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domingo, 25 de novembro de 2018

COMO O SOFRIMENTO APARECE


"Para compreender como o sofrimento aparece, pratique observar sua mente. Neste espaço da mente não há problemas não há sofrimento. Então, alguma coisa prende sua atenção – uma imagem, um som, um cheiro. Sua mente se subdivide em interno e externo, “eu” e “outro” sujeito e objeto. Com a simples percepção do objeto, não há ainda nenhum problema, porém, quando você se foca nela, nota que é grande ou pequeno, branco ou preto, quadrado ou redondo. Então você faz um julgamento – por exemplo, se o objeto é bonito ou feio. Tendo feito esse julgamento, você reage a ele: decide que gosta ou não do objeto. É aí que o problema começa, pois “Eu gosto disto” conduz a “Eu quero isto”. Igualmente, “Eu não gosto disto” conduz a “Eu não quero isto”. Se gostamos de alguma coisa, se a queremos e não podemos tê-la, nós sofremos. 

Se a queremos, a obtemos e depois a perdemos, nós sofremos. Se não a queremos, mas não conseguimos mantê-la afastada, novamente sofremos. Nosso sofrimento parece ocorrer por causa do objeto do nosso desejo ou aversão, mas realmente não é assim – ele ocorre porque a mente se biparte na dualidade sujeito-objeto, e fica envolvida com querer e não querer alguma coisa. O que temos que mudar é a mente e a maneira como ela vivencia a realidade.

— Chagdud Tulku Rinpoche, em “Portões de Prática Budista”.

Fonte: https://dharmalog.com/2017/09/21/compreender-sofrimento-chagdud-tulku-rinpoche/

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

UM ELEMENTO ESSENCIAL DA EXPERIÊNCIA ZEN

http://energymuse.wordpress.com/2012/07/18/last-day-of-our-facebook-contest-with-prana/

O fato de que a percepção não distorcida e não-cerebral da realidade constitui um elemento essencial da experiência Zen é expressado muito claramente na história que conta a conversa de um mestre com um monge:
“Você faz algum esforço para tornar-se disciplinado na verdade?”
“Sim.”
“Como você se exercita nisso?”
“Quando tenho fome, eu como; quando estou cansado, eu durmo”.
“Isto é o que todo mundo faz; podemos dizer então que todos estão fazendo o mesmo exercício?”
“Não.”
“Por quê?”
“Porque, quando eles comem, eles não comem, mas estão pensando em várias outras coisas, e assim permitindo-se ficar perturbados; quando eles dormem, eles não dormem, mas sonham com mil e uma coisas. É por isso que eles não são como eu.”

Fonte: D.T. Suzuki, “Introduction to Zen Buddhism”, p. 86.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O ZEN-BUDISMO CONVIDA: ASSUMA SUA LOUCURA E TRANSCENDA-A


http://dalvaamaral.blogspot.com.br/2011/04/o-zen-budismo.html


Zen-Budismo convida você a assumir a sua loucura.

E transcendê-la.

A língua é o órgão menos adequado para expressar o significado do Zen. A barriga talvez seja mais apropriada. Alguns povos orientais, quando visitados pela primeira vez por um grupo de cientistas dos E.U.A. e sabendo que os norte-americanos pensavam com a cabeça, puseram-se logo a achar que eles eram loucos. E se explicaram: "É que nós, orientais, pensamos com o abdômen". As pessoas na China e no Japão, quando notam que alguém está com algum problema difícil, costumam dizer: "Pergunte à sua barriga, ela sabe a resposta".

Zen não escapa desta regra. Tentar compreender o Zen-Budismo intelectualmente é perder para sempre o seu significado. O intelecto serve a vários propósitos na vida diária, não há dúvida de que se trata de uma coisa utilíssima. Mas não resolve o problema crucial com que todos nós, cedo ou tarde, esbarramos em nossas vidas: o problema da vida e da morte, que diz respeito ao verdadeiro sentido da vida. Quem sou eu? Onde estão meu principio e fim no tempo e no espaço? Onde estava eu antes que meus pais nascerem? Para onde que vou depois que morrer?

Quando enfrentamos esse problema, o intelecto precisa confessar sua incapacidade de lidar com ele. O beco sem saída a que somos conduzidos não pode ser ultrapassado por uma manobra intelectual ou por um artifício da lógica. É necessária a totalidade do nosso ser. E é neste momento que o Zen surge como uma possibilidade, um caminho em direção á resposta do problema.

Portanto, tentar conhecer o Budismo Zen com o objetivo de ampliar nossa cultura geral é uma tolice semelhante a pedir a alguém que beba água em nosso lugar e esperar que a sede passe: o que nos descrevam o gosto de uma fruta ou a temperatura da água. Tudo isso depende da experiência pessoal, direta.

O Zen-Budismo é místico? Essa pergunta é muito freqüente, quando as pessoas ouvem falar do assunto pela primeira vez. O Misticismo é um ponto crucial, que faz com que os ocidentais falhem todas as vezes que tentam compreender a mente oriental. Por que o misticismo desafia a analise lógica, e esta é a característica fundamental do pensamento ocidental. 

O conceito ocidental de místico está sempre ligado ao fantástico, ao irracional, ao oculto. No oriente, misticismo não se refere a nada que não possa ser trazido para dentro da compreensão intelectual. Portanto, o Zen-Budismo é místico na medida em que o Sol brilha todas as manhãs, a lua surge todas as noites, e as flores deixam seu perfume na manga da nossa camisa, quando as tocamos de perto. Se isso é misticismo, então o Zen-Budismo é profundamente místico.

O Zen-Budismo é um sistema filosófico, intelectual? Não. O Zen-Budismo não é fundado na lógica ou na análise, é o contrário da lógica e do modo dualístico (ex. bom, mau - bonito, feio - vida, morte...) de pensar. Não existem no Zen, livros sagrados, dogmas ou quaisquer fórmulas através das quais se possa chegar ao seu significado. E o que o Zen-Budismo ensina? Nada. O Zen aponta o caminho, o resto é por nossa conta
.
Zen é caótico, uma virtual negação de tudo, pelo menos se o virmos com a ótica racionalista da mente ocidental. Mas, por trás desta sucessão de negativas, o Zen-Budismo sustenta algo absolutamente positivo e eternamente afirmativo. Zen-Budismo é um estilo de vida e se propõe, por métodos práticos e diretos, a disciplinar a mente por si mesma, fazendo-a mergulhar em sua própria natureza. 

É um exercício que consiste em abrir o olho mental dos seus praticantes para que eles despertem do sono profundo da ignorância e vejam de perto a própria razão da existência. Só assim poderão contemplar o grande mistério que é representado diariamente.

O que é mente? É a verdadeira natureza de todos os seres, aquilo que existia antes que nossos pais tivessem nascido e antes do nosso próprio nascimento e que existe agora, imutável e eterna. Quando nascemos ela não é criada, e quando morremos ela não é destruída. Não tem nenhum tipo de distinção, nenhuma conotação de bom ou ruim. 

Não pode ser comparada a nada, e a chamamos Natureza de Buda. Muitos pensamentos surgem dela, como as ondas do oceano e as imagens num espelho. Quem deseja conhecer a própria mente deve, antes de tudo, olhar a própria fonte da qual surgem os pensamentos. O que é chamado Zazen não é mais do que olhar a natureza da mente. Aquele que conhece a própria mente é um Buda e livra-se para sempre dos sofrimentos que surgem da ignorância.

Este ensaio sobre o Zen-Budismo, com final do jornalista Marco Antônio Lacerda é baseado em 3 Obras sobre o assunto:
Zen Buddhism and Psychoanalysis,
Essays in Zen Buddhism e Misticism;
Christian and Buddhist,
todos de autoria de D.T. Suzuki

FONTE: http:// http://www.wulinpraticasorientais.com.br/news/zen-budismo-convida-voc%C3%AA-a-assumir-sua-loucura-e-transcend%C3%AA-la-/

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Maestria na arte de viver

http://monjakokai.blogspot.com.br

"O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua 

mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião.

 Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de 

excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou

 se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente."

Texto Zen budista



Viver é um exercício de coragem, compaixão, e reconhecimento de que podemos aprender com todas as situações, e por isso devemos recebê-las com uma mente tranquila e alegre.


Monja budista Diane Hamilton

quinta-feira, 5 de abril de 2012

BUDISMO, O CAMINHO PARA A CORRETA COMPREENSÃO




Como não nos é possível a nós ocidentais dissociarmos Zazen de Zen, Zen de Budismo, Budismo de Budha e Budha de Deus, "Santo", "fundador de uma religião", etc, permitimo-nos este breve esclarecimento: a palavra Budha (do sânscrito "bodhi"), significa Correta Compreensão ou Sabedoria. Budha é portanto, um estudo a ser atingido.

Ao alcançar a iluminação, despertar, comprrender corretamente (O QUE É), Sidharta Gautama atingiu o estado de Budha. Por conseguinte, devemos sentir a palavra como compreensão e Budismo como o caminho para a correta Compreensão.

Zen é a essência do Budismo e Zazen (meditar sentado, em japonês), é a prática fundamental do Zen. Zen originou-se do sânscrito Dhyana (C'han em chinês, Cohen em japonês) e significa literalmente Meditação.


O centro dos esforços dedicados pelo Budha por longos anos de meditação foi a erradicação do sofrimento que o levou ao estado de iluminação.

Devido à ignorância sobre sua natureza profunda - Mente Original -  os seres estão mergulhados na ilusão do ego, causa do sofrimento, e presos ao Sansara - Roda da Vida.

As quatro Nobres Verdades compreendidas pelo Budha são: os sofrimentos, suas causas, sua erradicação e o caminho que leva à extinção do sofrimento.

Apoiando esse caminho de libertação estão as três jóias: o Budha ( o Desperto), o Dharma (o ensinamento, a verdade), e a Sangha (a comunidade de praticantes).

O Zen é considerado a mais alta realizção de Budha, a transmissão de coração para  coração, da mente Original.  Praticar regular e corretamente Zazen é vivenciar o estado de Budha.

Zen é o modo de vida. Sentado, andando, comendo, dormindo, repousando, trabalhando ou estudando, devemos estar sempre "plenamente atentos", despertos, observando, sentindo, vivendo o Zen.

O despertar (iluminação) acontece a qualquer instante e deve ser desagradável não estar atento para percebê-lo.

Monge Yuhaku