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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

APENAS ENTREGUE-SE E TUDO QUE DESEJA VIRÁ




Toda técnica é contra a natureza, contra o Tao; todo esforço é contra o Tao. Se você conseguir deixar tudo por conta da natureza, então nenhuma técnica é necessária, porque essa é a técnica suprema. Se você conseguir deixar tudo por conta do Tao, essa é a mais profunda entrega possível. Você está entregando a si mesmo, o seu futuro, as suas possibilidades, está entregando o próprio tempo, todos os esforços. Isso significa paciência e espera infinitas.

Depois que você entregar tudo à natureza, não há esforço, você apenas flui; você está num profundo estado de deixar acontecer. Coisas lhe acontecem, mas você não está fazendo nenhum esforço para que elas aconteçam, não está nem mesmo procurando-as. Se elas acontecerem, tudo bem; se não acontecerem, tudo bem; você não escolhe. Tudo o que acontece, acontece; você não tem expectativas e, é claro, nenhuma frustração.

A vida flui e você flui com ela. Você não tem nenhum objetivo a alcançar, porque com o objetivo entra o esforço. Você não tem nenhum lugar para ir, porque, se tiver algum lugar para ir, o esforço virá; ele está implícito. Você não tem nenhum lugar para ir, nenhum lugar para alcançar, nenhum objetivo, nenhum ideal; nada precisa ser atingido, você entrega tudo, e, nesse momento de entrega, nesse exato momento, tudo lhe acontece.

O esforço requer tempo, a entrega não leva tempo; técnica leva tempo, a entrega não leva tempo. É por isso que chamo a entrega de técnica suprema; ela é uma não-técnica. Você não pode praticá-la, não se pode praticar a entrega. Se você praticar, ela não é entrega; então você está contando consigo mesmo e não está totalmente impotente; então você está tentando fazer alguma coisa. Mesmo se for entrega, você está tentando fazê-la, e a técnica entrará em cena e, com a ela, entra o tempo, o futuro.

A entrega não é temporal, ela está além do tempo. Se você se entrega, nesse exato momento você está fora do tempo, e tudo o que pode acontecer acontecerá. Mas então você não a está procurando, não a está buscando, não está ávido por ela. Você absolutamente não está pensando nela; para você, dá no mesmo se ela acontecer ou não acontecer.

Tao significa entrega, entrega à natureza, e então o ego não existe. O tantra e a ioga são técnicas, e por meio delas você atinge um ponto de entrega, mas será um longo processo. No final, depois de cada técnica, você terá de se entregar, mas com as técnicas a entrega acontecerá no final. Com o Tao, no Tao, ela virá no começo. Se você puder se entregar agora mesmo, nenhuma técnica é necessária.

Você precisa ser descondicionado. Se você estiver no Tao, então nenhuma técnica é necessária; se você for saudável, então nenhum remédio é necessário. Todo remédio é contra a saúde; mas você está doente, e o remédio é necessário. Esse remédio matará sua enfermidade; ele não pode lhe dar saúde, mas, se a doença for removida, a saúde lhe acontecerá. Nenhum remédio pode lhe dar saúde; basicamente, todo remédio é um veneno, mas você coletou algum veneno e precisa de um antídoto que criará um equilíbrio, e a saúde será possível.

A técnica não lhe dará a sua divindade, não lhe dará a sua natureza. Ela destruirá tudo o que você juntou à volta da sua natureza; ela apenas tirará os seus condicionamentos. Você está condicionado e, no momento, não pode saltar em direção à entrega. Se você puder saltar, ótimo, mas você não pode... Seus condicionamentos perguntarão: "Como?" Então as técnicas serão de ajuda.

Quando a pessoa vive no Tao, nenhuma ioga, nenhum tantra e nenhuma religião são necessários. A pessoa está perfeitamente saudável, e nenhum remédio é necessário. Toda religião é medicinal. Quando o mundo viver totalmente no Tao, as religiões desaparecerão e nenhum mestre, nenhum Buda e nenhum Jesus serão necessários, porque cada um será um Buda ou um Jesus. Mas, no momento, como você é, você precisa de técnicas; essas técnicas são antídotos.

Você juntou à sua volta uma mente tão complexa que complicará tudo o que for dito e for dado a você; você tornará tudo mais complexo, mais difícil. Se eu lhe disser: "Entregue-se", você perguntará: "Como?"; se eu disser: "Use técnicas", você perguntará: "Técnicas? As técnicas não são contra o Tao?"; se eu disser: "Nenhuma técnica é necessária, simplesmente se entregue e a divindade lhe acontecerá", imediatamente você perguntará: "Como?" Essa é a sua mente.

Se eu disser: "O Tao está exatamente aqui e agora, você não precisa praticar nada; simplesmente dê um salto e se entregue", você perguntará: "Como? Como posso me entregar?" Se eu lhe der uma técnica para responder ao seu "como", sua mente dirá: "Mas um método, uma técnica e uma abordagem não são contra o Tao? Se a divindade for a minha natureza, então como pode ser alcançada por meio de uma técnica? Se ela já está presente, então a técnica é inútil, é desnecessária. Por que perder tempo com técnicas?" Observe essa mente!

Certa vez aconteceu de um homem, pai de uma jovem, pedir ao compositor Leopold Godowsky para ir à sua casa e dar aula à sua filha. Ela estava aprendendo piano e Godowsky foi à casa deles e, pacientemente, ouviu a jovem tocar. Quando ela terminou, o pai riu exultante, deu um grito de felicidade e perguntou a Godowsky: "Ela não é maravilhosa?"

Conta-se que Godowsky respondeu: "Ela tem uma técnica impressionante. Nunca ouvi alguém tocar uma peça tão simples com uma dificuldade tão grande".

É isso o que acontece na sua mente.

Mesmo uma coisa simples, você a tornará complicada, difícil para si mesmo. E essa é uma medida de defesa, porque, quando você cria dificuldade, não precisa fazê-la; primeiro o problema precisa ser resolvido, e só depois você pode fazê-la.

Lembre-se, você pode seguir em frente indefinidamente nesse círculo vicioso, mas precisará quebrá-lo em algum ponto e sair dele. Seja determinado, porque somente com decisão nasce a sua humanidade, somente com decisão você se torna humano. Seja determinado; se você puder se entregar, entregue-se; se não puder se entregar, então não crie problemas filosóficos e use alguma técnica. De ambas as maneiras, a entrega lhe acontecerá.

OSHO 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

É ISSO QUE A MEDITAÇÃO É



Você pode deixar o mundo... mas será o mesmo. Você irá recriar o mesmo mundo, porque estará levando a planta em sua mente. Não se trata de deixar o mundo, a questão é mudar a mente, renunciar à mente. É isso que a meditação é.

Osho

domingo, 30 de outubro de 2016

SE ENTREGUE, FLUA COM A VIDA



O Tao acredita na filosofia da entrega; acredita que você não 

precisa nadar, mas apenas fluir com o rio, deixar que o rio o 

leve para onde ele estiver indo, pois todo o rio sempre 

chegará no oceano. Então não se preocupe, você também 

chegará ao oceano, e não há necessidade de ficar tenso e 

preocupado.


OSHO

terça-feira, 28 de junho de 2016

PRIMEIRO FIQUE SOZINHO

 
Primeiro comece a se divertir sozinho.
Primeiro ame a si mesmo.
Primeiro seja tão autenticamente feliz, que se ninguém vier, não importa; você está cheio, transbordando.
Se ninguém bater à sua porta, está tudo bem.
Você não está em falta.
Você não está esperando por alguém para vir e bater à sua porta.
Você está em casa.
Se alguém vier, bom, belo.
Se ninguém vier, também é bom e belo
Em seguida, você pode passar para um relacionamento.
Agora você se move como um mestre, não como um mendigo.
Agora você se move como um imperador, não como um mendigo.
E a pessoa que viveu em sua solidão será sempre atraído para outra pessoa que também está vivendo sua solidão lindamente, porque o mesmo atrai o mesmo.
Quando dois mestres se encontram - mestres do seu ser, de sua solidão - felicidade não é apenas acrescentada: é multiplicada.
Torna-se uma tremendo fenômeno de celebração.
E eles não exploram um ao outro, eles compartilham.
Eles não utilizam o outro.
Em vez disso, pelo contrário, ambos tornam-se UM e desfrutam da existência que os rodeia."
(Osho)


IMAGEM

domingo, 26 de junho de 2016

As coisas acontecem quando você NÃO as espera

Osho - ToNoCosmos
 
As coisas acontecem quando você não as espera, as coisas acontecem quando você não as força, as coisas acontecem quando você não está ansiando por elas.
Mas isso é uma consequência, não um resultado. E fique claramente consciente da diferença entre “consequência” e “resultado”. Um resultado é conscientemente desejado; uma consequência é um subproduto. Por exemplo: se eu digo a você que se você brincar, a felicidade será a consequência, você vai tentar por um resultado. Você vai e brinca e você fica esperando pelo resultado da felicidade. Mas eu lhe disse que ela será a consequência, não o resultado.
A consequência significa que se você está realmente na brincadeira, a felicidade acontecerá. Se você constantemente pensa na felicidade, então, ela tem de ser um resultado; ela nunca acontecerá. Um resultado vem de um esforço consciente; uma consequência é apenas um subproduto. Se você estiver brincando intensamente, você estará feliz. Mas a própria expectativa, o anseio consciente pela felicidade, não lhe permitirá brincar intensamente. A ânsia pelo resultado se tornará a barreira e você não será feliz.
A felicidade não é um resultado, é uma consequência. Se eu lhe digo que se você amar, você será feliz, a felicidade será uma consequência, não um resultado. Se você pensa que, porque você quer ser feliz, você deve amar, nada resultará disso. A coisa toda será falsificada, porque a pessoa não pode amar por algum resultado. O amor acontece! Não há motivação por detrás dele.
Se há motivação, não é amor. Pode ser qualquer outra coisa. Se eu estou motivado e penso que, porque desejo a felicidade, vou amá-lo, esse amor será falso. E como ele será falso, a felicidade não resultará dele. Ela não virá; é impossível. Mas se eu o amo sem qualquer motivação, a felicidade segue como uma sombra.
A aceitação será seguida por transformação, mas não faça da aceitação uma técnica para a transformação. Ela não é. Não anseie por transformação – somente então a transformação acontece. Se você a deseja, seu próprio desejo é o obstáculo.
OSHO

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

MEDITAÇÃO É SUA NATUREZA

http://www.oshomeditationsaopaulo.com.br/a-meditacao


O que é a meditação? É uma técnica que pode ser praticada? É um esforço que você pode fazer? É algo que a mente pode atingir? Não é nada disso.

Tudo que a mente pode fazer não é meditação, pois a meditação está além da mente e não pode ser penetrada por ela. Onde a mente acaba, a meditação começa. Lembre-se disso, pois, em nossas vidas, tudo que fazemos é feito pela mente.

Portanto, quando nos voltamos para dentro, começamos novamente a pensar em termos de técnicas, de métodos e realizações, porque nossa experiência de vida nos mostra que tudo pode ser feito pela mente.

Tudo, exceto a meditação. A meditação não pode ser feita pela mente porque não é algo que se conquiste. A meditação já está lá, é sua natureza. Não precisa ser conquistada, basta que seja lembrada. Está lá, esperando por você. Basta voltar-se para dentro e ela está disponível. Sempre esteve dentro de você.

A meditação é sua natureza intrínseca, não tem nada a ver com suas atividades. Você não pode tê-la, assim como não pode não tê-la. Ela não pode ser possuída, não e uma coisa. É você. É o seu ser.

Palavras de Osho em Aprendendo a Silenciar a Mente. p. 20

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

ESTAMOS DE PASSAGEM, NÃO NOS É PERMITIDO DESTRUIR NADA



Pensamento escolhido para o dia 31 de agosto de 2015

"Você é um hóspede. Deixe essa terra um pouco mais


 bonita, um pouco mais humana, um pouco mais amável,um 

pouco mais perfumada, para aqueles hóspedes

desconhecidos que virão após você."


~ Osho


Foto de www.Glamurno.com

domingo, 2 de agosto de 2015

SÓ A COMPAIXÃO É TERAPÊUTICA



Amado Osho,
Você disse: Só a compaixão é terapêutica. Você poderia comentar sobre a palavra  'compaixão', compaixão por si mesmo e compaixão pelos outros?



 "Sim, somente a compaixão é terapêutica, porque tudo o que é doença no homem é causado pela falta de amor. Tudo o que está errado com o homem, está de alguma forma associado ao amor. Ele não tem sido capaz de amar ou ele não tem sido capaz de receber amor. Ele não tem sido capaz de compartilhar o seu ser. Essa é a miséria. Isso cria toda sorte de complexos internamente.

      Aquelas feridas internas podem vir à superfície de várias maneiras: elas podem se tornar doenças do físico e doenças mentais, mas no fundo o que o homem sofre é de falta de amor. Assim como o alimento é necessário para o corpo, o amor é necessário para a alma. O corpo não consegue sobreviver sem alimento e a alma não consegue sobreviver sem o amor. Na verdade, sem o amor a alma nunca nasce e nem há essa questão de sua sobrevivência.


          Você simplesmente pensa que tem uma alma. Você acredita que você tem uma alma devido ao seu medo da morte. Mas você não a conheceu a não ser que você tenha amado. Somente no amor a pessoa vem a sentir que ela é mais do que o corpo, mais do que a mente.     

          É por isso que eu digo que a compaixão é terapêutica.O que é compaixão? Compaixão é a forma mais pura de amor. No sexo, o contato é basicamente físico, na compaixão o contato é basicamente espiritual. No amor, compaixão e sexo estão misturados. O amor está no meio do caminho entre sexo e compaixão.


          Você também pode chamar a compaixão de prece. Você também pode chamar a compaixão de meditação. A forma mais elevada de energia é a compaixão. A palavra 'compaixão' é bela. Metade dela é 'paixão'. De alguma forma a paixão se tornou tão refinada que ela não é mais como uma paixão. Ela se tornou compaixão.


          No sexo, você usa o outro, você reduz o outro a um meio, você reduz o outro a uma coisa. É por isso que numa relação sexual você se sente culpado. Essa culpa nada tem a ver com ensinamentos religiosos, essa culpa é mais profunda que os ensinamentos religiosos. Numa relação sexual, enquanto tal, você se sente culpado. Você se sente culpado porque você está reduzindo um ser humano a uma coisa, a uma mercadoria para ser usada e jogada fora.


          É por isso que no sexo você também tem uma sensação de escravidão, você também está sendo reduzido a uma coisa. E quando você é uma coisa, a sua liberdade desaparece, porque a sua liberdade somente existe quando você é uma pessoa. Quanto mais você for uma pessoa, mais livre será; quanto mais você for uma coisa, menos livre será.


          Os móveis de seu quarto não são livres. Se você deixar o quarto fechado e voltar muitos anos depois, os móveis estarão nos mesmos lugares, com a mesma disposição, eles não se arrumarão numa nova disposição. Eles não têm liberdade. Mas se você deixar um homem num quarto, você não irá encontrá-lo do mesmo jeito, nem mesmo no dia seguinte, nem mesmo no momento seguinte. (...)


          Para uma coisa, o futuro está fechado. Uma pedra permanecerá uma pedra. Ela não tem qualquer potencial para o crescimento. Ela não pode mudar, ela não pode evoluir. O homem nunca permanece o mesmo. Ele pode retornar, ele pode ir adiante, ele pode ir para o inferno ou para o céu, mas nunca permanece o mesmo. Ele segue se movendo, deste ou daquele jeito.


          Quando você tem uma relação sexual com alguém, você reduz aquela pessoa a uma coisa. E ao reduzi-la, você também se reduz a uma coisa, porque isso é um acordo mútuo do tipo: 'Eu lhe permito reduzir-me a uma coisa e você me permite reduzi-lo a uma coisa. Eu lhe permito usar-me e você me permite usá-lo. Nós usamos um ao outro. Nós ambos nos tornamos coisas'.


          É por isso... Observe dois amantes: enquanto eles ainda não se acomodaram, o romance ainda está vivo, a lua de mel não termina e você vê as duas pessoas vibrando com a vida, prontas para explodir-se, prontas para explodir-se no desconhecido. E depois, observe um casal de marido e mulher, e você verá duas coisas mortas, dois cemitérios, lado a lado, ajudando um ao outro a se manter morto, forçando um ao outro a se manter morto. Esse é o conflito constante no casamento. Ninguém quer ser reduzido a uma coisa.


          O sexo é a forma mais baixa daquela energia 'X'. Se você é religioso chame isso de 'Deus"; se você é um cientista, chame isso de 'X'. Essa energia, X, pode se tornar amor. Quando ela se torna amor, então você começa a respeitar a outra pessoa. Sim, algumas vezes você usa a outra pessoa, mas você se sente agradecido por isso. Você nunca diz muito obrigado a uma coisa. Quando você está amando uma mulher e você faz amor com ela, você lhe diz: muito obrigado. 


Quando você faz amor com sua esposa, alguma vez você lhe disse muito obrigado? Não, você não dá valor algum. A sua esposa já lhe disse alguma vez obrigado? Talvez, muitos anos atrás, você consegue se lembrar de um tempo quando vocês ainda estavam indecisos, quando estavam experimentado, fazendo a corte, seduzindo um ao outro, talvez. Mas uma vez que vocês se acomodaram, ela disse alguma vez muito obrigado a você por alguma coisa? Você tem estado fazendo tantas coisas por ela, ela tem estado fazendo tantas coisas por você, vocês ambos têm vivido um para o outro... mas a gratidão desapareceu.

          No amor existe gratidão, existe uma profunda gratidão. Você sabe que a outra pessoa não é uma coisa. Você sabe que o outro tem uma grandeza, uma personalidade, uma alma, uma individualidade. No amor você dá liberdade total ao outro. Na verdade você dá e você recebe, é uma relação de dar e receber, mas com respeito.


          No sexo há uma relação de dar e receber, mas sem respeito. Na compaixão, você simplesmente dá. Não há qualquer ideia, em lugar algum em sua mente, de receber algo em troca. Você simplesmente compartilha. Não que nada retorne. Mil desdobramentos retornam, mas espontaneamente, simplesmente como uma conseqüência natural. Não há qualquer espera por isto.


          No amor, se você dá alguma coisa, no fundo você fica esperando aquilo que deve vir em troca. Se aquilo não vem, você percebe uma reclamação interna. Você pode não dizer, mas de mil e uma maneiras você pode insinuar que você não está satisfeito, que você está se sentindo traído. O amor parece ser uma barganha sutil.


          Na compaixão, você simplesmente dá. No amor, você está agradecido porque o outro deu alguma coisa a você. Na compaixão você está agradecido porque o outro recebeu alguma coisa de você, porque o outro não rejeitou você. Você veio com energia para dar, você veio com muitas flores para compartilhar e o outro lhe permitiu, o outro estava receptivo. Você está agradecido porque o outro estava receptivo.


          A compaixão é a mais elevada forma de amor. Muita coisa vem em troca, mil desdobramentos eu digo, mas esse não é o ponto, você não fica esperando por isto. Se não vier, não há qualquer reclamação. Se vier, você simplesmente fica surpreso. Se vier, isso será inacreditável. Se não vier, não há qualquer problema, você nunca dá o seu coração a alguém por qualquer barganha. Você simplesmente distribui porque você tem. Você tem tanto que se você não distribuir, você se sentirá sobrecarregado. É exatamente como uma nuvem carregada que tem que chover. E da próxima vez quando uma nuvem estiver chovendo observe atentamente e você sempre ouvirá; quando a nuvem estiver chovendo e a terra tiver absorvido, você sempre ouvirá a nuvem dizendo à terra 'muito obrigado'. A terra ajuda a nuvem a se descarregar.


          Quando uma flor desabrocha, ela tem que compartilhar a sua fragrância ao vento. Isso é natural. Não é uma barganha, não é um negócio. Isso é simplesmente natural. A flor está repleta de fragrância. O que fazer? Se a flor mantiver a fragrância para si mesma, ela irá se sentir muito, muito tensa, em angústia profunda. A maior angústia na vida é quando você não pode expressar, quando você não pode comunicar, quando você não pode compartilhar. O homem mais pobre é aquele que nada tem a compartilhar, ou aquele que tem algo a compartilhar mas que perdeu a capacidade, a arte, a maneira de como compartilhar, aí o homem é pobre.


          O homem sexual é muito pobre. Em comparação, o homem amoroso é mais rico. O homem de compaixão é o homem mais rico, ele está no topo do mundo. Ele não tem qualquer confinamento, qualquer limitação. Ele simplesmente dá e segue o seu caminho. Ele nem mesmo espera você lhe dizer um muito obrigado. Com tremendo amor ele compartilha a sua energia.


          É isso que eu chamo terapêutico. (......)
          Para ser compassivo é preciso que se tenha, em primeiro lugar, compaixão por si mesmo. Se você não amar a si mesmo, você nunca será capaz de amar um outro alguém. Se você não for amável consigo mesmo, você não conseguirá ser amável com ninguém mais. Os seus chamados santos, que são muito duros consigo mesmos, estão simplesmente fingindo que são amáveis com os outros. Isso não é possível. Psicologicamente isso é impossível. Se você não puder ser amável consigo mesmo, como você poderá ser amável com os outros?


          Qualquer coisa que você for consigo mesmo, você será com os outros. Deixe que isso seja um ditado básico. Se você se detesta, você irá detestar os outros. E foi-lhe ensinado detestar a si mesmo. Ninguém jamais disse a você 'ame a si mesmo'. Essa própria ideia parece absurda: amar a si mesmo? A própria ideia não faz sentido: amar a si mesmo? Nós sempre pensamos que, para amar, nós precisamos de uma outra pessoa. Mas se você não aprender consigo mesmo, você não será capaz de praticar com os outros.


          Foi-lhe dito constantemente, você foi condicionado, que você não tem qualquer valor. De todas as direções lhe foi mostrado, lhe foi dito que você é sem valor, que você não é o que deveria ser, que você não é aceito como você é. Existem muitos 'deves' pendurados sobre a sua cabeça e todos esses 'deves' são quase impossíveis de serem satisfeitos. E quando você não consegue satisfazê-los, quando você tem um pequeno tropeço, você se sente condenado. Uma profunda raiva surge em você em relação a si mesmo.


          Como você pode amar os outros? Tão cheio de ódio, onde você irá encontrar amor? Assim, você simplesmente finge, você simplesmente demonstra que está amoroso. No fundo você não está amoroso com ninguém, você não pode estar. Esses fingimentos são bons por uns poucos dias, depois o colorido desaparece, então a realidade se revela por si mesma.


          Todo caso amoroso está em cima de pedras. Mais cedo ou mais tarde, todo caso amoroso se torna muito envenenado. E como ele se torna tão envenenado? Ambos fingem que estão amando, ambos seguem dizendo que amam. O pai diz que ama a criança, a criança diz que ama o pai, a mãe diz que ama a filha e a filha segue dizendo a mesma coisa. Irmãos dizem que amam um ao outro. Todo o mundo conversa a respeito de amor, canta canções de amor, e você poderia encontrar outro local tão destituído de amor? Nem uma pitada de amor existe, e  montanhas de falatórios, um Himalaia de poesias a respeito do amor.


          Parece que todas essas poesias são apenas compensações. Porque nós não conseguimos amar, nós temos que acreditar de alguma maneira, através da poesia, da canção, que nós amamos. Aquilo que nos falta na vida, nós colocamos na poesia. O que nós vamos perdendo na vida, nós colocamos no filme, na novela. O amor está absolutamente ausente porque o primeiro passo ainda não foi dado.


          O primeiro passo é: aceite-se como você é. Abandone todos os 'deves". Não carregue qualquer 'deve' em seu coração. Não é para você ser algo diferente do que é. Não é de se esperar que você faça algo que não pertença a você. Você existe para ser exatamente você mesmo. Relaxe e seja simplesmente você mesmo. Seja respeitoso para com sua individualidade e tenha a coragem de assinar a sua própria assinatura. Não siga copiando as assinaturas de outros.


          Não é de se esperar que você se torne um Jesus ou um Buda ou um Ramakrishna.  O que se espera é que você se torne simplesmente você mesmo. Foi bom que Ramakrishna nunca tentou se tornar alguma outra pessoa, assim ele se tornou Ramakrishna. Foi bom que Jesus nunca tentou tornar-se Abraão ou Moisés, assim ele se tornou Jesus. E é bom que Buda nunca tenha tentado tornar-se Patanjali ou Krishna. Foi por isso que ele se tornou Buda.


          Quando você não está tentando se tornar um outro alguém, então você simplesmente relaxa e uma graça surge. Então você está cheio de grandeza, esplendor e harmonia, porque aí não existe qualquer conflito. Nenhum lugar para ir, nada pelo qual brigar, nada para forçar nem para obrigar-se violentamente. Você se torna inocente.


          Em tal inocência, você sentirá compaixão e amor por si mesmo. Você se sentirá tão feliz consigo mesmo que ainda que Deus venha bater em sua porta e diga: 'Você gostaria de se tornar uma outra pessoa?, você dirá: 'Você ficou louco? Eu sou perfeito! Obrigado, e nunca mais tente fazer isso, eu sou perfeito como sou.' (......)


          As rosas desabrocham tão lindamente porque elas não estão tentando se tornar lótus. E a flor de lótus desabrocha tão lindamente porque ela nunca ouviu as lendas a respeito das outras flores. Tudo na natureza segue tão belamente em harmonia porque ninguém está tentando competir com algum outro, ninguém está tentando se tornar algum outro. Tudo é do jeito que é.


          Simplesmente veja o ponto! Seja apenas você mesmo e lembre-se de que você não pode ser alguma outra coisa, faça o que você fizer. Todo esforço é fútil. Você tem que ser simplesmente você mesmo.


          Existem dois caminhos: um é: rejeitando, você pode permanecer o mesmo; condenando, você pode permanecer o mesmo. Ou, aceitando, entregando-se, curtindo, deliciando-se, você pode permanecer o mesmo. A sua atitude pode ser diferente, mas você vai continuar do jeito que você é, a pessoa que você é. Uma vez que você aceite, a compaixão surge. E então, você começa a aceitar os outros. (......)


          Mova-se lentamente, alerta, observando, estando amoroso. Se você for sexual, eu não digo para abandonar o sexo; eu digo faça-o mais alerta, faça-o como uma prece, faça-o mais profundo, assim ele pode tornar-se amor. Se você está amando, então faça isso com mais gratidão, traga uma gratidão, uma alegria, uma celebração e uma prece mais profunda ao amor, traga meditação para ele, assim ele pode se tornar compaixão.


          A não ser que a compaixão tenha acontecido para você, não pense que você viveu corretamente, ou que você viveu de alguma maneira. Compaixão é o florescimento. E quando a compaixão acontece para uma pessoa, milhões são curadas. Qualquer um que chegue ao seu redor será curado. A compaixão é terapêutica."


                                        OSHO - A Sudden Clash of Thunder - discourse nº 8
                                                                      tradução: Sw.Bodhi Champak

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A comparação gera inferioridade ou superioridade.



Quando você não estabelece comparações, toda inferioridade e toda superioridade desaparecem. Nessa condição você simplesmente é, você simplesmente está aí. Um pequeno arbusto ou uma grande árvore alta - isso não importa - você é você mesmo. Você é necessário. Uma folha de grama é tão necessária quanto a maior das estrelas. Sem a folha de grama, Deus será menos do que ele é. O pipilar de um pássaro é tão necessário quanto qualquer buda - o mundo será menos, será menos rico se esse pássaro desaparecer.

Basta olhar à sua volta. Tudo é necessário e se encaixa em um todo. Trata-se de uma unidade orgânica: ninguém está acima, ninguém está abaixo, ninguém é superior, ninguém é inferior. Cada qual é incomparavelmente único.

Quem foi que lhe disse que o bambu é mais bonito do que o carvalho, ou que o carvalho é mais valioso do que o bambu? Você imagina que o carvalho gostaria de ter um tronco oco como o do bambu? Será que o bambu sente inveja do carvalho porque ele é maior e suas folhas mudam de coloração no outono? A própria ideia das duas árvores fazendo comparações entre si parece ridícula, mas os humanos consideram muito difícil romper com esse hábito.

Vamos encarar os fatos: sempre existirá alguém que é mais bonito, mais talentoso, mais forte, mais inteligente, ou aparentemente mais feliz do que você. E, inversamente, sempre haverá aqueles que são inferiores a você em todos esses aspectos. O caminho para descobrir quem você é, não é a comparação com os outros, mas um exame para ver se você está realizando o seu próprio potencial, da melhor maneira de que é capaz.
- Osho

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

UMA BELA HISTÓRIA



Uma bela história:           
Existe um templo neste estado de Maharastra. É um templo de Krishna e uma história estranha está relacionada com este templo por causa de uma estátua de Krishna que ali está em pé sobre um tijolo. Em Maharastra ela é chamada de Bitthal. É estranho porque em nenhum outro lugar, existe um deus dentro de um templo em pé sobre um tijolo.           

A história é que um belo homem, curtindo cada detalhe da vida em sua totalidade, estava tão satisfeito e tão preenchido que Krishna decidiu aparecer diante dele.           

Era comum haver pessoas que passavam a vida inteira cantando e dançando, ‘Hare Krishna, Hare Rama’ e nem Rama nem Krishna apareciam.           

Este homem não estava preocupado nem com Krishna, nem com Rama, nem com ninguém. Ele simplesmente estava vivendo a sua vida, mas vivendo-a da maneira que ela deve ser vivida: com amor, com coração, com beleza, com música, com poesia. A sua vida era uma bênção e Krishna decidiu que aquele homem necessitava de uma visita dele.

         Entenda a história: o homem nem estava pensando em Krishna, mas Krishna sentiu que o homem merecia uma visita sua.           Ele foi visitá-lo no meio da noite para não criar qualquer tipo de problema com o resto da cidade. Ele encontrou a porta aberta e entrou.           

A mãe do homem estava muito doente e ele estava fazendo massagem em seus pés. Krishna chegou por trás dele e disse, ‘Eu sou Krishna e vim até aqui para lhe dar uma audiência, um darshan.’          O homem lhe disse, ‘você veio numa hora errada, eu estou massageando os pés de minha mãe.’          

Enquanto isso, ele empurrou para trás um tijolo que estava a seu lado, e nem mesmo olhou para trás para ver quem era esse tal de Krishna. Ele empurrou o tijolo e lhe disse para ficar em pé sobre ele, e que quando ele terminasse o seu trabalho iria vê-lo.           

Mas ele estava tão absorvido na massagem dos pés de sua mãe que estava quase morrendo, que toda a noite se passou e Krishna permaneceu ali, em pé.           Ele disse, ‘Isto é uma estupidez estranha. As pessoas têm cantado por toda a vida – Hare Krishna, Hare Rama – e eu nunca apareço. E eu vim até aqui e esse tolo nem mesmo olha para trás, nem mesmo para me dizer - sente-se. Ao contrário, ele me disse para ficar em pé sobre o tijolo.’           

E quando começou a clarear, o sol já estava nascendo, Krishna ficou com receio pois as pessoas iriam chegar.           A rua era do lado da casa e a porta estava aberta. Se as pessoas o vissem ali em pé, logo haveria problema, a multidão iria se aproximar.           Assim, ele desapareceu, deixando apenas uma estátua de pedra, de si mesmo, sobre o tijolo.           

Quando a mãe dormiu, o homem virou-se para trás e disse, ‘Quem é aquele camarada que esteve me perturbando por toda noite?’           Foi quando ele viu uma estátua de Krishna.           Todo o povo da vila se reuniu. Era um milagre que tinha ocorrido?
         Daí, ele contou toda a história.
         Eles lhe disseram, ‘Você é um sujeito estranho. O próprio Krishna esteve aqui e você foi tão tolo. Você deveria pelo menos ter dito a ele para se sentar, ter-lhe oferecido algo para comer, algo para beber. Ele era uma visita.’


         O homem disse, ‘Naquele momento eu nada tinha a meu lado a não ser aquele tijolo. E sempre que eu estou fazendo alguma coisa, eu faço com minha totalidade. Eu não gosto de ser interrompido. Se ele estivesse muito interessado em ser visto, ele poderia voltar outra hora, ele não precisava estar com pressa.’
         A estátua permanece no templo de Bitthal, ainda em pé sobre um tijolo.
         

Mas o homem era realmente um grande homem, sem se preocupar com recompensas ou coisa assim, absorvido tão totalmente em cada ação que a própria ação se tornava uma recompensa. E mesmo se Deus viesse, a recompensa que teria com a sua totalidade na ação, seria maior do que Deus.
         

Ninguém interpreta esta história da maneira que eu faço, mas você pode perceber que qualquer outra interpretação é pura tolice. 
         Sendo assim, esqueça tudo a respeito de espiritualidade, de iluminação, de Deus. Eles que cuidem de si mesmos. Isso é problema deles. 
          

Não se preocupe, faça o melhor que puder fazer com a vida. Este é o seu teste, esta é a sua devoção, esta é a sua religião. Tudo o mais acontece naturalmente.”
                                          
Osho

terça-feira, 19 de agosto de 2014

APRENDA A SER PACIENTE



O caminho do Tao não é o da iluminação repentina. Ele não é como o Zen. Zen é iluminação repentina, Tao é crescimento gradual. O Tao não acredita em mudanças repentinas e abruptas. O Tao acredita em respeitar o ritmo da existência, permitindo que as coisas aconteçam por elas mesmas, sem forçar o seu caminho, sem forçar o curso do rio. O Tao diz: não há necessidade de estar com pressa porque a eternidade está disponível para você. Plante as sementes no tempo certo e espere; a primavera virá; ela sempre vem. E quando a primavera vier, as flores aparecerão. Mas, espere, não tenha pressa.
Não comece a puxar a árvore para cima, para que ela possa crescer mais rápido. Não tenha esse tipo de mente que pede que tudo seja como café instantâneo. Aprenda a esperar, porque a natureza tem um movimento muito vagaroso. É devido a esse movimento vagaroso que existe graça na natureza. A natureza é muito feminina, ela se movimenta como uma mulher. Ela não corre nem fica apressada. Ela vai muito devagar, uma música silenciosa. Existe grande paciência na natureza e o Tao acredita no caminho da natureza. ‘Tao’ significa exatamente natureza. Assim o Tao nunca está com pressa; isto tem que ser entendido.
O ensinamento fundamental do Tao é: aprenda a ser paciente. Se você puder esperar infinitamente, a iluminação pode mesmo acontecer instantaneamente. Mas você não deve pedir para que ela aconteça instantaneamente: se você pedir, pode ser que nunca aconteça. O seu próprio pedido se tornará um obstáculo. O seu próprio desejo criará uma distância entre você e a natureza. Permaneça em sintonia com a natureza, deixe que a natureza tenha o seu próprio curso; e sempre que ela vem, ela é boa; sempre que ela vem, ela é rápida. Mesmo que ela demore séculos para chegar, ainda assim ela não estará atrasada; ela nunca está atrasada. Ela sempre chega no momento certo.
O Tao acredita que tudo acontece quando é necessário; quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece. Quando o discípulo está finalmente pronto, Deus aparece. O seu valor, o seu vazio, a sua receptividade, a sua passividade tornam isto possível; não a sua pressa, não a sua correria, não a sua atitude agressiva. Lembre-se: a verdade não pode ser conquistada. É preciso entregar-se à verdade, é preciso ser conquistado pela verdade.
Mas toda a nossa educação, em todos os países, ao longo dos séculos tem sido de agressividade e de ambição. Nós tornamos as pessoas muito rápidas. Nós as tornamos muito medrosas. Nós lhe dizemos: ‘tempo é dinheiro e é muito precioso. Se o tempo for perdido uma vez, ele ficará perdido para sempre, por isso corra; tenha pressa.’
Isto tem levado as pessoas à loucura. Elas correm de um ponto a outro; elas nunca curtem lugar algum. Elas correm ao redor do mundo de um hotel intercontinental a outro hotel intercontinental. E eles são todos iguais, não há diferença, esteja você em Tóquio, em Mumbai, em Nova York ou em Paris. Esses “hotéis intercontinental” são todos iguais, e as pessoas continuam correndo de um para o outro, pensando que elas estão viajando através do mundo. Elas poderiam ter se hospedado em apenas um hotel intercontinental e não haveria necessidade de ir a nenhum outro mais. Todos eles são iguais. E elas pensam que estão indo a algum outro lugar. A rapidez está tornando as pessoas neuróticas.
O Tao é o caminho da natureza, do jeito que as árvores crescem e os rios correm e os pássaros e as crianças… exatamente do mesmo jeito crescemos para Deus.
Não tenha pressa e não se desespere. Se você fracassar hoje, não perca as esperanças. Se você fracassar hoje, isto é natural. Se você continuar fracassando por alguns dias, isto é natural.
As pessoas têm tanto medo de fracassar que, devido a este medo, elas nunca arriscam fazer tentativas. Existem muitas pessoas que nunca se apaixonaram porque elas têm medo. Quem sabe? Elas podem ser rejeitadas, por isso elas decidiram permanecer sem amar, assim ninguém jamais as rejeitará. As pessoas têm tanto medo de fracassar que nunca tentam qualquer coisa nova. Quem sabe? Se elas fracassarem, o que poderá ocorrer?
E, naturalmente, para se movimentar no mundo interior você terá que fracassar muitas vezes, porque você nunca se movimentou ali antes. Toda a  sua habilidade e eficiência têm sido em movimentos externos, em extroversão. Você não sabe como se movimentar internamente. As pessoas escutam as palavras ‘movimente-se internamente, vá para dentro’, mas isso não faz muito sentido para elas. Tudo o que elas sabem é como ir para fora, é como ir para o outro. Elas não conhecem qualquer caminho de volta para si mesmas. Por causa dos seus velhos hábitos, é muito provável que você fracasse muitas vezes. Não perca as esperanças.
A maturidade chega vagarosamente. É certo que ela chega, mas isto leva um tempo. E lembre-se: para cada pessoa ela chegará num ritmo diferente, por isso não compare, não comece a pensar: ‘alguém está se tornando tão silencioso, e tão feliz, e eu ainda não alcancei isto. O que está acontecendo comigo?’ Não se compare com quem quer que seja, porque cada um viveu de uma maneira diferente em suas vidas passadas. Mesmo nesta vida, as pessoas têm vivido diferentemente. Por exemplo, um poeta pode ter mais facilidade em ir para dentro que um cientista; seus treinamentos são diferentes. 
Todo o treinamento científico é para ser objetivo, para se preocupar com o objeto, para observar o objeto, para esquecer a subjetividade. Para ser um cientista é preciso colocar-se completamente ausente do seu experimento. Ele não pode estar envolvido no experimento, não pode haver qualquer envolvimento emocional. É preciso estar completamente desapegado, como um computador. Ele não deve ser um humano, de jeito algum. Só assim ele será um verdadeiro cientista e será bem sucedido na ciência.
Um poeta tem uma habilidade totalmente diferente, ele fica envolvido. Quando ele observa uma flor, ele começa a dançar ao redor dela. Ele participa, ele não é um observador desapegado. Um dançarino pode vivenciar isto ainda com mais facilidade porque ele e a sua dança são apenas um e a dança é tão interna que o dançarino pode movimentar-se em seu espaço interior mais facilmente. Então, nas velhas e misteriosas escolas de mistérios do mundo, a dança era um dos métodos secretos. 
A dança era o fenômeno mais religioso, mas ela perdeu o seu significado tão completamente que quase caiu na polaridade oposta. Ela tornou-se um fenômeno sexual; a dança perdeu a sua dimensão espiritual. Mas lembre-se, tudo o que é espiritual, se fracassar, pode se tornar sexual; e tudo o que é sexual, se elevar-se, pode se tornar espiritual. Espiritualidade e sexualidade são irmãs gêmeas. Um músico pode ter mais facilidade que um matemático para entrar em meditação. Vocês têm habilidades diferentes, mentes diferentes e condicionamentos diferentes.
Por exemplo, um cristão pode ter mais dificuldade para meditar que um budista, porque com vinte e cinco séculos de meditação constante, o budismo criou uma certa qualidade em seus seguidores. Assim, quando um budista vem a mim, ele pode entrar em meditação muito facilmente. Quando um cristão vem, a meditação lhe é muito estranha, porque o cristianismo esqueceu-se completamente da meditação; ele só conhece prece.
A prece é um fenômeno totalmente diferente. Na prece, é necessário o outro; ela nunca pode ser independente. A prece é mais como o amor: ela é um diálogo. A meditação não é um diálogo; ela não é como o amor; ela é exatamente o oposto ao amor. Na meditação você fica totalmente só, nenhum lugar para ir, ninguém com quem se relacionar, nenhum diálogo, porque o outro não existe.Você é simplesmente você mesmo, totalmente você. Esta é uma abordagem completamente diferente.
Assim, tudo depende de suas habilidades, de sua mente, de seu condicionamento, de sua educação, da religião na qual você foi criado, dos livros que tem lido, das pessoas com as quais tem vivido, da vibração que criou dentro de si mesmo. Tudo dependerá de mil e uma coisas, mas é certo que ela chegará. Tudo que se precisa é paciência, trabalho silencioso, trabalho paciente e o centramento acontece e a maturidade chega. Na verdade, a pessoa madura e a pessoa centrada são apenas dois aspectos de um mesmo fenômeno. 
É por isto que a criança não consegue estar centrada, elas estão constantemente se movimentando, elas não conseguem ficar em um ponto, fixas. Tudo as atrai – um carro que passa, um pássaro que canta, o riso de alguém, o rádio do vizinho, uma borboleta voando – tudo, o mundo inteiro lhe atrai. Elas simplesmente pulam de uma coisa para outra. Elas não conseguem estar centradas, elas não conseguem viver com uma coisa tão totalmente que tudo o mais desapareça e se torne não-existencial.
Com a maturidade, o centramento surge. Maturidade e centramento são dois nomes para uma mesma coisa. Mas a primeira coisa a ser lembrada é que ela chega gradualmente. Não compare e não tenha pressa.
                                                                                                                      OSHO
                                                                  The Secret of Secrets vol. II
                                                                         Tradução de Sw. Bodhi Champak

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O CAMINHO DA ÁGUA CORRENTE


Havia uma estátua de Lao Tse, o fundador do Tao e durante anos um jovem pensou em ir às montanhas para ver essa estátua. Ele adorava as palavras, a maneira como Lao Tse falava, o seu estilo de vida, mas nunca tinha visto nenhuma de suas estátuas.
Anos se passaram, e sempre havia muitas coisas que impediam o jovem de satisfazer seu desejo de ver a estátua.
Certa noite, finalmente ele decidiu que precisava ir; não era muito longe, apenas cem quilômetros dali, mas ele era pobre e teria que ir a pé. Ele decidiu partir no meio da noite, pois sua esposa e seus filhos estariam dormindo e não poderiam criar problemas.
A noite estava escura, então ele pegou uma lamparina e se dirigiu para as montanhas. Quando ele saiu da cidade, pensou: “Meu Deus cem quilômetros! E tenho apenas dois pés, isso irá me matar, estou pedindo o impossível, nunca caminhei tanto e não há estradas!”
Havia uma pequena trilha pelas montanhas, que também era perigosa, então ele pensou: É melhor esperar o amanhecer. Pelo menos haverá luz e poderei ver melhor; se não sairei dessa pequena trilha e sem sequer ver a estátua de Lao Tse; estarei simplesmente acabado, porque me suicidar com isso? Nisso ele parou e se sentou desanimado.
Quando o sol nasceu, passou por ali um velho, que ao ver o jovem sentado lhe perguntou: O que você está fazendo aqui?
O jovem lhe explicou, e o velho riu e disse: “Você não ouviu o velho ditado, que ninguém pode dar dois passos ao mesmo tempo, apenas um passo por vez; e não importa se a pessoa é poderosa, fraca, jovem ou velha. O ditado continua: Passo a passo, um passo por vez. Uma pessoa pode caminhar dez mil quilômetros! Parece que você não é inteligente…e quem lhe disse que você precisa caminhar sem parar? 
Você pode levar o tempo que quiser, depois de dez quilômetros você pode descansar por um ou dois dias e curtir a paisagem também. Este vale é muito bonito, com belas cachoeiras, flores e frutas que talvez você nunca tenha provado. De qualquer modo, estou indo na mesma direção que você, podemos ir juntos se você quiser; Já fiz esta trilha milhares de vezes e tenho pelo menos quatro vezes a sua idade. Levante-se!”
Assim foram eles, e aquilo que o velho disse era mesmo verdade. Quando foram entrando na floresta a paisagem foi se tornando mais e mais bela e cheia de novas flores, árvores e paisagens nunca vistas pelo jovem. Este foi ficando mais e mais surpreso com tudo o que via e percebeu que tinha se esquecido do tempo, tamanho encantamento em seu coração.
Nisso, os cem quilômetros passaram rapidamente e eles chegaram a estátua de Lao Tse, um dos homens mais notáveis que já caminhou sobre a terra. Até mesmo sua estátua tinha algo especial, pois havia sido criada por um artista taoísta para representar o espírito do Tao.
O Tao acredita na filosofia da entrega; acredita que você não precisa nadar, mas apenas fluir com o rio, deixar que o rio o leve para onde ele estiver indo, pois todo o rio sempre chegará no oceano. Então não se preocupe, você também chegará ao oceano, e não há necessidade de ficar tenso e preocupado.
A estátua estava naquele lugar solitário, e havia uma cachoeira ao lado, porque o Tao é chamado de O Caminho da Água Corrente. Assim, como a água segue seu fluindo sem nenhum guia, sem nenhum mapa, sem nenhuma regra, sem nenhuma disciplina…mas de uma maneira muito humilde, porque em todos os lugares ela está sempre procurando a posição menos elevada. Ela nunca vai para cima, sempre vai para baixo; ela chega ao oceano ao seu destino.
Ali, onde eles estavam emanava essa atmosfera, emanava esse deixar fluir.
O velho diz então:
“Agora começa sua jornada”.
O jovem se espantou e disse: “O quê? Eu estava pensando que depois de cem quilômetros a jornada estaria terminada”.
“Não meu jovem, disse o velho, essa é a maneira que falam os mestres ás pessoas. Mas a verdade é que a partir desse ponto, dessa atmosfera, começa uma jornada de mil quilômetros, e depois outros mil e mais mil. Apenas siga em frente. Seguir em frente é a mensagem.
A jornada é infindável, mas o êxtase continua se aprofundando mais e mais. A cada passo você é mais, sua vida fica mais viva, sua inteligência mais luminosa; na realidade ninguém pára. Uma vez que o buscador tenha chegado ao seu Ser, ele próprio torna-se capaz de perceber o que está a frente: tesouros e mais tesouros; 
A persuasão é necessária até o ponto do Ser. Esses primeiros cem quilômetros são os mais difíceis, depois deles podem vir milhares de quilômetros ou uma infinidade, não faz mais nenhuma diferença.
Agora você sabe na realidade que não há objetivo; a própria conversa sobre objetivos era para os principiantes, para as crianças. A jornada é o objetivo.
A própria jornada é o objetivo.
Ela é infinita, eterna.
Você encontrará estrelas, espaços desconhecidos, experiências impressionantes, mas nunca chegará a um ponto em que possa dizer: “Agora cheguei!”Qualquer um que diga “Cheguei!” não está no Caminho ainda. Ele nem viajou; sua jornada ainda nem começou e ele está apenas sentado no primeiro marco…”
Cada partícula é um pouco dolorosa, mas a dor será imediatamente esquecida, pois mais e mais bem aventurança se despejará sobre você.
Logo aprenderá isto: Não é preciso sentir dor quando você parte depois de um pernoite. Você se acostuma, sabe que a jornada é infindável e os tesouros ficam cada vez maiores…você não é um perdedor.
Parar em qualquer lugar será sim uma perda; então, não há fim, não há ponto final, nem mesmo um ponto e vírgula… 
OSHO