cura-nos e redime-nos, porquanto está ligado ao nosso centro, ao nosso âmago, à parte mais central de nossa alma. 

Hermes, por sua vez, também representa a cura, porquanto o caduceu é o emblema atual da Medicina. Fica claro, por tudo que foi dito, que internamente Hermes representa nossa coluna vertebral, o nosso bastão interno. Como mensageiro dos deuses, ele nos põe em contato com os níveis mais altos do Universo. Nossa coluna liga-nos à energia cósmica, permitindo que ela penetre nosso corpo, entrando pelo topo de nossa cabeça até a nossa base para depois retornar em um constante fluir, harmonizando-nos e religando-nos ao centro do mundo.

Fonte: Revista Ser n.6

sexta-feira, 4 de abril de 2014

FIAR E TECER, AS ARTES MÁGICAS FEMININAS


http://t-ato.blogspot.com.br/2010/06/tecela.html

Autora: Mirella Faur
Fiar e tecer são antigas artes mágicas femininas e aparecem nos mitos de várias deusas como expressão dos Seus poderes proféticos, criativos e sustentadores dos ciclos lunares, das estações e da vida humana. Tendo o fuso como símbolo de poder, a Deusa como Fonte Criadora controlava e mantinha a ordem cósmica, os ciclos naturais e a continuidade do mundo. Fiar é um processo cíclico assim como também é a alternância das fases lunares, das estações, da vida e da morte, do início e do fim. Inúmeros mitos descrevem deusas tecendo com fios subtis o céu, o mar, as nuvens, o tempo, os elementos da natureza, os ciclos e os destinos dos seres humanos.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Mito de Quíron

Ficheiro:Chiron instructs young Achilles - Ancient Roman fresco.jpg
Afresco de Herculano - Nápoles, Itália.(Fonte: wikipédia)

"O Mito é a passagem secreta através da qual as inesgotáveis energias do cosmos se derramam numa forma de manifestação humana." - Joseph Campbell


"O Mito descreve padrões da vida por meio de parábolas, histórias e representações iconográficas. A mitologia grega é um exemplo vivo da eternidade e sofisticação da consciência do homem." - Juliet Sharman-Burke e Liz Greene.
Neste post, vamos transcrever o mito de Quíron, rei dos centauros, autoridade espiritual e mestre de todos os heróis da mitologia. Para isto vamos nos valer das palavras que  Juliet e Liz usam para descrever o mito de Quíron.
"O próprio nascimento de Quíron  foi cercado de grande mistério. pois conta a lenda que ele é fruto da união entre Íxion filho de Ares, deus da guerra e de uma nuvem que Zeus modelou à semelhança de sua mulher, Hera para evitar que Íxion tivesse relações com a própria deusa.


O centauro foi educado por Apolo, o deus-sol, e Artemis a deusa-lua e, em virtude de sua sabedoria e profunda espiritualidade, foi sagrado rei dos centauros e recebeu e recebeu a incumbência de ensinar a todos os jovens príncipes das famílias reais gregas os valores espirituais e o respeito às leis divinas, antes mesmo de serem iniciados nas artes marciais ou governamentais.

Quíron foi também um grande curandeiro por conhecer o segredo das ervas e das plantas medicinais. Entretanto, jamais pôde curar a si mesmo. Certa vez seu amigo Heraclés lhe fez uma visita logo após matar a monstruosa hidra de Lerna com suas nove cabeças envenenadas.


Acidentalmente, Heraclés feriu Quíron na coxa com uma das setas que havia sido impregnada com o sangue do monstro.


Por mais que tentasse, Quíron não conseguiu retirar o veneno de seu corpo. Por ser imortal, foi então condenado a viver em sofrimento, tendo que sacrificar sua felicidade terrena devotando-se  inteiramente aos ensinamentos da sabedoria espiritual."

No Tarô mitológico Quíron está relacionado com o Arcano V - O Hierofante e simboliza o mestre espiritual que reside em cada um de nós, o intermediário que estabelece a ligação entre a consciência terrena e o conhecimento intuitivo da lei divina. 


A lei espiritual que Quíron nos transmite é uma lei individual que o homem só poderá encontrar na relação que estabelecer com seu próprio mestre interior. O ferimento de Quíron transformou-o no curandeiro ferido, aquele, que por meio da própria dor, pode compreender e avaliar a dor dos outros. 


O verdadeiro Mestre está aberto para as dores do mundo porque ele também sofre. Quíron traz em si as duas naturezas, a animal e a divina e nós também, como ele, possuímos esta dualidade. Nunca seremos totalmente animais ou totalmente divinos enquanto estivermos no mundo dual da manifestação. Somos uma mistura das duas naturezas e estamos aqui para compreender a conviver com ambas.


" Zeus homenageou Quíron colocando-o na constelação de sagitário. O próprio Asclépio, deus da medicina recebeu ensinamentos de Quíron que o criou e educou." - Wikipédia.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Gaia ou Géia

Mitologia Grega: Gaia ou Géia
 

  A deusa Mãe primordial, uma das primeiras divindades a habitar o Olimpo, geradora de todos os deuses, a deusa-terra, livre de nascimento ou destruição, de tempo e espaço, de forma ou condição. Segundo as crenças gregas, no princípio havia um grande vazio chamado Caos e todas as coisas estavam mistas umas às outras.

 Sobre esta confusão reinava a Noite e em algum momento surgiu o Érebo. Do Caos e da Noite nasceram o Destino e as divindades Moiras, que estabeleciam tudo, inclusive os deuses estavam submetidos a elas. Para vencer o silêncio e o vazio nasceu o Amor (Eros), produzindo um início de ordem. Nasceu imediatamente depois do Caos e, no poema Teogonia de Hesíodo, com Eros, Caos e Tártaro, o poço negro sob a terra, formaram as quatro divindades nomeadas como originais. 

Da união de Érebo e Noite nasceram o Éter e o Dia e, então, apareceu a terra, a mãe universal. Surgiu do vazio eterno, dançando e girando sobre si como se fosse uma esfera em rotação. Moldou as montanhas segundo sua espinha, os vales pelos buracos de sua pele, os morros e planícies de acordo com seus contornos. De sua quente umidade fez nascer um fluxo de chuva que banhou e alimentou a sua superfície trazendo a vida e pequenos filhotes verdes se lançaram através de seus poros.

 Encheu os oceanos e lagoas e fez os rios correrem através de profundos sulcos. Observou suas plantas e animais crescerem e, então, trouxe à luz de seu útero seis mulheres e seis homens, os humanos mortais, e posteriormente deu-lhes um oráculo para orientação deles. Nos morros de Delfos, fez brotar vapores que subiram por uma fenda nas rochas, envolvendo uma sacerdotisa capaz de interpretar as mensagens que surgiam da escuridão de sua terra-útero. 

Os mortais viajavam longas distâncias para consultar o oráculo e ouvir suas previsões para suas ansiedades. Comovida com suas criaturas humanas e seus anseios a deusa-terra aceitou os mortos em seu corpo e passou a ser reverenciada por todos os mortais.

 Muitos dos seus templos eram construídos próximo a pequenas fendas, onde anualmente os mortais ofereciam bolos doces. Por si só, gerou o Céu (Urano), e a ele próprio se uniria para formarem o primeiro casal divino e dessa união nasceram os 12 Titãs, os Ciclopes e os Hecatônquiros, gigantes de cinqüenta cabeças e cem braços. Segundo a mitologia grega, quando deu origem aos Titãs, eles fizeram das montanhas gregas, inclusive o Monte Olimpo, seus tronos, pois eram tão grandes que mal cabiam na crosta terrestre.

 No poema Teogonia, de Hesíodo, é descrito que: Urano estava banindo seus filhos para o Tártaro, sua esposa, incitou seu filho mais poderoso, Cronos, a enfrentar o pai e tomar o seu poder. Assim, os Titãs liderados por seu filho Cronos destronaram seu pai, Urano, que na luta cortou seus genitais com uma pequena foice, separando assim o Céu e a Terra, e os atirou no mar dando origem a uma das lendas de Afrodite

Cronos desposou Réia e entre seus filhos estava Zeus, que destronou seu pai, tornou-se senhor dos deuses e organizou os olímpicos, uma plêiade de doze deuses principais que habitavam o Monte Olimpo, sucessores dos Titãs, formando uma sociedade que era classificada quanto à autoridade e poder. O nome Gaia, Géia ou , é utilizado como prefixo para designar as diversas ciências relacionadas com o estudo do nosso planeta.