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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

OS SERES-PÁSSARO

 A imagem pode conter: céu, atividades ao ar livre e natureza
Encontrei com o Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo da Ordem, sentado na agradável varanda do mosteiro com o olhar perdido nas maravilhosas montanhas dos arredores. Ofereci uma xícara de café e ele aceitou com um sorriso. Quando coloquei a caneca na pequena mesa ao seu lado fui convidado para sentar. Ele quis saber se algo me preocupava. Neguei. O monge, então, me perguntou a razão dos meus olhos tristes. Era difícil esconder os sentimentos da percepção apurada do Velho. Acomodei-me na poltrona ao lado e contei que eu tinha começado a namorar uma mulher que ocupava um cargo importante na empresa com a qual a minha agência de publicidade tinha assinado um vultuoso contrato. Tínhamos nos conhecido durante as reuniões para o fechamento do negócio. O namoro evoluiu bem até que perdeu o encanto para mim sem nenhuma razão específica. Ela era uma mulher bonita, inteligente e meiga. Nossas conversas eram doces como os seus beijos. No entanto, algo havia esmorecido em meu coração. Quando encerrei o relacionamento ela acusou de ter me envolvido por interesse comercial ao invés de por sincera afeição. Eu estava triste porque não queria que ela tivesse aquela imagem de mim.
Sem desviar os olhos das montanhas, o monge disse: “Há três aspectos interessantes nesse caso. O primeiro é a motivação da sua tristeza. Se você foi sincero com seu coração quando iniciou o namoro nada há o que fazer, tampouco dar vazão a tristeza. Se ela tenta, de maneira equivocada, desviar a origem da própria frustração para não apagar a imagem idealizada de si mesmo, nada há o que fazer, salvo a compreensão nascida da sincera compaixão. Espíritos livres não têm nenhum interesse em controlar ou dominar qualquer aspecto das ideias, vontades ou opiniões da vida alheia. Ao serem honestos consigo mesmo também são com o mundo; ao estarem a alinhados ao amor estão no passo da luz. Por isso são livres e possuem uma alegria serena, pois, vivem em paz”. Bebeu um gole de café e acrescentou: “No entanto, se não havia pureza em seus sentimentos é hora de ser humilde, pedir desculpas, assumir o compromisso consigo próprio de não mais agir assim e seguir em frente pela oportunidade de fazer diferente e melhor em uma próxima oportunidade”.
Ficamos sem dizer palavra por algum tempo para que aquelas ideias encontrassem o devido lugar em mim. Em seguida, questionei qual seria o terceiro aspecto mencionado pelo monge. Como sempre, ele foi atencioso: “Existem oito portais no Caminho, em ordem crescente de dificuldade espiritual. Apenas é possível atravessar cada um deles após o andarilho incorporar determinado grupo de virtudes ao ser. Por exemplo, o primeiro portal é o dos Corações Simples, no qual a humildade, a simplicidade e a compaixão capitaneiam as virtudes essenciais, sem as quais não é permitido iniciar a travessia. Outro, precisamente o sexto, é o Portal das Asas e da Liberdade, no qual a pureza é a virtude primordial”. Bebericou o café e prosseguiu: “Todavia, não podemos esquecer dos guardiões do limiar que ficam a espreita, em cada um dos portais, para impedir a passagem daqueles que ainda não estão prontos”. Interrompi para dizer que não sabia do que se tratava. O monge explicou: “Como nas histórias, todo andarilho é um guerreiro da luz que está em busca do cálice sagrado. Para atingir o objetivo ele precisa enfrentar adversários que, ao primeiro olhar, tentarão impedir a vitória, porém, na verdade, apenas têm a finalidade de aprimorar e fortalecer as habilidades do guerreiro. Esta mestria são as virtudes da alma. Todas estão em semente; muitas vezes, precisam da pressão exercida pelo solo para que a casca se rompa e possam florescer para o grande encontro. O encontro consigo mesmo, pois o cálice sagrado é o seu próprio coração, onde Deus faz a morada. É a definitiva volta para a casa”.
“Você ou a sua namorada, ou ambos, estiveram diante do portal da pureza, mas foram derrotados pelos guardiões do limiar”. Tornei a interromper para pedir que ele explicasse melhor quem seriam tais guardiões. O monge foi didático: “São as dificuldades ou adversários que se apresentam para testar a virtude em jogo naquele limiar. Uma dificuldade pode colocar o guerreiro diante de um problema se ele a encarar como um problema; ou de um mestre se ele a olhar como uma lição a ser aprendida. Em verdade, os adversários do guerreiro são as suas próprias sombras, traduzidas pelos sentimentos ainda selvagens que ele tem tanto em relação a si quanto ao mundo. Um guerreiro egoísta verá egoísmo por toda a parte, mesmo onde ela não exista; assim como um ladrão de sonhos receia a todo instante que alguém possa furtar o seu. O mundo será sempre o exato espelho da sua consciência e coração; toda luz e amor que você é capaz de enxergar no outro é reflexo das virtudes que já germinaram em você. Lembre que a batalha mais importante da vida é travada dentro de si mesmo na luta amorosa para harmonizar os interesses do ego, o eu-aparência, aos valores da alma, o eu-essência”.
Pedi para ele aprofundar mais sobre esse portal específico. O Velho explicou: “É a passagem permitida apenas aos puros de coração. A pureza é a virtude que impede o amor de virar uma cobiça; não permite que ninguém seja dono de ninguém. É a virtude daqueles que conquistam sem possuir; não confundem o amor com as paixões; não exigem impostos ou apresentam boletos emocionais em troca do amor ofertado. Amam apenas porque amam amar; amam o outro como a si mesmo. Não negociam com a mentira mesmo quando esta se manifesta em forma de ocultação da verdade nem a justificam com raciocínios tortuosos na tentativa de legitimar os próprios desejos”.
“Para os puros a verdade tem clareza e é tão imprescindível quanto o ar que respiram. Tudo é simples porque não há mais véus de ilusão a ofuscar a alegria da vida; são bonitos por conseguirem encontrar beleza em todas as coisas e pessoas. Já não são escravos das próprias sombras, agora transmutadas em luz. Não misturam desejos na mesma bagagem das necessidades; não têm segundas intenções ou interesses camuflados nos relacionamentos com os outros. Não presumem a maldade alheia ou a criam onde ela não exista. A pureza traz em si uma força incomensurável, pois permite aos puros expor as suas dificuldades sem que elas sejam sinônimo de fragilidade. Já não mentem para si mesmo; para a pureza nada é inconfessável. São aqueles capazes de olhar no espelho sem estar diante de um enigma, mas dispostos a enfrentar a própria face, de alma nua, despidos das fantasias sedutoras oferecidas pelo ego exacerbado. A pureza não condena as escolhas alheias, pois, sabe que cada qual está diante das dificuldades inerentes ao próprio processo evolutivo. Como as virtudes são complementares, a pureza evita que a humildade vire uma vaidade; não permite que a compaixão seja movida por orgulho; impede que a caridade se torne motivo de ostentação; explica que o perdão não pode virar objeto de soberba; a vingança jamais substituirá a justiça; ensina que o amor não é um balcão de trocas; onde não há amor não existe luz. A pureza é uma virtude altamente sofisticada pela extrema simplicidade que oferece”.
Tornamos a ficar em silêncio até que perguntei o motivo desse portal, ligado à pureza, ser considerado o portal das asas. O Velho arqueou os lábios em leve sorriso e disse: “Pureza e liberdade estão intrinsecamente ligados. Apenas aos puros é permitido o entendimento do verdadeiro sentido e gozo da liberdade. Por não existir cobrança, má-fé ou vontade de domínio não resta qualquer dívida ou contraprestação nos relacionamentos. A pureza impede que o amor acabe por negar os seus fundamentos e se torne uma prisão. O fato de a fartura do perdão no coração dos puros ter a abundância do sal nos oceanos faz com que todas prisões emocionais construídas com as pedras das mágoas e com a grades dos ressentimentos acabem se desmanchando no ar. A pureza joga fora o peso inútil da presunção ou supervalorização da maldade e oferece a leveza fundamental para quem está pronto para alçar o voo da liberdade. O ser puro vive pelo bem e pela luz, sem exigência por nenhum gesto, palavra ou olhar de outra pessoa. Ninguém precisa concordar, acompanhar ou pode impedir um espírito livre de seguir a viagem. Por serem conceituais, as suas asas não podem ser cortadas pelo aço do mundo; as virtudes verdadeiramente conquistadas não retroagem nem se perdem nos trilhos do tempo”.
Argumentei que sempre achei as pessoas puras um tanto quanto ingênuas, sem a exata noção das maldades do mundo. O monge arqueou as sobrancelhas, como sempre fazia quando aumentava o tom de seriedade e disse: “É justo ao contrário”. Esvaziou o café da xícara e explicou: “Lembre que as virtudes são complementares. A prudência e a justiça são portais anteriores à pureza, portanto, os puros já as possuem. Claro que o mal deve ser estancado onde se apresentar, na sua exata medida educativa, sempre com o senso aprimorado de justiça, uma indispensável e difícil virtude no equilíbrio do ser, para não permitir que o encanto pelo bem reste contaminado. No mesmo caldeirão bem temperado da mestria, a prudência é uma preciosa virtude por impedir o conflito entre a pureza e a ingenuidade. A prudência ensina não apenas a identificar o mal, mas, também, a encontrar o bem nos lugares mais improváveis. A ingenuidade brota do olhar enevoado sobre todas as coisas, no qual ainda se impõe o domínio das sombras sobre as escolhas do indivíduo devido à sua falta de clareza. Ao contrário do que muitos imaginam, a maldade é ingênua por não ser capaz de ver a beleza e o poder da luz. A pureza escancara os porões escuros do ser para que sejam iluminados e transmutados em aconchegantes quartos para se viver. Tolo é quem vive a procurar o mal ao invés de buscar o bem. Tolo é quem vê o mal ou o presume onde não existe. Ingênuo é quem ainda não entendeu como o amor pode transformar a vida e o mundo; e o amor precisa da pureza para que possa se apresentar por inteiro”.
“A pureza tem a força maravilhosa de conceder infinitas oportunidades a toda a gente, pois sabe que ela própria nasceu no pântano dos equívocos. A pureza é libertadora”.
“A pureza são as asas dos seres-pássaro”.
O Velho olhou no fundo dos meus olhos e concluiu: “A pureza é a virtude da outra face; a face capaz de mostrar e vivenciar o poder da vida, da verdade, do amor e da luz. Típico de quem possui uma fé inquebrantável em si e no mundo”. Tornou a lançar o olhar para as montanhas antes de finalizar: “Bem-aventurados os puros de coração, pois a eles será permitido ver a face de Deus”.
Outros textos do autor em www.yoskhaz.com
Este texto está disponível em áudio / podcast no site do autor. Pode-se fazer download gratuitamente ou ouvir no próprio site. Edição e voz de gentilmente cedidas por Paula Paulini Coelho.
http://yoskhaz.com/pt/2017/05/19/os-seres-passaro/

quarta-feira, 29 de março de 2017

O BURRINHO PREGUIÇOSO (CONTO ZEN)



Um fazendeiro tinha um burro que não queria trabalhar. Ele estava bem, comia bem, era forte, mas simplesmente recusava-se a trabalhar! Então o fazendeiro foi a seu vizinho, um outro fazendeiro seu amigo, e contou-lhe o caso. Este lhe disse:
"Você deve tratá-lo com amor e compaixão"
"Amor e compaixão!", disse o outro.
"Sim, isso faz maravilhas".
O fazendeiro voltou para casa e seguiu o conselho do amigo. Duas semanas depois, acabou encontrando o vizinho, que lhe perguntou:
"Como está o burro"?
"Continua o mesmo, não quer trabalhar - o que você sugeriu não adiantou nada".
"Deixe-me vê-lo", disse o vizinho.
Foram encontrar o burro mais adiante, no estabulo. O vizinho pegou uma varinha, aproximou-se do burro e quebrou-a de repente na cabeca dele com uma forte pancada.
"Mas você disse que precisamos trata-lo com amor e compaixão!", disse o fazendeiro.
"Sim", respondeu o vizinho, "mas primeiro você precisa chamar a atenção dele".

sexta-feira, 24 de junho de 2016

A REFINADA ARTE DA LOUCURA

sem-teto-de-Anhui

Os taoistas afirmam que o ser que possui plena comunhão com o Tao vive imerso no Todo, possuindo uma percepção muito mais ampla do universo, o que o leva a tratar com menos apreço as coisas normais que nos atormentam e prendem nossa atenção do berço ao túmulo. Uma história presente na obra Liezi (“Lieh-tsé”), umas das principais do Taoismo, ilustra bem esse tipo de pessoa.

O HOMEM QUE ESQUECEU

Havia em Sung um homem chamado Huatse, que contraiu ao chegar à meia idade a singular doença de esquecer tudo. Tomava uma coisa de manhã e esquecia-se dela à noite, e recebia uma coisa de noite e já não se lembrava pela manhã. Quando estava na rua esquecia-se de andar, e estando em casa esquecia-se de sentar-se. Não podia recordar-se do passado no presente nem do presente no futuro. E toda a família estava muito aflita com isso. 
Os parentes consultaram o adivinho e não puderam decifrar o caso, consultaram a feiticeira e as rezas não o puderam curar, e consultaram o médico e este não deu remédio. Havia, porém, um letrado confuciano na terra de Lu que disse poder curar o homem. Assim, a família de Huatse ofereceu-lhe metade dos seus bens se ele o livrasse dessa estranha doença. E disse o letrado confuciano:
— A sua doença não é coisa que se possa tratar com predições, com rezas ou com remédios. Vou tentar curar o seu espírito e mudar os objetos do seu pensamento, e talvez ele se restabeleça.
Assim, ele expôs Huatse ao frio e Huatse pediu roupa, deixou-o ter fome e ele pediu comida, fechou-o num quarto escuro e ele pediu luz. Conservou-o numa sala sozinho durante sete dias, sem se importar com o que ele fazia todo esse tempo. E a doença de anos foi curada num dia.
Quando Huatse ficou restabelecido e soube do caso, enfureceu-se. Brigou com a mulher, castigou os filhos e expulsou de casa com uma lança o letrado confuciano. A gente do lugar perguntou a Huatse por que fez isso, e ele respondeu:
— Quando eu estava mergulhado no mar do esquecimento, não sabia se o céu e a terra existiam ou não. Agora eles me despertaram, e todos os triunfos e reveses, as alegrias e as tristezas, os amores e os ódios dos decênios passados voltaram a perturbar o meu peito. Receio que no futuro os triunfos e os reveses, as alegrias e as tristezas, os amores e os ódios continuem a oprimir o meu espírito como me oprimem agora. Posso eu esperar algum dia sequer um instante de esquecimento?
Veja que nosso herói não apenas não se mostrou agradecido por ter sido “curado”, como ainda perseguiu seus “salvadores”. Na verdade ele se encontrava para além da dualidade cósmica de nosso universo, que é regido sempre pela complementariedade entre Yin/Yang. Ele, por outro lado, estava imerso no Tao, na unicidade. Seria ele o doente ou as pessoas consideradas sãs é que estão doentes?
O Budismo trata isso longamente, afirmando que vivemos em uma grande ilusão, “maya”. Essa ilusão nos mantém cativos de um modo de vida artificial, criado por meio da visão turva dos mortais. Ultrapassar esse limiar, livrar-se do apego às coisas banais do mundo, ser um “desperto”, é o grande objetivo final.
Os loucos sempre foram respeitados na China antiga. Nessa civilização nunca houve algo como manicômios ou hospitais psiquiátricos. O louco era respeitado e até mesmo venerado, podendo vagar pelas ruas livremente e sendo alimentado pelas pessoas aqui e ali. Quando proferiam seus discursos erráticos, muitos paravam para prestar atenção. 
Essa atitude que pode nos parecer tão estranha vem do fato de que os chineses sempre entenderam que a diferença entre um louco e um grande sábio é, às vezes, tênue demais para nosso olhar medíocre, perdido nas coisas banais do cotidiano. Tanto o louco quanto o sábio vagam em alturas esplendorosas, fora do alcance de pobres mortais que vivem a se preocupar com suas pequenas necessidades cotidianas.
A 6ª e última linha dos hexagramas do I Ching representa o Louco ou o Sábio, pois é uma linha que está “deixando” o hexagrama, saindo de nosso mundo. É interessante notar que, de modo geral, a linha governante do hexagrama é a 5ª, representada pelo Imperador. Porém o louco junto com o sábio estão acima do próprio imperador, pois representam uma situação muito além do nosso mundo.
Sigamos o Caminho sempre em frente, guiados pela não-ação. Se seremos loucos ou sábios, só o Tao poderá dizer.
E existirá diferença?
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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

sábado, 4 de junho de 2016

A RAPOSA E O TIGRE

raposa

Um homem, ao passar pela floresta, viu uma raposa que perdera as pernas e admirou-se com o fato de, apesar dela estar naquele estado, sobreviver.
Enquanto refletia, apareceu um tigre que trazia, entre os dentes, uma caça fresquinha. Depois de se lambuzar com a refeição, ele deixou o resto da presa ao lado da raposa, que se alimentou dela.
Curioso, o homem resolveu voltar no dia seguinte para ver se o felino se comportava da mesma forma. E, sim, presenciou a cena do dia anterior.
Ele, então, pensou: “Deus nutriu a raposa usando o mesmo tigre.”
Admirado com a bondade do Criador, resolveu se deitar ao lado do animal ferido, na certeza de que – assim como o Pai tinha sido caridoso com ele, também o enviaria o que lhe fosse necessário. Bastaria esperar.
De fato, assim o fez por muitos dias. Mas nada aconteceu. O pobre já estava à beira da morte quando ouviu uma voz que lhe disse: “Estás na trilha do erro. Abre teus olhos e contempla a Verdade! Segue o exemplo do tigre e deixa de imitar a raposa aleijada!”.
tigre

FONTE 

terça-feira, 31 de maio de 2016

NA COMPANHIA DE KRISHNA

Em um vilarejo, na cidade de Bengali / Índia, vivia uma pobre viúva. Seu filho tinha de ir à escola todos os dias em uma aldeia vizinha, mas para chegar lá ele precisava atravessar uma floresta que o assustava.
– Mamãe, tenho medo de atravessar a floresta sozinho. Por favor, fale para alguém ir junto comigo.
A mãe respondeu: – Filho, somos pobres demais para pagar alguém que te acompanhe na ida e na volta da escola.  Peça a seu irmão Krishna que fique com você durante os trajetos. Ele é o Senhor da floresta e atenderá ao seu pedido.
O garoto fez exatamente isso: No dia seguinte, caminhou até a beira da floresta e chamou por seu irmão Krishna, que respondeu:
– O que deseja, filho?
– Pode vir comigo à escola todos os dias e me acompanhar na volta para casa? Tenho medo de atravessar a floresta sozinho…
– Sim, disse Krishna, terei grande alegria em fazer isso por você.
E, assim, todos os dias de manhã – bem cedo – e à tarde, Krishna esperava pelo menino para acompanhá-lo.
Quando chegou o dia do aniversário do professor, esperava-se que todas as crianças levassem um presente ao mestre, mas a mãe do menino lhe disse:
– Filho, não temos condições de comprar um presente para o seu professor. Peça a seu irmão Krishna para providenciar algo.
O Senhor da floresta entregou ao garoto uma jarra cheia de leite e ele, entusiasmado, foi levá-lo ao aniversariante. Colocou a jarra junto dos outros (muitos) presentes, mas o mestre não deu tanta atenção para a sua gentileza. Percebendo isso, o menino reclamou:
– Ninguém está prestando atenção no meu presente. Ninguém notou o meu presente…
Sem paciência, o mestre disse ao criado:
– Leve essa jarra à cozinha, senão essa lamúria não terá fim!
O criado esvaziou o conteúdo da jarra em uma tigela e ia devolvê-la ao garoto quando, para seu espanto, notou que ela estava cheia novamente. Colocou, então, o líquido em um outro recipiente e, diante dos seus olhos, a jarra se encheu de novo.
Quando o mestre soube do milagre, chamou o aluno e perguntou onde tinha conseguido aquela jarra.
– Foi o irmão Krishna que a deu para mim, contou o pequeno.
– Irmão Krishna? Quem é esse seu Irmão Krishna?
– É o Senhor da floresta. Acompanha-me todos os dias na ida e na volta da escola.
O Mestre duvidou:  – Vamos todos ver  esse seu irmão Krishna.
Quando chegaram à beirada da floresta, o menino começou a chamar pelo irmão. Mas o Senhor da floresta, que sempre surgia rapidamente, não apareceu naquele dia. A floresta estava silenciosa. Tudo o que se ouvia, era o eco do garoto chamando por seu irmão Krishna.
– Por favor, irmão Krishna, venha. Se não aparecer, não acreditarão em mim…Estão me chamando de mentiroso. Venha, irmão Krishna.
Finalmente, ouviu-se uma voz. Era o Senhor da floresta:
– Filho, não posso aparecer. No dia em que seu mestre tiver a mesma fé inocente que você tem e o mesmo coração simples e puro, eu virei.
FONTE: http://www.culturadapaz.com.br/conteudo/educacao-para-paz/contos-e-fabulas/ 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A HISTÓRIA DO BAMBU CHINÊS.






"Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada por aproximadamente cinco anos, exceto um lento desabrochar de diminuto broto a partir do bulbo. Durante cinco anos todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas…uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída.

Então, ao fi
nal do quinto ano o bambu chinês atinge a altura de vinte e cinco metros."
Um escritor de nome Covey escreveu:

“ Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e as vezes não vê nada por semanas, meses ou anos.

Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu quinto ano chegará, e com ele virá um crescimento e mudanças que você jamais esperava…”

O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos e de nossos sonhos…Em nosso trabalho especialmente, que um projeto fabuloso, que envolve mudanças de comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilização.

Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida: a persistência e a paciência, para alcançar os seus sonhos !!!

“ É preciso muita fibra para chegar as alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão.”


Autor desconhecido.
 


quarta-feira, 8 de abril de 2015

O SAPO E SEU ORGULHO

O Sapo
Fonte da imagem: http://todosconectado.com.br/category/metaforas/

"Na boca do tolo está a punição da soberba, mas os sábios se conservam pelos próprios lábios" Provérbios 14:3

Era uma vez um sapo falador que queria fugir do inverno.

Então, alguns gansos sugeriram que o sapo se juntasse a eles e migrasse, que fosse com eles para um lugar mais quente.

Mas aí apareceu um problema: o sapo não voa, como poderia seguir viagem?

Mas o sapo sabido foi logo dizendo:

"Deixem comigo, tenho um cérebro brilhante, vou ter uma boa ideia."

Pensou um pouco e então pediu aos gansos que o ajudassem segurando um caniço forte, cada um numa ponta.

Como o sapo tem um bocão, ele poderia se prender ao cabo pela boca e seguir com os gansos.

Em pouco tempo os gansos e o sapo iniciaram a sua jornada.

Assim que passaram por uma pequena cidade os moradores saíram para ver aquela cena estranha e original.

Quem poderia ter tido uma ideia tão brilhante? perguntaram alguns moradores. 

Isso fez com que o sapo se inchasse tanto de orgulho e, se sentido importante gritou:

Fui eu, fui eu!

Seu orgulho foi sua ruína, pois no momento em que abriu a boca, se soltou do caniço e estatelou-se no chão, morto.

J. Gilmour



segunda-feira, 6 de abril de 2015

O SEGREDO DA NOSSA CASA

Casa Simples e Ampla
Há muito valemo-nos das fábulas para dizer, de modo eufêmico, verdades cotidianas.
Assim, quando objetos e animais ganham vozes e se submetem a acontecimentos diversos, melhor podemos analisar, na alegoria da história contada, ações e reações nossas. Momento em que repensamos os nossa hábitos e nossos crenças.
 
Abaixo, uma fábula africana que nos dá oportunidade de ponderamos sobre a real
necessidade de noticiar aquilo que ocorre no íntimo dos nossos lares.
 
“Certo dia, uma mulher estava na cozinha e, ao atiçar a fogueira, deixou cair cinza em cima do seu cão.
 
O cão queixou-se:
 
– A senhora, por favor, não me queime!
 
 
Ela ficou muito espantada: um cão a falar! Até parecia mentira…Assustada, resolveu bater-lhe com o pau com que mexia a comida. Mas o pau também falou:- O cão não me fez mal. Não quero bater-lhe!A senhora já não sabia o que fazer e resolveu contar às vizinhas o que se tinha passado com o cão e o pau.
Mas, quando ia sair de casa a porta, com um ar zangado, avisou-a:
– Não saias daqui e pensas no que aconteceu. Os segredos da nossa casa não devem ser espalhados pelos vizinhos.
A senhora percebeu o conselho da porta. Pensou que tudo começara porque tratara mal o seu cão. Então, pediu-lhe desculpa e repartiu o almoço com ele.”
Lenda via O Ponto
Editorial CONTI outra
Fonte: http://www.contioutra.com/o-segredo-de-nossa-casa-uma-fabula-africana/
 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A DEVOÇÃO DE MEERA


https://mistressofthehearth.wordpress.com/2014/03/27/krishna/

Uma linda história sobre DEVOÇÃO
Penetre totalmente na mais profunda intensidade de amor possível. Deixe que ele seja uma abertura em você para o divino. Permita que sua energia feminina floresça.
Meera, uma grande mística indiana, era realmente uma devota apaixonada, uma bhakta, em tremendo amor e êxtase com Deus. Ela era uma rainha, mas começou a dançar nas ruas. A família desertou-a e tentou envenená-la, porque ela era a desgraça da família real. Aquela era uma das mais tradicionais partes da Índia, Rajasthan, onde durante séculos ninguém tinha visto o rosto de uma mulher, ele ficara coberto, sempre coberto. Naquela época, nessa estúpida atmosfera, a rainha começou a dançar nas ruas. Multidões se juntavam, e ela estava tão embriagada com o divino que seu sári escorregava, sua face ficava exposta, suas mãos ficavam expostas. A família, obviamente, ficava muito perturbada. Mas ela cantava lindas canções, as mais lindas jamais cantadas no mundo inteiro, porque vinham do fundo de seu coração. Elas transbordavam espontaneamente.
Ela disse a seu marido: “Não pense que você é meu marido – meu marido é Kishna. Você é um mero substituto.”
O rei ficou muito furioso. Ele expulsou-a do reino. Ela foi para Mathura, o lugar de Krishna, onde existe um dos seus maiores templos. O sumo sacerdote do templo havia feito um voto de que não veria mulher alguma em sua vida; durante trinta anos não tinha visto nenhuma mulher. A nenhuma mulher era permitido entrar no templo, e ele nunca saía do templo. Quando Meera passou por lá, ela dançou no portão do templo. Os guardas ficaram tão encantados, magnetizados, que se esqueceram de impedí-la. Ela entrou no templo; foi a primeira mulher, a entrar no templo. O sumo sacerdote estava venerando Krishna. Quando viu Meera, não pôde acreditar no que estava vendo. Ele ficou enlouquecido, gritando para ela; “Saia daqui! Mulher, saia daqui! Você não sabe que nenhuma mulher é permitida aqui”?
Meera gargalhou e disse: ”Pelo que eu saiba, exceto Deus, todos são mulheres – você também! Depois de trinta anos venerando Khishna, pensa que ainda é masculino”?
Isso abriu os olhos do sumo sacerdote. Ele caiu aos pés de Meera e disse: “Jamais disse algo semelhante antes, mas posso ver, posso sentir – é verdade”.
No mais alto pico, quer você siga o caminho do amor ou da meditação, você se torna feminino.
O amor de Meera é o amor de um ser humano perfeito. Ela não tem necessidades, ela nada quer de Krishna, ela simplesmente oferece. Ela tem uma canção para cantar, ela canta. Ela tem uma dança para dançar, ela dança. Ela nada tem a receber – simplesmente oferece. E ela recebe mil vezes... Mas isso é uma outra coisa. Se você quer se tornar Meera, primeiro terá que ser saciado pelas necessidades do amor humano. Senão seu Krishna será apenas sua imaginação, apenas sua projeção do desejo reprimido. Lembre-se da limitação do ser humano, e lembre-se de suas limitações. E qualquer que seja a qualidade de amor possível, penetre nele. Não ambicione o impossível, senão perderá até mesmo o possível. Passe pelo que é possível.
Deixe o possível ser terminado, permita que seu ser emerja disso saciado... Então o impossível pode também acontecer. Você terá se tornado capaz disso. Primeiro passe totalmente pelas alegrias do amor humano e pelas misérias do amor humano. Permita a si mesmo torna-se maduro através dele.

Fonte: http://sintonizesuavida.blogspot.com.br/

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A VERDADE

Imagem do Google
Na Inglaterra havia um homem que, apesar de ter bastante dinheiro, esposa e dois filhos maravilhosos, resolveu um dia sair pelo mundo em busca da verdade.

Conversou sobre isso com a mulher, providenciou para que nada lhe faltasse durante muitos anos, na sua ausência, e saiu pelo mundo.


Andou durante muitos anos perguntando sobre a Verdade, pelos quatro cantos da Terra.


Até que um dia alguém lhe apontou uma montanha e disse:


- Lá em cima tem uma gruta. Dizem que é onde mora a Verdade.


- O homem subiu e encontrou uma velha suja e maltrapilha sentada na entrada da gruta.


- Você é a Verdade? - ele perguntou.


Ela respondeu que sim, numa voz tão cristalina e encantadora, que o homem não teve dúvidas de que estava diante do que procurava.


Resolveu ficar morando por ali, e aprendendo mais sobre a vida e as coisas.

Depois de um ano e um dia, sentiu finalmente saudades de casa, e resolveu voltar.


A Verdade não se opôs. Ao se despedir, o homem perguntou.


- O que eu poderia fazer por você depois de tudo o que fez por mim?


A verdade pensou, pensou, levantou o seu dedinho de velha e respondeu:

- Quando perguntarem sobre mim, diga que sou jovem e bonita.

Fonte:http://www.planetamais.com.br/view/mensagem/?detail=136

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O REINO ENCANTADO







Tela: paraiso - Wenzel
Fonte: http://ondacultural.org/images/administrables/100/images/



Existe no Reino Encantado um lindo lago de águas transparentes. Fica bem na divisa com as terras altas. Para atravessá-lo somente de barco é possível. Certo dia um jovem do reino vizinho veio conhecer o Reino Encantado. 

E quis ir até as terras altas, pois era lá que se encontravam os cavalos dançarinos que haviam sido treinados pelo Rei. Amanhecia, a brisa fresca soprava por sobre o lago, formando desenhos em sua superfície. O jovem solicitou então que o Rei o levasse para conhecer os tão famosos cavalos.


Um pequeno barco foi colocado na água para possibilitar a travessia. O barco, assim como os remos, havia sido construído com uma madeira especial, cuja árvore o próprio Rei havia plantado. Era de uma espécie muito forte e valiosa: guanandi. E fora também o Rei que havia entalhado em um dos remos, a palavra Acreditar e no outro Agir.

O jovem visitante, não se contendo, perguntou ao Rei o motivo daqueles nomes originais dados ao remo. O Rei então pegou o remo onde estava escrito Acreditar e remou com muita energia. O barco começou a dar voltas sem sair do lugar. 


Em seguida, pegou o remo em que estava escrito Agir e remou com todo vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante. Finalmente, o Rei, segurando os dois remos, movimentou-os ao mesmo tempo e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago, chegando, calmamente, à outra margem.

Foi então que o Rei Menino disse ao jovem visitante:

- Este barco pode ser chamado de Autoconfiança. A margem é a meta que desejamos atingir. Para que o barco da autoconfiança navegue seguro e alcance a meta pretendida, é preciso que utilizemos os dois remos ao mesmo tempo e com a mesma intensidade: Acreditar e Agir.

- Estou entendendo melhor o motivo de este reino ter o nome de Reino Encantado, respondeu o jovem.

Autora : Walkyria Garcia

Fonte: http://ignotus.com.br/profiles/blog/show?id=6519434%3ABlogPost%3A188464&xgs=1&xg_source=msg_share_post

quarta-feira, 9 de abril de 2014

TUDO TEM UM PROPÓSITO PARA EXISTIR

abstrata bokeh estrelas de fundo
http://br.freepik.com/vetores-gratis/abstrata-bokeh-estrelas-de-fundo_596142.htm
Estava Deus caminhando tranqüilo pelo universo. Contemplava sua criação e, aproveitando o passeio, verificava se tudo estava correndo bem.
Em certo ponto de sua caminhada, deparou-se com uma de suas estrelas, num choro convulsivo.
A pobre estrela, aos prantos, declarou:
- Sabe, meu Pai... não consigo achar uma razão para a minha existência. O sol fornece calor, luz e energia às pessoas. As estrelas cadentes incentivam paixões e sonhos. Os cometas, geram dúvidas e mistérios. E eu, aqui... parada...
Quando Deus ia dar explicações à estrela, foi interrompido por uma voz que vinha de longe.
Era uma criança, pequena, que caminhava com sua mãe, em um dos planetas da região.
A criança dizia à sua mãe:
- Veja mamãe! O dia já vai nascer!
A mãe ficou meio confusa. Como podia ele saber que o sol já nasceria, se ainda estava tão escuro?
- Como você sabe disso, meu filho?
- Veja aquela estrela! Papai me disse que ela anuncia o novo dia. Ela sempre aparece pouco antes do sol e aponta o lugar de onde o sol vai sair.
Ouvindo aquilo, a estrela ficou emocionada...
E Deus então falou:
- Você sabe agora o motivo de sua existência? Tudo o que foi criado, foi por alguma razão. Você éa estrela que anuncia um novo dia e com o novo dia, renovam-se as esperanças e os sonhos.
- Você serve também para orientar os homens. Vendo você sabem que não estão perdidos, sabem qual o seu destino.
A estrela sentiu uma alegria celestial invadindo sua vida, e a partir de então, ela brilhou cada vez mais.
Porque sabia que era importante e indispensável ao ciclo da vida.
Todos nós temos uma razão para estarmos aqui.
Mesmo se não soubermos qual é exatamente esta razão, devemos viver a vida intensamente, semeando amor e espalhando alegria.
Só assim, a estrela que habita em nossos corações brilhará mais forte, iluminando a todos que estão à nossa volta.
E assim estaremos iluminando nossas próprias vidas.

Fonte: www.planetamais.com

domingo, 5 de janeiro de 2014

O ÚLTIMO LOTO



Sudas, um humilde jardineiro, colheu o último loto que sobrara em seu jardim, por descuido do inverno. E saiu em direção ao palácio real, a fim de ver se o rei não desejava comprá-lo. 

Ao se aproximar, encontrou um comerciante que lhe disse: 
― Quanto queres por este loto? Desejo oferecê-lo ao Buda, Nosso Senhor. 
E Sudas respondeu: 
― Uma moeda de ouro, senhor. 

O homem concordou. Nesse mesmo instante, o rei saía do palácio para visitar Nosso Senhor Buda. Vendo a linda flor nas mãos do jardineiro, pensou: 
― Que bonito seria pôr aos pés de Buda este loto de inverno! 

E o quis comprar. Quando Sudas, o jardineiro, disse que já haviam oferecido por ele uma moeda de ouro, o rei lhe ofereceu dez, mas, em seguida, o comerciante dobrou a oferta. 

O jardineiro, deslumbrado, logo pensou que aquele a quem os dois queriam oferecer o loto era muito mais rico e poderoso do que imaginara, e que certamente lhe pagaria uma verdadeira fortuna por ele. Disse então: 
― Não posso vender esta flor.

E, em silêncio, atravessou a floresta que se espalhava além dos muros da cidade. Logo depois, Sudas estava de pé, diante de Buda, Nosso Senhor, cujos lábios são o trono do silêncio do amor e cujos olhos destilam paz como a estrela matutina de outono, feita de orvalho. 

Olhando seu rosto, pôs a seus pés o loto. No mesmo instante, Sudas sentiu-se pleno de felicidade e, em êxtase, caiu de joelhos aos pés de Buda, esmagando a flor que se misturou ao pó da terra. 
Buda sorriu e disse: 
― Que queres, filho meu? 
E Sudas respondeu: 

― A mais leve carícia de teus pés.