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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O SILÊNCIO DE CRISTO

http://papel.deparede.com.br/religiosos/cristo-na-cruz/

Uma antiga lenda norueguesa narra este episódio sobre um homem chamado Haakon, que cuidava de uma ermida à qual muita gente vinha orar com devoção. Nesta ermida havia uma cruz muito antiga, e muitos vinham ali para pedir a Cristo que fizesse algum milagre. 

Certo dia, o eremita Haakon quis também pedir-lhe um favor. Impulsionava-o um sentimento generoso. Ajoelhou-se diante da cruz e disse: - Senhor, quero padecer por vós. Deixai-me ocupar o vosso lugar. Quero substituir-vos na Cruz. E permaneceu com o olhar pendente da cruz, como quem espera uma resposta. O Senhor abriu os lábios e falou. As suas palavras caíam do alto, sussurrantes e admoestadoras:

- Meu servo, cedo ao teu desejo, mas com uma condição.
- Qual é, Senhor?, perguntou com acento suplicante Haakon.
É uma condição difícil? Estou disposto a cumpri-la com a tua ajuda!
- Escuta-me: Aconteça o que acontecer, e vejas tu o que vires, deves guardar sempre o silêncio.

Haakon respondeu: - Prometo-o, Senhor!
E fizeram a troca sem que ninguém o percebesse.
Ninguém reconheceu o eremita pendente da cruz; quanto ao Senhor, ocupava o lugar de Haakon.
Durante muito tempo, este conseguiu cumprir o seu compromisso e não disse nada a ninguém.

Certo dia, porém, chegou um rico. Depois de orar, deixou ali esquecida a sua bolsa. Haakon viu-o e calou. Também não disse nada quando um pobre, que veio duas horas mais tarde, se apropriou da bolsa do rico. E também não quando um rapaz se prostrou diante dele pouco depois para pedir-lhe a sua graça antes de empreender uma longa viagem.

Nesse momento, porém, o rico tornou a entrar em busca da bolsa. Como não encontrasse, pensou que o rapaz se teria apropriado dela; voltou-se para ele e interpelou com raiva:

- Dá-me a bolsa que me roubaste!
O jovem, surpreso, replicou-lhe: - Não roubei nenhuma bolsa!
- Não mintas; devolve-me já!
- Repito que não apanhei nenhuma bolsa!
O rico arremeteu furioso contra ele.

Soou então uma voz forte:
Para!
O rico olhou para cima e viu que a imagem lhe falava. Haakon, que não conseguiu permanecer em silêncio diante daquela injustiça, gritou-lhe, defendeu o jovem e censurou o rico pela falsa acusação.
Este ficou aniquilado e saiu da ermida. E o jovem saiu também porque tinha pressa para empreender a sua viagem.

Quando a ermida ficou vazia, Cristo dirigiu-se ao seu servo e disse-lhe: - Desce da Cruz. Não serves para ocupar o meu lugar. Não soubeste guardar silêncio.
- Mas, Senhor, como podia eu permitir essa injustiça?
Trocaram de lugar. Cristo voltou a ocupar a cruz e o eremita permaneceu diante dela.

O Senhor continuou a falar-lhe:
- Tu não sabias que era conveniente para o rico perder a bolsa, pois trazia nela o preço da virgindade de uma jovem.

O pobre, pelo contrário, tinha necessidade desse dinheiro; quanto ao rapaz que ia receber os golpes, as suas feridas o teriam impedido de fazer a viagem que, para ele, foi fatal: faz uns minutos que o seu barco acaba de soçobrar e que ele se afogou. Tu também não sabias isto; mas Eu sim. E por isso me calo.
E o Senhor tornou a guardar silêncio.

Muitas vezes nos perguntamos por que Deus não nos responde. Por que Deus se cala?
Muitos de nós gostaríamos que nos respondesse o que desejamos ouvir, mas Ele não o faz: responde-nos com o silêncio. Deveríamos aprender a escutar esse silêncio. O Divino Silêncio é uma palavra destinada a convencer-nos de que Ele, sim, sabe o que faz. Com o seu silêncio, diz-nos carinhosamente:  "Confia em mim, sei o que é preciso fazer!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A ÁRVORE DOS DESEJOS



FONTE DA IMAGEM :http://pequenas-estorias.blogspot.com.br/2011/07/arvore-dos-desejos.html



Arvore dos Desejos - No conceito Védico indiano, o Paraíso é composto por Árvores dos Desejos. Basta alguém sentar debaixo de uma delas e desejar qualquer coisa, que imediatamente o desejo se realizará, sem intervalo de tempo entre o desejo e a realização.

Conta uma velha lenda que, certa vez um homem estava viajando e acidentalmente, sentou-se embaixo de uma dessas Árvores dos Desejos. Sem nada saber sobre isso e dominado pelo cansaço, o homem pegou no sono, à sombra de sua frondosa copa. Quando despertou estava com muita fome, e então disse: - Estou com tanta fome! Ah, como eu desejaria conseguir alguma comida agora! E imediatamente apareceu um prato de comida à sua frente, vinda do nada, simplesmente uma deliciosa comida, flutuando no ar.

Ele estava tão faminto que não prestou atenção de onde viera a comida. Começou a comê-la assim que a viu. Somente depois que sua fome foi saciada é que voltou a olhar ao redor. Outro pensamento surgiu em sua mente: - Se ao menos eu conseguisse algo para beber... Imediatamente apareceram excelentes sucos e vinhos. Bebendo e relaxando na brisa fresca, sob a sombra da árvore, o homem começou a pensar: - O que está acontecendo? O que está havendo? Estou sonhando ou existem espíritos ao meu redor que estão fazendo truques comigo?

E diversos espíritos apareceram. O homem começou a tremer e novamente um pensamento surgiu em sua mente: - Serão esses espíritos perigosos?... Logo os espíritos se tornaram nauseantes, ferozes e começaram a fazer gestos ameaçadores para ele. Ai, meu Deus! Agora certamente eles vão me matar! E assim aconteceu...

Esta parábola tem apenas um significado: sua mente é a Árvore dos Desejos, e o que você pensa, mais cedo ou mais tarde, há de se realizar. Às vezes o intervalo entre o pensamento e o acontecimento é tão grande que nos esquecemos completamente que, de alguma maneira, desejamos o ocorrido. Mas, se olharmos profundamente, perceberemos que todos os nossos pensamentos, desejos, medos e receios estão criando nossas vidas. Eles criam nosso inferno ou nosso paraíso, criam nosso tormento ou nossa alegria.

Todos nós temos mentes "mágicas" capazes de manifestar externamente, nossos desejos e pensamentos. Estamos fiando a trama de nossas vidas, tecendo o mundo dentro e fora de nós, sem ao menos termos consciência disso. Sua vida está em suas mãos. Você pode escolher transformá-la num inferno ou num paraíso. A responsabilidade é toda sua. Isso depende somente de você! 

FONTE: http://nemdeusesnemastronautas.blogspot.com.br/2012/12/doutrina-espiritualista-ecumenica.html

sexta-feira, 1 de julho de 2011

As Aparências Enganam

falcão peregrino

O FALCÃO E O CÁLICE

Conta a lenda que certa manhã, o guerreiro mongol Gengis Khan e sua corte saíram para caçar. Enquanto seus companheiros levavam flechas e arcos, Gengis Khan carregava seu falcão favorito no braço, que era melhor e mais preciso que qualquer flecha, porque podia subir aos céus e ver tudo aquilo que o ser humano não conseguia ver. 

Entretanto, apesar de todo o entusiasmo do grupo, não conseguiram encontrar nada. Decepcionado, Gengis Khan voltou para seu acampamento. Mas, para não descarregar sua frustração em seus companheiros, separou-se da comitiva e resolveu caminhar sozinho.

Tinham permanecido na floresta mais tempo que o esperado e Gengis Khan estava morto de cansaço e de sede. Por causa do calor do verão, os riachos estavam secos, não conseguia encontrar nada para beber até que, enfim, avistou um fio de água descendo de um rochedo à sua frente. 

Na mesma hora, retirou o falcão do seu braço, pegou o pequeno cálice de prata que sempre carregava consigo, demorou um longo tempo para enchê-lo e, quando estava prestes a levá-lo aos lábios, o falcão levantou vôo e arrancou o copo de suas mãos, atirando-o longe.

Gengis Khan ficou furioso, mas era seu animal favorito, talvez estivesse também com sede. Apanhou o cálice, limpou a poeira e tornou a enchê-lo. Após outro tanto de tempo, com a sede apertando cada vez mais e com o cálice já pela metade, o falcão de novo atacou-o, derramando o líquido.

Gengis Khan adorava seu animal, mas sabia que não podia deixar-se desrespeitar em nenhuma circunstância, já que alguém podia estar assistindo à cena de longe e mais tarde contaria aos seus guerreiros que o grande conquistador era incapaz de domar uma simples ave. 

Desta vez, tirou a espada da cintura, pegou o cálice, recomeçou a enchê-lo. Manteve um olho na fonte e outro no falcão. Assim que viu ter água suficiente e quando estava pronto para beber, o falcão de novo levantou vôo e veio em sua direção. Gengis Khan, em um golpe certeiro, atravessou o seu peito do falcão, matando-o.

Retomou o trabalho de encher o cálice. Mas o fio de água havia secado.
Decidido a beber de qualquer maneira, subiu o rochedo em busca da fonte. Para sua surpresa, havia realmente uma poça d‘água e, no meio dela, morta, uma das serpentes mais venenosas da região. 

Se tivesse bebido a água, já não estaria mais no mundo dos vivos.
Gengis Khan voltou ao acampamento com o falcão morto em seus braços.
Mandou fazer uma reprodução em ouro da ave e gravou em uma das asas:
Mesmo quando um amigo faz algo que você não gosta, ele continua sendo seu amigo. 

Na outra asa:
Qualquer ação motivada pela fúria é uma ação condenada ao fracasso.

Fonte: www.planetamais.com.br 
Foto: google images

sábado, 21 de maio de 2011

Mais uma flor para fazer parte de nosso pequeno jardim: miosótis


A LENDA DO MIOSÓTIS: UMA ESTÓRIA DE AMOR!
Há muitos e muitos anos havia um sábio persa muito querido por Deus,pela sua bondade e sabedoria.


Compreensivo com todos,sempre pronto a aconselhar e ajudar,ensinava ao seu povo o valor do perdão e o entendimento das falhas humanas,pois,humanos,somos todos nós e por isso, falíveis.


Deus,do alto da Sua glória acompanhava seus passos e tinha por ele tal admiração,que,chamando o seu anjo favorito,lhe enviou uma mensagem de amor e paz.


Prontamente o anjo cruzou os ares, célere,contente por ter sido escolhido para entregar a missiva.
Os anjos são os mensageiros celestes, mas,às vezes,têm que levar mensagens bem desagradáveis,o que os deixa muito tristes.


Enquanto cruzava o espaço o anjo avistou uma belíssima moça persa,que,sentada à beira de um rio,enfeitava os cabelos com umas flores delicadas,quase tão belas como ela mesma.


Enquanto trançava seus louros cabelos que pareciam feitos de fios de seda, cantava,com uma voz maviosa,uma canção de amor.
Sorriu, ao terminar a tarefa,ao ver refletido seu rosto nas límpidas águas do rio.


Encantado , ao ver tanta beleza,o anjo desceu e a raptou.
Passaram-se muitos dias de um amor infinito e o anjo lembrou-se de que a mensagem não fora entregue.
Arrependido, temeroso,voltou ao céu ,pensando em obter o perdão para sua falta.


Mas, encontrou fechadas as portas do paraíso.
Triste e choroso, o anjo ficou por ali lamentando a sua sorte e as loucuras que fizera por amor; mostrava-se sinceramente arrependido e Deus,comovido,enviou o Arcanjo Gabriel com um recado.


-Deus ordena que antes de trazeres para o céu uma filha da terra, povoes o solo de filhos do céu.


Confuso, o anjo voltou para a terra e contou à esposa o recado de Deus,confessando que não tinha entendido nada.Será que a moça teria uma explicação?


-É claro, ela lhe disse, sorridente.Essas flores que trago nos cabelos chamam-se “filhas do céu” ,mas, podem também ser chamadas de “não –me-deixes”.

De mãos dadas e felizes eles saíram pelo mundo, plantando,por toda parte,os miosótis ou não-me-deixes e terminada a tarefa o anjo envolveu a esposa nos seus braços vigorosos e voou para o céu.

sábado, 2 de abril de 2011

Lenda sobre a origem da orquídea




Na cidade de Anam existia uma formosa jovem chamada Hoan-Lan cujo divertimento predileto era fazer penar duras paixões em numerosos admiradores. Por um sorriso seu o jovem Kien-Su tinha cinzelado o ouro mais fino, e trabalhado com infinita paciência as mais lindas peças de jade. A ingrata Hoan-Lan, depois de adornar-se com todos os presentes, riu-se dele. Kien-Fu desesperado acabou com a vida jogando-se no Rio Vermelho.

E como Kien-Su vários outros mataram-se: o pintor Nzuyen-Ba penetrou selva adentro, Ma-Da envenenou-se, Cunz-Lie enlouqueceu. Todos por terem sido desprezados por Hoan-Lan.
Mas o poderoso deus das cinco flechas julgou ter chegado o momento de castigar tanta maldade. E o castigo foi fazer com que a jovem volúvel se apaixonasse perdidamente pelo formoso Mun-Say. E assim aconteceu. Desde então Hoan-Lan, no seu leito de nácar e sedas bordadas, desesperava-se com a indiferença de Mun-Say:
"- Não me interessas rapariga, dizia ele, és como todas as outras, não serve nem para atar as fitas da sandália da mulher que amo."
. . .Treslouca Hoan-Lan, apesar da noite escura, foi procurar o deus da montanha de Tan-Vien.. . .Quando chegou junto ao trono de ônix do poderoso gênio, prostou-se e implorou:
"- Cura-me que sofro horrorosamente. Amo Mun-Say que me despreza."
"- É justo o castigo, respondeu o gênio, porque o mesmo tens feito aos teus apaixonados. Vai-te daqui, nada conseguirás!, rugiu o gênio."
Na saída do templo Hoan-Lan encontrou uma bruxa de pés de cabra.
"- Formosa jovem, disse-lhe a bruxa, sei que és muito desgraçada. Queres vingar-te de Mun-Say?"
"- Vende-me tua alma e juro-te que embora Mun-Say nunca te ame, não amará outra mulher."
Hoan-Lan aceitou o contrato. A bruxa fez um feitiço com uma folha de palmeira e enterrou-a, pronunciou umas palavras desconhecidas e desapareceu. E Hoan-Lan voltou para casa.
. . .Um dia, vendo de longe seu adorado Mun-Say, correu para ele, e quando preparava-se para abraçá-lo o jovem transformou-se numa árvore de ébano. Neste momento apareceu a bruxa que, soltando uma gargalhada, disse:


"- Dessa maneira o teu amado, embora nunca te ame, não poderá ser nunca de outra mulher."
"- Bruxa infame, exclamou chorando a pobre Hoan-Lan, que fizeste ao meu adorado? - Devolve-me ou mata-me."
"- Contratos são contratos - replicou a bruxa. - Cumpri o que prometi. A tua alma me pertence. E soltando uma última gargalhada, desapareceu.

. . .
Hoan-Lan caiu chorando ao pé da árvore: "- Perdoa-me Mun-Say. Tem para mim uma só palavra de amor, de indulgência, de compaixão. Não vês como me arrasto a teus pés, como sofro?" Mas a árvore nada respondia.. . .A jovem ficou ali parada durante muito tempo. Um dia, passou por ali um gênio, que se compadeceu de sua dor. Acercando-se dela, colocou um dedo em sua testa e disse:
"- Mulher, procedeste muito mal, mas sua dor purificou sua alma. Estás perdoada e vai deixar de sofrer. Antes que a bruxa venha buscar tua alma, vou converter-te numa flor. Ficarás sendo, no entanto, esquisita e requintada que dê a impressão do que foi tua vida maldosa. Quem vir tuas pétalas facilmente advinhará o que foi teu espírito caprichoso, volúvel e cruel e a tua preocupação constante com a elegância.
"-Concedo-te um bem: não te separarás do bem que adoras e viverás de tua seiva, parasita do teu amado."


Enquanto falava, a túnica rósea de Hoan-Lan ia empalidecendo e tomando uma delicada cor lilás. Os olhos da jovem brilhavam como pontos de ouro e suas carnes tomaram a tonalidade do nácar. Os seus formosos braços enrolaram-se na árvore, numa derradeira súplica. E ela se transformou numa orquídea.
E foi assim que apareceu a primeira orquídea no mundo, segundo a lenda de Anam.

Fonte: http://www.orquídea.com.br

Nota: Acredito que na época em que surgiu a lenda acreditava-se que as orquídeas eram parasitas o que hoje sabemos que não é verdade. Mas, vale pela beleza poética da estória.