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sábado, 4 de janeiro de 2014

A Mãe Cósmica - Um Aspecto de Deus - (Mirra Alfassa)

Imagem google

"Devemos considerar Deus somente como um espírito impessoal, desprovido de toda forma e sexo? Não podemos invocar o Criador concebendo-O sob um aspecto mais familiar para a mente humana? Nesse caso, como deveríamos chamá-lo, “Pai” ou “Mãe”?


Na verdade, Deus é um e outro: Pai e Mãe. Uma porção do Seu Ser permanece sempre oculta, mas, além do espaço e do universo, ali onde existe apenas sabedoria pura, está o aspecto de Deus enquanto Pai. 


A natureza inteira, em compensação, é uma manifestação de Deus no aspecto Mãe, pródiga em beleza, doçura, bondade e ternura. As flores, as aves, as árvores, os rios, todos falam, em sua formosura, do espírito criador e artístico do Senhor em Seu aspecto maternal. 

Não podemos evitar um sorriso ao pensar na mãe, com sua Via-Láctea cheia de diamantes estelares, suas flores perfumadas, o riso de suas águas correntes e sua beleza manifestada na criação inteira. 

Quando contemplamos a fecundidade da terra, o crescimento das plantas e dos seres, o amor de todas as criaturas por seus pequeninos, uma profunda ternura surge em nosso interior: vemos e sentimos nisso tudo o instinto maternal de Deus. 

E se, em algumas ocasiões, a conduta da natureza se torna cruel e inexplicável para nós (na Índia dá-se o nome de Kali à Mãe quando se apresenta sob esse aspecto), assim também podem parecer à criança algumas das medidas disciplinares e protetoras de sua mãe.

Quando nos sentamos em um bosque sombreado e silencioso; quando, no cume de uma montanha, nos aproximamos do azul do céu; quando olhamos a areia branca, perto de um mar resplandecente, não podemos deixar de experimentar certa ternura em nosso interior: é essa a nossa reação diante do aspecto maternal de Deus. 


Se, ao fechar os olhos, evocamos internamente a imagem do vasto espaço, somos fascinados pelo sentimento da infinitude; e percebemos nela apenas a vibração da sabedoria pura, nada mais do que sabedoria. 

Esse é o aspecto de Deus enquanto Pai: a esfera ilimitada na qual não existe nenhuma criação, nem planetas, nem estrelas, apenas o poder sem forma da sabedoria. Esse é o Pai. Assim, Deus é tanto um pai como uma mãe. 

Quando se concebe Deus como uma trindade composta pelo Pai, Filho e Espírito Santo, podemos ver a Mãe no Espírito Santo, a criação inteira no Filho e, no Senhor mesmo, o Pai. 


Assim como a mãe se reflete em seu filho, a Natureza reflete-se na criação. Deus, em Seu aspecto de Pai e Mãe, deu nascimento ao Filho, que é uma expressão de Seu amor. E nós, como parte da criação, integramos esse símbolo do amor divino.

Na família humana, podemos ver uma reprodução em miniatura da grande família divina. Deus manifesta-se tanto no pai como na mãe e, na expressão de seu amor mútuo, no filho. Por que razão essa trindade se expressa na família humana? Isso ocorre porque nós, homens, somos parte de Deus, e Ele é essa trindade. 


O Criador, em Sua sabedoria infinita e em Seu sentimento infinito, deu origem a veículos pelos quais Ele desejava expressar essas qualidades. E foi assim que, ao manifestar-se na criação, a sabedoria do Senhor assumiu a forma do pai, e Seu sentimento adotou a forma da mãe.

Cada um de nós é uma expressão parcial do Infinito, já que o pai atua sempre de acordo com a razão, enquanto a mãe é guiada pelo sentimento. E ambos são imperfeitos. O pai procura educar o filho pela razão e a força, ao passo que a mãe é guiada pelo sentimento e pela ternura. 


Ao bater em uma criatura que se encontra semi-afogada na maldade, com o objetivo de salvá-la desse estado, a severidade do pai só conseguirá afundá-la ainda mais no mal. A mãe, pelo contrário, dirá: “Ensine-a por meio do amor.” Em algumas ocasiões, convém fazer uso de certa autoridade, enquanto em outras é preferível oferecer uma grande dose de amor. 

Mas, se a criança recebesse somente doçura, esse excesso a prejudicaria. Os dois aspectos de Deus – o maternal e o paternal – são necessários para manter o equilíbrio.

Embora o amor paternal seja algumas vezes demasiadamente severo, o amor maternal também nem sempre é perfeito. Fritz Kreisler, certa ocasião, fez o seguinte comentário: “Minha mãe me amava tão profundamente que sempre se opôs a que eu abandonasse a Europa; no entanto, eu não seria Kreisler hoje se não tivesse enfrentado o seu amor”. Um amor como esse é egoísta e escravizador." 


Extraído do livro Preces e Meditações II, de a Mãe, traduzido e publicado pela Casa Sri Aurobindo, 1977.

http://www.ogrupo.org.br/9-textos-trad-mae-cosmica.htm

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O Silêncio... por Mirra Alfassa (a Mãe)



Google images

Na Terra, o homem é o primeiro animal capaz de servir-se de sons articulados. Ele é muito orgulhoso disso.

Aliás, se utiliza dessa capacidade sem medida nem discernimento.

O mundo está ensurdecido pelo ruído de suas palavras, mas às vezes se é tentado a lastimar o silêncio harmonioso do reino vegetal.

O constante zumbido das palavras parece o acompanhamento indispensável das tarefas cotidianas.
No entanto, logo que se procura reduzir o ruído ao mínimo, percebe-se que muitas coisas são feitas melhor e mais rápidas no silêncio, e que isso ajuda a manter a paz interior e a concentração.

Se você não é sozinho e vive com outros, adquira o hábito de não se exteriorizar constantemente em palavras pronunciadas em voz alta, e você perceberá que, pouco a pouco, uma compreensão interior se estabelece entre você e os outros; poderá então intercomunicar-se reduzindo as palavras ao mínimo, ou mesmo sem palavra alguma.

Esse silêncio exterior é muito favorável à paz interior, e com boa vontade e constância na aspiração você poderá criar um ambiente harmonioso, muito propício ao progresso.

Na vida em comum, às palavras que dizem respeito à existência e às ocupações materiais virão juntar-se aquelas que exprimem as sensações, as emoções e os sentimentos.

É aqui que o hábito do silêncio exterior se revela como uma ajuda preciosa.
Pois quando somos invadidos por uma onda de sensações ou de sentimentos, esse silêncio habitual nos dá tempo de refletir, e, se for preciso, de nos retomarmos, antes de projetarmos em palavras a sensação ou o sentimento experimentado.
Quantas disputas podem assim ser evitadas!

Quantas vezes seremos salvos de uma dessas catástrofes psicológicas que são, na maioria das vezes, o resultado de uma incontinência verbal.

A menos que você seja responsável por certas pessoas, seja como guardião, instrutor ou chefe de serviço, você não tem nada a ver com o que elas fazem ou não fazem, e é preciso abster-se de falar deles, de dar sua opinião sobre eles e sobre o que fazem, ou mesmo de repetir o que os outros podem pensar e dizer deles.

Em todos os casos, e de uma maneira geral, quanto menos se fala dos outros, mesmo se for para elogiá-los, melhor.

Se já é tão difícil saber exatamente o que acontece em si mesmo, como saber, então, com certeza, o que acontece nos outros?

Abstenha-se, portanto, totalmente de pronunciar sobre uma pessoa um desses julgamentos definitivos que só podem ser uma tolice, se não uma maldade.
Ninguém conhece a verdade exata das coisas aqui, e cada um fala como se soubesse, mas ninguém sabe realmente.

Se, um dia, a verdade fosse desvelada a todos, a maioria das pessoas, aqui e em toda parte, ficaria apavorada pela enormidade de sua ignorância e de sua falsa interpretação.

Por isso, aconselho todos a ficarem em paz e a absterem-se de todo julgamento. Isso é o mais seguro.

Autora: Mira Alfassa, a Mãe (1878 – 1973)




(Mirra Alfassa (A Mãe) (Paris-1878./1973), que viria a ser a grande companheira de Sri Aurobindo e divulgadora de sua obra)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mirra Alfassa ( A Mãe )




Blanche Rachel Mirra Alfassa, mais conhecida como Mirra Alfassa, e posteriormente como "Mãe", nasceu em Paris, França, em 21 de fevereiro de 1878. 

Desde os cinco anos de idade, ela estava consciente de que não pertencia a este mundo, que não tinha uma consciência humana. Sua prática espiritual iniciou aos 5 anos quando tomou consciência que não pertencia a este mundo. Começou praticando meditação, e ficava absorvida numa luz brilhante.


Quando ela tinha entre 5 a 7 anos de idade, o pai dela convidou-a para ir ao circo no domingo e ela respondeu: "Não, tenho coisa mais interessante para fazer do que ir ao circo."

Entre 11 e 12 anos teve uma série de experiências psíquicas e espirituais que não só revelou a existência de Deus, mas a possibilidade de união do homem com Ele, de manifestá-Lo na terra em uma vida divina.  Isto, juntamente com a disciplina concreta para a sua realização, foi lhe dada durante o sono por vários professores, alguns dos quais o encontrou mais tarde no plano físico.

Entre 15 e 19 anos participou do Estúdio de Arte da Academia Julian Rodolphe, e suas obras foram exibidas no Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes. Aos 19 anos, ela casou com Henri Morisset e aos 20 anos nasce seu filho Andre Morisset. Aos 30 anos se divorcia e casa-se aos 32 anos com Paul Richard.

Aos 33 anos inicia um grupo de orações e meditações.
Aos 36 anos viaja de navio para Pondicherry, Índia, junto com seu marido Paul Richard. Ela e o marido se encontram com Sri Aurobindo, e Mirra reconheceu nele o homem que a orientou em seu desenvolvimento espiritual. 

Seu marido oferece ajuda a Sri Aurobindo para publicar uma revista com a síntese de suas idéias filosóficas. Porém, devido a Primeira Grande Guerra, Mirra e o marido tem que voltar a França.

Aos 38 anos, Mirra e Paul Richard mudam-se para o Japão. Ela fica com ele no Japão até os 42 anos, quando resolve se separar e ir morar definitivamente em Pondicherry, Índia, junto com Sri Aurobindo.

Aos 44 anos, Mirra assume a administração do trabalho de Sri Aurobindo e inicia palestras regulares e grupos de meditação. Junto com Sri Aurobindo inicia a construção do Ashram.

Aos 45 anos, o Ashram é fundado oficialmente e Sri Aurobindo deixa tudo nas mãos da Mãe (Mirra) e retira-se para viver em completo isolamento, meditando.

Aos 50 anos, Mirra publica seu livro intitulado "A Mãe".
Aos 65 anos, "Mãe" (Mirra) funda a escola que mais tarde passou a se chamar Centro Internacional de Educação.

Aos 67 anos, seu filho André Morisset chega a Pondicherry.
Aos 90 anos, "Mãe" (Mirra) lança a pedra de fundação de Auroville, uma cidade planejada situada a 10 km ao norte de Pondicherry, junto a representantes de 124 países.

Aos 95, a "Mãe"  morre em 17 de novembro de 1973.
 
Os Sutras da Mãe

1) Não ambicione nada, sobretudo nunca deseje nada, mas seja a cada instante o máximo do que pode ser.

2) Quanto ao seu lugar na manifestação universal, somente o Supremo o designará.

3) Foi o Senhor Supremo quem decretou de maneira incontestável seu lugar no concerto universal, mas, qualquer que ele seja, você tem o mesmo direito que todos, de transpor os picos supremos até a realização supramental.

4) O que você é na Verdade de seu Ser foi decretado de maneira incontestável, e nada nem ninguém pode impedi-lo de Ser; mas o caminho que seguirá para alcançá-lo foi deixado à sua livre escolha.

5) No caminho da evolução ascendente, cada um está livre para escolher a direção que tomará: a subida rápida e íngreme em direção aos picos da Verdade, em direção à realização suprema, ou, voltando as costas aos cimos, a descida fácil para os meandros intermináveis das encarnações sem fim.

6) No decorrer do tempo e mesmo desta vida, você pode fazer sua escolha de uma vez por todas, irrevogavelmente, e assim só terá de confirmá-la a cada nova oportunidade; ou então, se não tomou desde o princípio a decisão definitiva, será preciso a cada instante escolher novamente entre a mentira e a verdade.

7) Mesmo que não tenha tomado desde o princípio a decisão irrevogável, se você tem a felicidade de viver um desses momentos singulares da história universal em que a Graça está presente, encarnada sobre a terra, Ela tornará a lhe dar, em certas ocasiões excepcionais, a possibilidade de refazer a escolha definitiva que o conduzirá diretamente ao alvo.



Fonte:http://www.ogrupo.org.br/