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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

OS SERES-PÁSSARO

 A imagem pode conter: céu, atividades ao ar livre e natureza
Encontrei com o Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo da Ordem, sentado na agradável varanda do mosteiro com o olhar perdido nas maravilhosas montanhas dos arredores. Ofereci uma xícara de café e ele aceitou com um sorriso. Quando coloquei a caneca na pequena mesa ao seu lado fui convidado para sentar. Ele quis saber se algo me preocupava. Neguei. O monge, então, me perguntou a razão dos meus olhos tristes. Era difícil esconder os sentimentos da percepção apurada do Velho. Acomodei-me na poltrona ao lado e contei que eu tinha começado a namorar uma mulher que ocupava um cargo importante na empresa com a qual a minha agência de publicidade tinha assinado um vultuoso contrato. Tínhamos nos conhecido durante as reuniões para o fechamento do negócio. O namoro evoluiu bem até que perdeu o encanto para mim sem nenhuma razão específica. Ela era uma mulher bonita, inteligente e meiga. Nossas conversas eram doces como os seus beijos. No entanto, algo havia esmorecido em meu coração. Quando encerrei o relacionamento ela acusou de ter me envolvido por interesse comercial ao invés de por sincera afeição. Eu estava triste porque não queria que ela tivesse aquela imagem de mim.
Sem desviar os olhos das montanhas, o monge disse: “Há três aspectos interessantes nesse caso. O primeiro é a motivação da sua tristeza. Se você foi sincero com seu coração quando iniciou o namoro nada há o que fazer, tampouco dar vazão a tristeza. Se ela tenta, de maneira equivocada, desviar a origem da própria frustração para não apagar a imagem idealizada de si mesmo, nada há o que fazer, salvo a compreensão nascida da sincera compaixão. Espíritos livres não têm nenhum interesse em controlar ou dominar qualquer aspecto das ideias, vontades ou opiniões da vida alheia. Ao serem honestos consigo mesmo também são com o mundo; ao estarem a alinhados ao amor estão no passo da luz. Por isso são livres e possuem uma alegria serena, pois, vivem em paz”. Bebeu um gole de café e acrescentou: “No entanto, se não havia pureza em seus sentimentos é hora de ser humilde, pedir desculpas, assumir o compromisso consigo próprio de não mais agir assim e seguir em frente pela oportunidade de fazer diferente e melhor em uma próxima oportunidade”.
Ficamos sem dizer palavra por algum tempo para que aquelas ideias encontrassem o devido lugar em mim. Em seguida, questionei qual seria o terceiro aspecto mencionado pelo monge. Como sempre, ele foi atencioso: “Existem oito portais no Caminho, em ordem crescente de dificuldade espiritual. Apenas é possível atravessar cada um deles após o andarilho incorporar determinado grupo de virtudes ao ser. Por exemplo, o primeiro portal é o dos Corações Simples, no qual a humildade, a simplicidade e a compaixão capitaneiam as virtudes essenciais, sem as quais não é permitido iniciar a travessia. Outro, precisamente o sexto, é o Portal das Asas e da Liberdade, no qual a pureza é a virtude primordial”. Bebericou o café e prosseguiu: “Todavia, não podemos esquecer dos guardiões do limiar que ficam a espreita, em cada um dos portais, para impedir a passagem daqueles que ainda não estão prontos”. Interrompi para dizer que não sabia do que se tratava. O monge explicou: “Como nas histórias, todo andarilho é um guerreiro da luz que está em busca do cálice sagrado. Para atingir o objetivo ele precisa enfrentar adversários que, ao primeiro olhar, tentarão impedir a vitória, porém, na verdade, apenas têm a finalidade de aprimorar e fortalecer as habilidades do guerreiro. Esta mestria são as virtudes da alma. Todas estão em semente; muitas vezes, precisam da pressão exercida pelo solo para que a casca se rompa e possam florescer para o grande encontro. O encontro consigo mesmo, pois o cálice sagrado é o seu próprio coração, onde Deus faz a morada. É a definitiva volta para a casa”.
“Você ou a sua namorada, ou ambos, estiveram diante do portal da pureza, mas foram derrotados pelos guardiões do limiar”. Tornei a interromper para pedir que ele explicasse melhor quem seriam tais guardiões. O monge foi didático: “São as dificuldades ou adversários que se apresentam para testar a virtude em jogo naquele limiar. Uma dificuldade pode colocar o guerreiro diante de um problema se ele a encarar como um problema; ou de um mestre se ele a olhar como uma lição a ser aprendida. Em verdade, os adversários do guerreiro são as suas próprias sombras, traduzidas pelos sentimentos ainda selvagens que ele tem tanto em relação a si quanto ao mundo. Um guerreiro egoísta verá egoísmo por toda a parte, mesmo onde ela não exista; assim como um ladrão de sonhos receia a todo instante que alguém possa furtar o seu. O mundo será sempre o exato espelho da sua consciência e coração; toda luz e amor que você é capaz de enxergar no outro é reflexo das virtudes que já germinaram em você. Lembre que a batalha mais importante da vida é travada dentro de si mesmo na luta amorosa para harmonizar os interesses do ego, o eu-aparência, aos valores da alma, o eu-essência”.
Pedi para ele aprofundar mais sobre esse portal específico. O Velho explicou: “É a passagem permitida apenas aos puros de coração. A pureza é a virtude que impede o amor de virar uma cobiça; não permite que ninguém seja dono de ninguém. É a virtude daqueles que conquistam sem possuir; não confundem o amor com as paixões; não exigem impostos ou apresentam boletos emocionais em troca do amor ofertado. Amam apenas porque amam amar; amam o outro como a si mesmo. Não negociam com a mentira mesmo quando esta se manifesta em forma de ocultação da verdade nem a justificam com raciocínios tortuosos na tentativa de legitimar os próprios desejos”.
“Para os puros a verdade tem clareza e é tão imprescindível quanto o ar que respiram. Tudo é simples porque não há mais véus de ilusão a ofuscar a alegria da vida; são bonitos por conseguirem encontrar beleza em todas as coisas e pessoas. Já não são escravos das próprias sombras, agora transmutadas em luz. Não misturam desejos na mesma bagagem das necessidades; não têm segundas intenções ou interesses camuflados nos relacionamentos com os outros. Não presumem a maldade alheia ou a criam onde ela não exista. A pureza traz em si uma força incomensurável, pois permite aos puros expor as suas dificuldades sem que elas sejam sinônimo de fragilidade. Já não mentem para si mesmo; para a pureza nada é inconfessável. São aqueles capazes de olhar no espelho sem estar diante de um enigma, mas dispostos a enfrentar a própria face, de alma nua, despidos das fantasias sedutoras oferecidas pelo ego exacerbado. A pureza não condena as escolhas alheias, pois, sabe que cada qual está diante das dificuldades inerentes ao próprio processo evolutivo. Como as virtudes são complementares, a pureza evita que a humildade vire uma vaidade; não permite que a compaixão seja movida por orgulho; impede que a caridade se torne motivo de ostentação; explica que o perdão não pode virar objeto de soberba; a vingança jamais substituirá a justiça; ensina que o amor não é um balcão de trocas; onde não há amor não existe luz. A pureza é uma virtude altamente sofisticada pela extrema simplicidade que oferece”.
Tornamos a ficar em silêncio até que perguntei o motivo desse portal, ligado à pureza, ser considerado o portal das asas. O Velho arqueou os lábios em leve sorriso e disse: “Pureza e liberdade estão intrinsecamente ligados. Apenas aos puros é permitido o entendimento do verdadeiro sentido e gozo da liberdade. Por não existir cobrança, má-fé ou vontade de domínio não resta qualquer dívida ou contraprestação nos relacionamentos. A pureza impede que o amor acabe por negar os seus fundamentos e se torne uma prisão. O fato de a fartura do perdão no coração dos puros ter a abundância do sal nos oceanos faz com que todas prisões emocionais construídas com as pedras das mágoas e com a grades dos ressentimentos acabem se desmanchando no ar. A pureza joga fora o peso inútil da presunção ou supervalorização da maldade e oferece a leveza fundamental para quem está pronto para alçar o voo da liberdade. O ser puro vive pelo bem e pela luz, sem exigência por nenhum gesto, palavra ou olhar de outra pessoa. Ninguém precisa concordar, acompanhar ou pode impedir um espírito livre de seguir a viagem. Por serem conceituais, as suas asas não podem ser cortadas pelo aço do mundo; as virtudes verdadeiramente conquistadas não retroagem nem se perdem nos trilhos do tempo”.
Argumentei que sempre achei as pessoas puras um tanto quanto ingênuas, sem a exata noção das maldades do mundo. O monge arqueou as sobrancelhas, como sempre fazia quando aumentava o tom de seriedade e disse: “É justo ao contrário”. Esvaziou o café da xícara e explicou: “Lembre que as virtudes são complementares. A prudência e a justiça são portais anteriores à pureza, portanto, os puros já as possuem. Claro que o mal deve ser estancado onde se apresentar, na sua exata medida educativa, sempre com o senso aprimorado de justiça, uma indispensável e difícil virtude no equilíbrio do ser, para não permitir que o encanto pelo bem reste contaminado. No mesmo caldeirão bem temperado da mestria, a prudência é uma preciosa virtude por impedir o conflito entre a pureza e a ingenuidade. A prudência ensina não apenas a identificar o mal, mas, também, a encontrar o bem nos lugares mais improváveis. A ingenuidade brota do olhar enevoado sobre todas as coisas, no qual ainda se impõe o domínio das sombras sobre as escolhas do indivíduo devido à sua falta de clareza. Ao contrário do que muitos imaginam, a maldade é ingênua por não ser capaz de ver a beleza e o poder da luz. A pureza escancara os porões escuros do ser para que sejam iluminados e transmutados em aconchegantes quartos para se viver. Tolo é quem vive a procurar o mal ao invés de buscar o bem. Tolo é quem vê o mal ou o presume onde não existe. Ingênuo é quem ainda não entendeu como o amor pode transformar a vida e o mundo; e o amor precisa da pureza para que possa se apresentar por inteiro”.
“A pureza tem a força maravilhosa de conceder infinitas oportunidades a toda a gente, pois sabe que ela própria nasceu no pântano dos equívocos. A pureza é libertadora”.
“A pureza são as asas dos seres-pássaro”.
O Velho olhou no fundo dos meus olhos e concluiu: “A pureza é a virtude da outra face; a face capaz de mostrar e vivenciar o poder da vida, da verdade, do amor e da luz. Típico de quem possui uma fé inquebrantável em si e no mundo”. Tornou a lançar o olhar para as montanhas antes de finalizar: “Bem-aventurados os puros de coração, pois a eles será permitido ver a face de Deus”.
Outros textos do autor em www.yoskhaz.com
Este texto está disponível em áudio / podcast no site do autor. Pode-se fazer download gratuitamente ou ouvir no próprio site. Edição e voz de gentilmente cedidas por Paula Paulini Coelho.
http://yoskhaz.com/pt/2017/05/19/os-seres-passaro/

quinta-feira, 22 de junho de 2017

La unica realidad presente es esa Conciencia!

 


Satsang es un momento precioso, porque es un momento donde estamos investigando la naturaleza de la Realidad, la naturaleza de la Verdad; Un momento dedicado a esta investigación. La palabra Satsang significa cerca de la Verdad, en la proximidad de la Verdad, en compañía de la Verdad. Es lo que tenemos dentro de estos encuentros.

El pensamiento común es el pensamiento dual, es el pensamiento de la dualidad, en posición de dualismo. En esa posición, hay un vasto espacio, donde aparecen el sujeto y los objetos. En el concepto común, tenemos la mente, el cuerpo y un mundo lleno de objetos - la mente que aparece dentro del cuerpo y los objetos que aparecen dentro del mundo. Esta es la forma común de tratar con la Realidad, una forma ilusoria de tratar con lo que es.

Esto sucede debido a una falta de investigación correcta, de forma profunda. Si usted entra en esa experiencia "mente-cuerpo-mundo", usted descubrirá que no hay esa separación, o, simplemente, que el cuerpo, la mente y el mundo son sólo apariciones en esta única Presencia, la cual no se divide, no se divide Se separa entre sujeto y objeto. Esta única presencia aparece como estas apariciones, pero está más allá de ellas. Si su interés real es ir más allá de la dualidad, además del sentido de separación, y por lo tanto, más allá del conflicto, además del sufrimiento, usted necesita descubrir la naturaleza real de las experiencias, de esas apariciones. ¡Eso es lo que hacemos en Satsang!

Este sentido de separación entre sujeto y objeto es una ilusión. ¡Eso no es real! El pensamiento formula esto y da realidad a esa ilusión, pero él también es sólo una aparición, entre otras, y todas estas apariciones están surgiendo, apareciendo, en esa Realidad, en esa Presencia, en esa Verdad, en esa Conciencia.

Todo problema, conflicto, sufrimiento y confusión están dentro de esa dualidad. Cuando no hay dualidad, no hay conflicto, no hay sufrimiento, todo está en el lugar. No existe la ilusión de un personaje defendiendo y tratando de sostener, sostener, mantener cosas. Este personaje no es importante ... ¡Él no aparece! Sólo aparece "dentro de esa ilusión.

Todas las apariciones surgen como sensaciones, percepciones, pensamientos, y todas son hechas de esta única Conciencia, de esta única Presencia, sin separación. Sólo hay esta Presencia, sólo hay esta Realidad y Ella no es dual. Sólo el pensamiento está creando la idea de un mundo en el exterior y de alguien dentro del cuerpo, que es esa "persona" que usted cree ser. No hay "alguien" ahí! Es sólo una creencia, una idea, una imaginación. ¡Todo está siendo construido por la imaginación! Toda esa dualidad, y por lo tanto, todos los problemas de su vida - en esa idea de que usted tiene una vida personal, propia, particular - son, también, sólo una imaginación.

Si usted mira con un acercamiento real, usted descubrirá que nuestra experiencia primordial es esa Conciencia. ¡Sólo existe!

Es esa Conciencia que toma forma de mente, cuerpo, mundo, pensamientos, sensaciones y todas las apariciones. La única Realidad presente es esa Conciencia, es este Silencio, es Aquello que está más allá de la ilusión de la dualidad, además de la ilusión de la separación, además de todo conflicto, sufrimiento y miedo.

La naturaleza de la felicidad es usted en su estado natural, en el que no hay dualidad, no hay el "yo", el sentido de "alguien". La cuestión es que ustedes están muy agarrados a esa ilusión, tratando de mantener la historia de esta supuesta entidad, sólo porque ella se ve rodeada de cosas particulares, personas, lugares y objetos. Usted está adicta a esta creencia y no están dispuestos a soltarla, por eso es que da un poco de trabajo. ¿No es eso? ¿O tienes alguna otra explicación de por qué suceder de esa manera? Usted está apegado a la historia de novio, de esposo, de hijo, de abuela, de madre, de sobrina, de tía ... Usted está agarrado a esa responsabilidad. Una cosa engendrada, creada, por el pensamiento. ¿No es eso? Usted no quiere dejarlo explotar.

¡Es linda la comprensión de ello! ¡Es de una gran belleza la comprensión de ello! ¡Tranquilo liberador! Pero usted necesita asumir esa Libertad o, entonces, vivirá estresado. Por otra parte, el estrés sólo es posible cuando hay esa vinculación con esas imágenes, con esas historias que usted no quiere soltar. De esta forma, usted está presente en la experiencia del estrés, la ansiedad, la depresión ... Todo creado por la imaginación de un supuesto pensador dentro de su cabeza, de alguien que quiere ser responsable de todo, que quiere cambiar el rumbo de las cosas, que quiere arreglar Lo que está mal. ¡Como si hubiera algo equivocado! Como si tuviera cualquier poder de hacer algo. ¡Es muy divertido eso! Es ridículo, estúpido y divertido cómo se comporta el ego. ¡El ego es esa estupidez misma! ¡No hay reparación!

Los terapeutas están tratando de mejorarlo. Ellos tienen un trabajo increíble, un trabajo "dañado", una cosa como enjugar hielo. Los psiquiatras, los psicólogos, los terapeutas, los consejeros matrimoniales, en fin, toda esa gente de buena intención, todo ese personal bien intencionado, está intentando, pero no está funcionando, no! Sin embargo, podemos descubrir el verdadero Silencio, esta Realidad presente.

Fonte: http://satsangmarcosgualberto.blogspot.com.br/2017/05/la-unica-realidade-presente-es-esa.html?spref=fb

FIQUE QUIETO



O meu trabalho com você em Satsang é lhe mostrar que você nunca esteve distante de si mesmo. Você tem que mudar o seu olhar. Você está olhando para fora, olhando para o que está aparente; está olhando para aparições e valorizando-as. Eu estou convidando-o a olhar para Aquilo que olha. Como você não pode olhar para Aquilo que olha, você pode desistir de olhar para fora. Então, Aquilo que vê – onde tudo é visto – se revela como sua Verdadeira Natureza.
Os sábios chamam isso de “ficar quieto”. O pensamento, o sentimento e a sensação vêm e você fica quieto, aí eles vão embora; vem uma história, você fica quieto e ela vai embora; uma outra história surge, você fica quieto e ela vai embora. Na razão em que você fica quieto e olha para Aquilo que olha, seu estado natural aflora e, assim, o seu olhar muda, porque não é mais o “fora” que está sendo visto, é O que é que está sendo visto. Assim, o sentido do “eu” (que é o que dá, ao que é visto, o valor de uma entidade presente na experiência) desaparece.
Todos os problemas que você tem estão baseados na ideia de que “você” está aí. De fato, “você” não está aí. Só tem Ele aí, e Ele não tem problema. Você particulariza uma crença para um particular corpo, ou um particular nome, e, dessa forma, uma história particular surge. Fascinante isso! É fascinante você perceber que não há alguém presente naquilo que acontece. Tudo acontece Nele, por Ele e para Ele! Tudo é um show Dele, tudo é um jogo Dele!
Um nasce, outro morre; um ganha, outro perde; um é positivo, outro é negativo; um é masculino, outro é feminino; um está saudável, o outro está doente… Esse é o jogo, mas é o jogo Dele! Não há nenhum prejuízo, nada para se lamentar. Nada se perde, é destruído, termina… Nada acaba e nada começa. Esse é o jogo! Não tem nada de fato começando; não tem nada de fato terminando; não tem nada de fato como uma vitória permanente ou como uma derrota permanente. Tudo é um jogo, um jogo Dele!
Se você escolhe uma parte, você nega outra. Então, você particulariza um lado, que é aquilo que mais agrada ao padrão de condicionamento da “pessoa” que você acredita ser. Isso é ilusão, que é sofrimento! Eu sei que você quer que ninguém da sua família morra, mas eu tenho uma notícia para lhe dar: eles vão morrer! E você também, o que é pior. Isso porque vocês nasceram… ou parece ter sido assim.
Você quer uma saúde perfeita? Impossível! As pessoas fazem dieta, exercícios, se alimentam corretamente, ficam loucos com essa coisa de comida natural e macrobiótica. Não comem pudim, chocolate… Tudo natural! Nada de muito açúcar, muito sal…  Nada! Uma saúde perfeita! Isso não existe! Todos vão morrer! Até você vai!
Desencante-se disso! Desidentifique-se do corpo, porque ele vai morrer; desidentifique-se da história, porque aqueles que fazem parte dessa “sua história” também vão morrer. Mas tudo isso é um jogo Dele! Não tem você nisso! As pessoas vêm a mim querendo um modelo, para saber o que podem e o que não podem; o que devem comer e o que não devem; o que devem fazer ou não fazer; o que devem ser ou não ser…
Lembre-se apenas disso: tudo é um jogo Dele! Só tem Ele! Pare de confiar na ilusão!

*Fala transcrita a partir de um encontro via Paltalk no dia 04 de Novembro de 2016 
Encontros online todas as segudas, quartas e sextas às 22h - Baixe o Paltalk App e participe

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A VERDADE



Quer mesmo saber a verdade? Então esteja preparado para ela .Destrua  os velhos conceitos e tudo em que acreditava, mas jamais abandone os bons sentimentos como o amor.  Renasça para o novo, para todas possibilidades.
Não existe o impossível, nós é que limitamos nossas percepções e colocamos fronteiras no entendimento.







domingo, 7 de fevereiro de 2016

SER


Eu não sou o corpo físico, suas dores e prazeres
a perfeição ou marcas que pode apresentar externa ou internamente
Eu não sou mente
a inteligência, os pensamentos, a capacidade de raciocínio
as memórias de uma vida linear ou de acesso randômico
Não sou palavras ou definições
Não sou o amontoado de títulos e histórico
Eu não sou decorrência do encontro de seres
que gerou outros seres no encontro de um complemento
Eu não sou o que busca razão ou caminha em descoberta
Sou apenas o Ser que a tudo isso observa
Pacífico, completo, consciente
sem discriminar, incluir ou eliminar
sem nomear
sem armazenar
sem fixar
...brincando na volatilidade de experimentar
Sophia Christou

FONTE: https://conscienciaempoesia.wordpress.com/author/conscienciaempoesia/

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

E QUANDO TUDO DER ERRADO?


Pra você dar a volta por cima! ´´8 verdades pra você se lembrar quando tudo der errado...´´

´´1. A dor faz parte do crescimento

Às vezes a vida fecha algumas portas, mas somente porque é hora de seguir em frente. E isso é uma coisa boa, porque, muitas vezes, não seguimos em frente a menos que as circunstâncias nos obriguem. Em momentos de dificuldade, lembre-se que nenhuma dor vem sem um propósito. Só porque você está lutando, enfrentando algo, não significa que você está falhando na vida. Todo grande sucesso requer algum tipo de luta digna para se conquistar. Boas coisas levam tempo. Seja paciente e mantenha o pensamento positivo. Tudo vai ficar bem, talvez não imediatamente, mas eventualmente.

2. Tudo na vida é temporário

Toda vez que chove, uma hora para de chover. Toda vez que você se machucar, você vai sarar. Depois da escuridão há sempre luz – você sabe disso todas as manhãs, mas ainda assim, muitas vezes, você se esquece e decide acreditar que a noite vai durar para sempre. Não vai. Nada dura para sempre.
Então se as coisas estão bem agora, aproveite. Não vai durar para sempre. Se as coisas estão ruins, não se preocupe porque não vai durar para sempre também. Só porque a vida não é fácil, neste momento, não significa que você não pode rir. Só porque alguma coisa está incomodando você, não significa que você não pode sorrir. Cada momento é  um novo começo e um novo final. Você tem uma segunda chance a cada segundo. Faça este segundo ser melhor que o último.

3. Ficar se preocupando e reclamando não muda nada

Aqueles que se queixam demais conseguem o mínimo. É sempre melhor tentar fazer algo grande e falhar do que não tentar fazer nada e buscar o sucesso. Se você acredita em algo, continue tentando. Não deixe que as sombras do passado escureçam a porta do seu futuro. Ficar hoje reclamando sobre ontem não vai fazer o amanhã melhor. Tome uma atitude. Use o que você aprendeu pra melhorar a forma como você vive. Faça uma mudança e nunca olhe para trás.
E, independentemente do que aconteça no longo prazo, lembre-se que a verdadeira felicidade começa a chegar somente quando você parar de reclamar sobre os seus problemas e começar a ser grato por todos os problemas que você não tem.

4. Suas cicatrizes são os símbolos da sua força

Nunca tenha vergonha das cicatrizes que vida lhe deixou. Uma cicatriz significa que a dor já passou e que a ferida está fechada. Isso significa que você venceu a dor, aprendeu uma lição, ficou mais forte e seguiu em frente. A cicatriz é a tatuagem de um triunfo para se orgulhar. Não permita que suas cicatrizes o mantenham como refém. Não permita que as cicatrizes façam você viver sua vida com medo. Você não pode fazer as cicatrizes da sua vida desaparecer, mas você pode mudar a maneira de enxergá-las. Você pode começar a ver as suas cicatrizes como um sinal de força e não de dor.

5. Cada pequena luta é um passo à frente

Na vida, a paciência não é sobre esperar, mas sim a capacidade de manter uma atitude positiva enquanto se trabalha duro para conseguir seus sonhos. Se você estiver tentando, vá até o fim. Caso contrário, não se ganha nada com simplesmente começar. Isso pode significar a perda de estabilidade e conforto por um tempo. Isso pode significar sair da sua zona de conforto. Isso pode significar a crítica de quem você conhece. Isso pode significar muito tempo sozinho. Porém, é a motivação que faz grandes coisas possíveis. Tudo é uma prova de sua determinação, de quanto você realmente quer.
E se você quiser, você vai fazer, apesar das probabilidades de fracasso. E a cada passo vai se sentir melhor do que qualquer outra coisa que você já fez ou imaginou. Você vai perceber que a luta não é o que encontramos no caminho, mas sim o próprio caminho. E é penoso. Então, se você vai tentar, vá até o fim. Não há melhor sensação no mundo… Não há sensação melhor do que saber o que significa estar vivo.

6. A negatividade das outras pessoas não é problema seu

Mantenha-se positivo quando a negatividade o rodear. Sorria quando outros tentarem derrubá-lo. É uma maneira fácil de manter o seu entusiasmo e seu foco. Quando outras pessoas te tratam mal, continue sendo você . Nunca deixe a amargura de alguém mudar a pessoa que você é. Você não pode levar as coisas para o lado pessoal, mesmo que pareça pessoal. Raramente as pessoas fazem algo por causa de você. Eles fazem por causa deles mesmos.
Acima de tudo, nunca mude apenas para impressionar alguém que diz que você não é bom o suficiente. Mude porque faz de você uma pessoa melhor e leva você para um futuro melhor. As pessoas vão falar, independentemente do que você faz ou quão bem você faz. Então, preocupe-se consigo mesmo antes de se preocupar com o que os outros pensam de você. Se você acredita em algo, não tenha medo de lutar por este algo.
Então faça o que te faz feliz e esteja com quem te faz sorrir, muitas vezes.

7. O que está destinado a ser, eventualmente será

A verdadeira força vem quando você tem motivos para chorar e reclamar, mas você prefere, ao invés disso, sorrir e apreciar a sua vida. Há bênçãos escondidas em todas as lutas que você enfrenta, mas você tem que estar disposto a abrir seu coração e mente para vê-los. Você não pode forçar que as coisas aconteçam. Do contrário você enlouquecerá. Você tem que deixar a vida seguir e deixar o que está destinado a ser, simplesmente ser.
Você tem que parar de se preocupar, pensar o tempo todo e duvidar de cada passo ao longo do caminho. Tem que rir da confusão, viver consciente do momento e desfrutar de sua vida como ela se desenrolar. Você pode não terminar exatamente onde você queria estar, mas você estará onde exatamente precisa estar.

8 . A melhor coisa que você pode fazer é seguir em frente

Não tenha medo de se levantar quando cair. Não tenha medo de amar novamente. Não deixe os machucados no seu coração endurecê-lo. Encontre a força para rir todos os dias. Encontre a coragem de se sentir diferente, se sentir melhor. Encontre a motivação para fazer os outros sorrirem também. Lembre-se que você não precisa de muitas pessoas em sua vida, apenas alguns que valham a pena, por isso não rebaixe-se para ter mais amigos. Seja forte quando as coisas ficarem difíceis. Lembre-se de que o universo está sempre fazendo o que é certo. Reconheça quando você está errado e aprenda realmente com o erro. Sempre olhe para trás e veja o quanto você cresceu, e tenha orgulho de si mesmo. Não mude para qualquer um, a menos que você realmente queira. Doe-se mais. Escreva histórias. Tire fotos. Lembre-se dos pequenos momentos e a forma como seus entes queridos olham para você.
Basta ser você mesmo. Continue crescendo. Continue seguindo em frente.´´


Marc e Angel compartilham uma grande paixão de inspirar
os outros a alcançar seu potencial.
Eles criaram o seu blog com o objetivo de inspirar
o maior número possível de pessoas
e se dedicam diariamente a isto.

A tradução e adaptação dos seus textos
é uma iniciativa do Viva mais verde!
http://vivamaisverde.com.br/2014/01/8-verdades-para-serem-lembradas-quando-tudo-parecer-dar-errado/

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A Realidade e o Espelho

 

 

Estamos todos individualmente cercados por uma bolha de vidro.

Como um espelho, essa bolha reflete tudo aquilo que acreditamos, valorizamos e sentimos. Assim, a realidade, tal como a vemos, não passa de um mero reflexo de nós mesmos.

Bravejamos contra os céus: “Neste mundo, nada presta!”. O que obteremos como resposta?
Acreditamos que o mundo é apenas feito de dor, sofrimento e ignorância. Como poderia ser diferente, se estas são as únicas coisas que permitimo-nos enxergar?

A realidade é um espelho que reflete a nós mesmos. O contexto em que vivemos é a medida de nossas escolhas. A Iluminação, pois, nada mais é do que aprender a ver além do espelho, reduzi-lo ao máximo que a nós é possível. É a obtenção da Luz que nos permitirá ver tudo com clareza.

Conhece-te a ti mesmo
e conhecerás o universo e os deuses.

Fonte; O Jardim Hermético  -  http://jardimhermetico.blogspot.com.br/2007/11/realidade-e-o-espelho.html

Fonte da imagem:http://www.fabulasecontos.com.br/?pg=descricao&id=300

sábado, 2 de maio de 2015

CONEXÃO MÁGICA

 


Quando você deseja uma nova realidade, tudo à sua volta começa a desejar junto com você. Você não está sozinho em suas escolhas, toda a natureza, o mundo, as pessoas, os acontecimentos e o Universo estão dispostos a lhe ajudar a conseguir. As suas coordenadas internas irão, passo a passo, identificando, restaurando, alimentando e delineando os detalhes da sua nova realidade e tudo à sua volta vai captando cada sinal emitido por suas escolhas. 

De repente, é como se o mundo inteiro, soubesse o que você quer. É daí que surge o processo da sincronicidade que muito se assemelha a uma coincidência milagrosa. Através desta sincronia você perceberá que os acontecimentos e as pessoas, conhecidas ou não, conspiram para que o seu desejo seja realizado. Assim como você conspira, mesmo que inconscientemente, para que a realidade desejada de qualquer ser humano possa ser realizada. E você perceberá, cada vez mais, uma conexão mágica se engajando aos seus propósitos.

Cada um de nós, seres vivos ou não, é um receptor e emissor de energia e informação. Enviamos mensagens o tempo inteiro e por isso a sua vibração combina com o tipo de mensagem que está enviando às pessoas e aos acontecimentos.

Estas pistas indicam a maneira como a vida reage a você. Seus amigos, familiares e desconhecidos se conectam a você determinados pelos sinais que a sua vibração está emitindo. Tudo o que você sente, pensa, crê e deseja é percebido pelo ambiente a sua volta. Você é como um sistema elétrico pulsante que envia vibrações ao mundo o tempo inteiro. Quer você perceba isso ou não, a sua energia pessoal está ressoando ininterruptamente.

Se você quer mudar a realidade atual da sua vida, terá que administrar os sinais que você está fabricando em seu mundo interior. Estes sinais devem combinar com a sua nova realidade. Por isso uma mudança externa é sempre fruto inexorável de uma força motriz movida pelo seu mundo interior. Se você diz: quero que tudo mude!

Então está dando o primeiro passo para que o seu ser se mova em busca de mudanças internas. Você muda quando para de focar os problemas que está vivendo e passa a dar atenção às soluções.

V. Weyrich

Fonte:http://universonatural.wordpress.com/2014/04/30/conexao-magica/

domingo, 19 de abril de 2015

O MÁGICO DE OZ - UMA ANALOGIA COM O TRABALHO INTERIOR


Imagem google
Sentei para fazer a prática da meditação e percebi que estava totalmente “fora do centro”. O mental estava intranqüilo, o corpo se recusava a ficar imóvel e havia uma sensação de distanciamento em meu peito. Conseguia me sentir fora de mim e esta percepção me afligia, mas insisti em tentar me comunicar, me conectar com algo que me desse um eixo. 

Nessa tentativa, me veio à mente a estória do Mágico de Oz e a figura do homem de lata em busca de um coração. E aí surgiu a analogia com a busca do Trabalho e o esforço e me percebi como esse homem de lata, robótico, em busca de um coração, de um contato com algo maior em mim e como o leão, querendo encontrar a coragem que lhe falta, e como o espantalho em busca de um cérebro, um mental lúcido. Dorothy, uma menina (em minha analogia, a Alma), após um vendaval é levada para longe de seu lar e se perde. Na sua busca do caminho de volta para casa, ela encontra essas três figuras (o homem de lata, o leão e o espantalho), que lhe pedem ajuda para realizar os seus desejos. Na vida, saio em busca desses três personagens que correspondem aos três centros. 

Sou como o homem de lata, sem um coração verdadeiro; como o leão a quem tudo amedronta, até a própria vida e a busca, com minhas dúvidas, anseios, emoções negativas e toda a parafernália externa em que vivo; como o espantalho, vivo como um fantoche na vida, me deixo levar de um lado para o outro, sem um cérebro, uma inteligência que me Oriente e me Guie com lucidez. Mas, para que tudo se transforme, é preciso seguir o caminho, é preciso ajuda, que, com a persistência, virá em seu auxílio. Dorothy segue com os três, enfrentando os obstáculos, sem perder a alegria e com a certeza de que voltará para seu lar. 

E nessa jornada, com seus três ‘amigos’ a segui-la, ela consegue a ajuda do povo pequeno de Oz[1] e, por meio deles, chegar até o Mágico desse reino encantado. Esse mago[2] lhes dará tarefas a serem executadas antes de realizar seus desejos. Uma dessas tarefas é vencer a bruxa malvada do Norte, que mantém o povo pequeno como prisioneiro. Nada neste mundo nos é dado gratuitamente. Um esforço nos é exigido para alcançarmos o que quer que seja, mas principalmente o contato com a Alma, que é a intermediária entre o Céu e a terra. 

Dorothy segue a yellow brick road, a estrada de tijolo amarelo, no meu entender, a estrada do Sol. Só a estrada pode conduzi-la ao encontro do mago, do senhor de Oz, o único que poderá ajudá-la a voltar para casa. Nesses personagens estão unidos a Vontade, a Coragem, a Fé (de Dorothy para voltar ao seu lar) e a Esperança (do espantalho que sabe que sem um cérebro não é nada). Só depois de cumpridas as tarefas e cristalizadas neles a Vontade, a Coragem, a Fé e a Esperança é que nossos amigos em equilíbrio e harmonia vêem os seus desejos realizados e podem voltar ao LAR.

Esta analogia de alguma forma mágica[3] me tranqüilizou e transformou o meu estado de espírito naquela manhã, dando-me forças para continuar no caminho apesar das controvérsias, dos atropelos e de toda a insegurança desta vida material. Há algo precioso em meu ser que não me deixa esmorecer e me acalenta nos momentos de aflição. Sou grata a esta “magia” dentro de meu Ser, a este Mágico de Oz (para mim a Consciência), que possui o dom e o poder de me guiar com Coragem e Força, que conhece a estrada do Sol, o caminho de volta para Casa.

1 - Oz – palavra que em hebraico significa coragem, força.
2 - mago – aqui com o sentido de magus, um homem sábio que, utilizando-se de atividades místicas e de autoconhecimento, busca a sabedoria Sagrada e a elevação de potencialidades do ser humano.
3 - mágica, magia - a palavra Magia provém da língua persa magus ou magi e significa tanto imagem quanto um homem sábio, e pode significar tambem fascínio.

AUTORA:Lourdes Baptistella

FONTE:http://www.ogrupo.org.br/ser-13.asp#O Mágico de Oz – Uma analogia com o trabalho interior

PRESTE ATENÇÃO EM VOCÊ



Era uma vez três irmãos. Um deles decidiu cuidar dos enfermos, o segundo quis dedicar-se à paz, o terceiro foi para o deserto viver como eremita. Passaram-se os anos. Um dia, quando os dois primeiros se encontraram, tiveram de reconhecer que não haviam conseguido preencher as suas expectativas. Desejaram praticar o bem, mas não conseguiram. O mundo não havia se tornado melhor.

Então resolveram procurar o terceiro irmão, que havia ido para o deserto. Este pegou um jarro cheio de água e despejou o líquido lentamente num outro jarro.

- O que vocês estão vendo? – perguntou ele aos outros dois mostrando o jarro.

- Água jorrando. – responderem eles.

O eremita colocou o recipiente de lado, esperou alguns minutos até a água ficar totalmente parada e perguntou novamente:

- O que vocês estão vendo agora?

Os dois olharam para dentro do jarro e responderam:

- Agora estamos nos vendo refletidos na água.

Então meus irmãos, vocês também precisam atingir a serenidade para se reconhecerem. Só então poderão realmente ajudar os outros.

Essa história foi contada entre os monges cristãos que viveram há 1700 anos como eremitas nos desertos do Alto Egito. Provavelmente, naquela época já existia a tendência de, por excesso de ativismo, passar-se pela vida sem dar atenção a si mesmo. Certamente os dois primeiros irmãos tinham intenções nobres, mas faltava-lhes o fundamental para poderem se dedicar aos semelhantes com todas as forças e todo o coração. Conheciam muito pouco a si mesmos. Possivelmente a motivação deles não era clara. E assim não conseguiram converter as suas boas intenções em boas ações.

O terceiro irmão colocou o espelho diante deles. Olhem-se bem! Saibam claramente quem vocês são, o que querem e por que o querem. Senão vocês fracassarão, consigo mesmos e com os outros.

(...) “Preste atenção em você!”, era o conselho dado nos primeiros séculos nos eremitérios egípcios a muitos buscadores que estavam no caminho. Os velhos monges estavam convencidos: aquele que não se conhece e não presta atenção em si mesmo ignora o essencial.

Este é um trecho de um capítulo retirado do livro: Como um místico amarra os seus sapatos – o segredo das coisas simples de Lorenz Marti. Recomendo a leitura!

FONTE: http://sintonizesuavida.blogspot.com.br/2013/09/autoconhecimento.html

sábado, 18 de abril de 2015

TUDO ACONTECE PARA O MELHOR.




Você deve lembrar-se de que tudo o que acontece, acontece para o melhor. Há uma distribuição divina das coisas. Sua vida estaria empobrecida sem todas as coisas que lhe ocorreram. Por isso, tudo deve ser aceito, o bom e o mau. De fato, você não tem escolha: se desejar o bom, terá o mau também. Todas as situações têm dois aspectos. Se quiser o lado ‘cara’ de uma moeda, deve ficar também com a face ‘coroa’. É inútil esperar apenas o prazer. O prazer e a dor estão sempre juntos. É preciso ficar com os dois, ou com nenhum deles. Quando ocorre algo, antes de tudo, receba-o. Esta é a verdade. Aconteceu. Você pode recusá-lo e dizer que não se passou? Não. Depois de ter chorado e se lamentado, vai aceitá-lo de qualquer modo. Por que, então, não o acolher desde o princípio? Diga sim a tudo. Quando você aceita um acontecimento de boa vontade, não há sofrimento.

O medo deve ser banido de sua vida.
O temor de que algo sobrevenha é pior do que o fato em si. Os medrosos, muitas vezes, morrem antes da hora. O medo deve ser suprimido de sua vida, porque é irracional e bloqueia a ação.
“Olhamos para a frente e para trás e nos enfraquecemos por causa daquilo que não existe.” (Shelley)
O hábito pernicioso de pensar no futuro e no passado deve ser rompido. Não é preciso tolerar que o passado o domine, nem que o reflexo do futuro influencie o presente, a realidade. Você só pode viver no presente quando o passado e o futuro forem eliminados. 

Apenas o presente é real, passado e futuro são meras ilusões. Viver no presente significa aceitar tudo o que vem. Em vez de rejeitar a realidade, de qualificá-la como boa ou má, agradável ou desagradável, experimente tudo o que lhe chega, porque tudo isso é vida. Não fuja da vida.
Quando dizemos que algo é bom ou mau para a pureza interior, não estamos vendo as coisas como são. Não há bem nem mal no objeto em si. Quando se toma muita quantidade de alguma bebida alcoólica, diz-se que o álcool faz mal, mas o caráter de ‘mau’ reside em nós mesmos e não no álcool.

Você está em uma gaiola de vidro que chama de fortaleza. Como pode haver limite para o estado de Brahmachari*? Tudo o que jogar no fogo será consumido por ele. Da mesma forma, se houver um estado de Brahmachari dentro de você, tudo que entrar em contato com ele será transformado. Devemos reinar sobre tudo o que nos diz respeito. O verdadeiro monge (sannyasi) é mestre de si mesmo em qualquer circunstância. 

Vestirá a seda mais cara com a mesma tranqüilidade com que usa roupas rasgadas; servir-se-á de um alimento principesco ou de uma sopa caseira com a mesma satisfação. Mas ele é moderado, come de acordo com suas necessidades. Não dormirá demais se estiver deitado em um colchão macio. Não é escravo de nada e pode, de uma forma ou de outra, adaptar-se fácil e alegremente a qualquer situação.
Se um pedaço de gengibre pode perturbar o seu estado de Brahmachari, então, de que vale esse estado?
*O estado de Brahmachari é o estado de quem vive na não-identificação. (N.T.)

Swami Prasnanpad

Fonte: http://www.ogrupo.org.br/ser-12.asp#Tudo acontece para o melhor (Swami Prasnanpad)

domingo, 12 de abril de 2015

Um olhar do universo sobre si mesmo



Nós, seres humanos, somos a única espécie nesse planeta capaz de olhar para o mundo e se perguntar: De onde veio tudo isso? Foi criado por algo? Surgiu do nada? Quais são seus constituintes? Como chegamos até aqui? O que há lá fora?
   Todas essas perguntas nos intrigam durante milênios e, com essa curiosidade, embarcamos numa viagem de descobertas e realizações que nos trouxe à esse conturbado mundo em que vivemos hoje. A ciência é o empreendimento humano com maior impacto em nossas vidas, seus resultados estão em todos os lugares: nos edifícios, nos meios como nos locomovemos e nos comunicamos e na forma como vemos o mundo ao nosso redor. Através da ciência, somos capazes de dar a volta ao mundo em questão de horas, ir ao espaço, mandar robôs à outros planetas, tirar fotos de bilhões de anos luz de distância e deslumbrar o quão vasto e misterioso é o universo em que vivemos.
   Mas no nosso quotidiano, estamos sob pressões sociais, psicológicas, biológicas que nos levam a gastar nossas energias na sobrevivência, esquecendo durante boa parte de nossas vidas, alguns durante toda a vida, o que realmente somos. Nós, como todas as criaturas que conhecemos, fazemos parte desse universo, os átomos que constituem nossos corpos foram forjados no centro de estrelas a bilhões de anos atrás. Nós somos o universo. Como somos a única criatura conhecida capaz de formular questões existenciais e, ao menos em parte, responde-las, sendo assim, nós somos o próprio universo consciente e capaz de investigar a si próprio, somos o universo olhando para si e tentando defini-lo, descobrir seus mistérios, sua origem, formar um olhar do universo sobre si mesmo. {FONTE}

FONTE DA IMAGEM:Por Anónimo - Collection of the Kalabhavan Banares Hindu University., Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2591813

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O Aprender a Conhecer-se — A Simplicidade e a Humildade — O Condicionamento.





Se considerais importante conhecerdes a vós mesmo só porque eu ou outro disse que é importante, receio então que esteja terminada toda comunicação entre nós. Mas, se concordamos ser de vital importância compreendermos a nós mesmos, totalmente, torna-se então diferente a relação entre vós e mim e poderemos explorar juntos, fazer com agrado uma investigação cuidadosa e inteligente.

Eu não vos exijo fé; não me estou arvorando em autoridade. Nada tenho para ensinar-vos — nenhuma filosofia nova, nenhum sistema novo, nenhum caminho novo para a realidade; não há caminho para a realidade, como não o há para a verdade. Toda autoridade, de qualquer espécie que seja, sobretudo no campo do pensamento e da compreensão, é a coisa mais destrutiva e danosa que existe. Os guias destroem os seguidores, e os seguidores destroem os guias. Tendes de ser vosso próprio instrutor e vosso próprio discípulo. Tendes de questionar tudo o que o homem aceitou como valioso e necessário.

Se não seguis alguém, vos sentis muito solitário. Ficai solitário, pois. Porque tendes medo de ficar só? Porque vos defrontais com vós mesmo, tal como sois, e descobris que sois vazio, embotado, estúpido, repulsivo, pecador, ansioso — uma entidade insignificante, sem originalidade. Enfrentai o fato; olhai-o e não fujais dele. Tão logo começais a fugir, começa a existir o medo. Ao investigar-nos não nos estamos isolando do resto do mundo. Não se trata de um processo mórbido. O homem, em todo o mundo, se vê enredado nos mesmos problemas diários, tal como nós, e, assim, investigando a nós mesmos, não estamos de modo nenhum procedendo como neuróticos, porque não há diferença entre o individual e o coletivo. Este é um fato real. Criei o mundo tal como sou. Portanto, não nos desorientemos nesta batalha entre a parte e o todo.

Tenho de estar cônscio de todo o campo de meu próprio ser, que é constituído da consciência individual e social. É só quando a mente transcende a consciência individual  e social, que posso tornar-me a luz de mim mesmo, a luz que nunca se apaga.

Pois bem; onde começaremos a compreender a nós mesmos? Aqui estou eu, e como é que vou estudar-me, observar-me, ver o que realmente está sucedendo em meu interior? Só posso observar-me em relação, porque a vida é toda de relação. De nada serve ficar sentado num canto a meditar sobre mim mesmo. Não posso existir sozinho. Só existo em relação com pessoas, coisas e idéias e, estudando minha relação com as pessoas e coisas exteriores, assim como com as interiores, começo a compreender a mim mesmo. Qualquer outra forma de compreensão é mera abstração, e não posso estudar-me abstratamente; não sou uma entidade abstrata; por conseguinte, tenho de estudar-me na realidade concreta — assim como sou, e não como desejo ser.

A compreensão não é um processo intelectual. A aquisição de conhecimentos a vosso próprio respeito e o aprendizado de vós mesmo são duas coisas diferentes, porque o conhecimento que a vosso respeito acumulais é sempre do passado, e à mente que leva a carga do passado é uma mente lamentável. O aprendizado de vós mesmo não é como o aprendizado de uma língua, uma técnica ou uma ciência; neste último caso, naturalmente, tendes de acumular e memorizar, pois seria absurdo voltar sempre de novo ao começo. Mas, no campo psicológico, o aprendizado de vós mesmo está sempre no presente, ao passo que o conhecimento está sempre no passado e, como a maioria de nós vive no passado e está satisfeita com o passado, o conhecimento se torna sumamente importante para nós. É por essa razão que endeusamos o homem erudito, talentoso, sagaz. Mas, se estais aprendendo a todo momento, a cada minuto, aprendendo pelo observar e pelo escutar, aprendendo pelo ver e atuar, vereis então que o aprender é um movimento infinito, sem o passado.

Se dizeis que aprendereis a conhecer-vos gradualmente, acrescentando sempre mais alguma coisa, pouco a pouco, não vos estais estudando agora como sois, porém por meio do conhecimento adquirido. O aprender requer muita sensibilidade. Não há sensibilidade se existe alguma idéia, que é do passado, dominando o presente. A mente já não é então ágil, flexível, alertada. A maioria de nós não é sensível, nem mesmo fisicamente. Comemos em excesso, sem nos importarmos com o regime mais adequado; abusamos do fumo e da bebida, e, dessa maneira, o nosso corpo se torna pesado e insensível; a capacidade de atenção do próprio organismo se embota. Como pode haver uma mente muito alertada, sensível, clara, se o próprio organismo está embotado e pesado? Podemos ser sensíveis a certas coisas que nos atingem particularmente, mas, para sermos completamente sensíveis a tudo o que decorre das exigências da vida, não deve haver separação entre o organismo e a psique. Trata-se de um movimento total.

Para compreendermos qualquer coisa, temos de viver com ela, observá-la, conhecer-lhe todo o conteúdo, a natureza, a estrutura, o movimento. Já experimentastes viver com vós mesmos? Se o experimentardes, começareis a ver que "vós" não sois uma entidade estática, porém uma coisa vigorosa, viva. E, para poder viver com uma coisa viva, vossa mente também tem de estar viva. Não pode, porém, estar viva, se está enredada em opiniões, juízos e valores.

Para observardes o movimento de vossa mente e de vosso coração, de vosso ser inteiro, necessitais de uma mente livre; e não de uma mente que concorda e discorda, que toma partido numa discussão, disputando por causa de meras palavras, porém que acompanha a discussão com a intenção de compreender. Isso é dificílimo, porque não sabemos olhar nem escutar o nosso próprio ser, assim como não sabemos olhar a beleza de um rio, ou escutar o murmúrio da brisa entre as árvores.

Quando condenamos ou justificamos, não podemos ver com clareza, e também não podemos fazê-lo quando nossa mente está a tagarelar incessantemente; não observamos então o que é; só olhamos nossas próprias "projeções". Temos, cada um de nós, uma imagem do que pensamos ser ou deveríamos ser, e essa imagem, esse retrato, nos impede inteiramente de vermos a nós mesmos como realmente somos.

Uma das coisas mais difíceis do mundo é olharmos qualquer coisa com simplicidade. Como nossa mente é muito complexa, perdemos a simplicidade. Não me refiro à simplicidade no vestir ou no comer, no usar apenas uma tanga ou bater um recorde de jejum, ou qualquer outra das absurdas infantilidades que os santos praticam; refiro-me àquela simplicidade que nos torna capazes de olhar as coisas diretamente e sem medo, capazes de olhar a nós mesmos sem nenhuma deformação, de dizer que mentimos quando mentimos e não esconder o fato ou dele fugir.

Outros sim, para compreendermos a nós mesmos, necessitamos de muita humildade. Se começais dizendo: "Eu me conheço" — já travastes o processo do auto-aprendizado; ou, se dizeis "Não há muito que aprender a meu respeito, porque sou apenas um feixe de memórias, idéias, experiências e tradições" — tereis também parado o processo de aprendizado a vosso próprio respeito. No momento em que alcançais qualquer alvo, perdeis o atributo da inocência e da humildade; no momento em que chegais a uma conclusão ou começais a examinar com base no conhecimento, está tudo acabado, porque então estais traduzindo tudo o que é vivo em termos do velho. Mas se, ao contrário, não tendes nenhum ponto de apoio, nenhuma certeza, nenhuma perfeição, estais em liberdade para olhar, e quando olhais uma coisa em liberdade, ela é sempre nova. Um homem seguro de si é um ente morto.

Mas, como ser livre para olhar e aprender, quando nossa mente, da hora do nascimento à hora da morte, é moldada, por uma determinada cultura, no estreito padrão do "eu"? Há séculos vimos sendo condicionados pela nacionalidade, a casta, a classe, a tradição, a religião, a língua, a educação, a literatura, a arte, o costume, a convenção, a propaganda de todo gênero, a pressão econômica, a alimentação que tomamos, o clima em que vivemos, nossa família, nossos amigos, nossas experiências — todas as influências possíveis e imagináveis — e, por conseguinte, nossas reações a cada problema são condicionadas.

Percebeis que estais condicionado? Esta é a primeira coisa que deveis perguntar a vós mesmo, e não como vos libertardes do condicionamento. Pode ser que nunca vos livrareis dele, e se disserdes "Preciso livrar-me dele", podereis cair noutra armadilha, noutra forma de condicionamento. Assim, percebeis que estais condicionado? Sabeis que até mesmo quando olhais uma árvore e dizeis "Aquela árvore é uma figueira" ou "Aquela árvore é um carvalho", o dar nome à árvore, que é conhecimento botânico, de tal maneira vos condiciona a mente que a palavra se interpõe entre vós e o real percebimento da árvore? Para entrardes em contato com a árvore tendes de tocá-la com a mão, e a palavra não vos ajudará a tocá-la.

Como podeis saber que estais condicionado? Que é que vos diz isso? Que é que vos diz que estais com fome? — não como teoria, porém o fato real da fome? Do mesmo modo, como é que descobris o fato real de que estais condicionado? Pela vossa reação a um problema, a um desafio, não é? Reagis a cada desafio segundo o vosso condicionamento e como vosso condicionamento é inadequado reagirá sempre inadequadamente.

Quando vos tornais cônscio dele, esse condicionamento de raça, de religião e cultura vos faz sentir aprisionado? Considerai uma única modalidade de condicionamento, a nacionalidade, considerai-a seriamente, com pleno percebimento, para verdes se vos agrada ou se vos revolta, e se vos revolta, se sentis vontade de libertar-vos de todo condicionamento. Se vosso condicionamento vos satisfaz, é óbvio que nada fareis a respeito dele; mas, se não vos sentis satisfeito ao vos tornardes cônscio dele, percebereis que nunca fazeis coisa alguma sem ele. Nunca Por conseguinte, estais sempre vivendo no passado, com os mortos.

Só percebereis por vós mesmo o quanto estais condicionado quando se manifestar um conflito na continuidade do prazer ou na fuga à dor. Se tudo ao redor de vós decorre de maneira perfeitamente feliz, vossa esposa vos ama, vós a amais, tendes uma bonita casa, filhos interessantes e dinheiro à farta, nesse caso não estais cônscio de vosso condicionamento.


 Mas, quando surge uma perturbação, quando vossa esposa olha para outro homem, ou perdeis vossa fortuna, ou vos vedes ameaçado pela guerra ou qualquer outra coisa que cause dor ou ansiedade — então sabeis que estais condicionado. Quando lutais contra uma perturbação qualquer ou vos defendeis de uma dada ameaça exterior ou interior, sabeis então que estais condicionado. 

E, como a maioria se vê perturbada na maior parte do tempo, seja superficialmente, seja profundamente, essa nossa própria perturbação indica que estamos condicionados. Enquanto um animal é mimado, reage agradavelmente, mas no momento em que se vê hostilizado, toda a violência de sua natureza se revela.

Vemo-nos perturbados a respeito da vida, da política, da situação econômica, do horror, da brutalidade e do sofrimento existentes tanto no mundo como em nós mesmos, e essa perturbação nos revela quão estreitamente condicionados estamos. Que devemos fazer? Aceitar a perturbação e ir vivendo com ela, como o faz a maioria dos homens? Acostumar-nos com ela, assim como nos acostumamos com uma dor nas costas? Conformar-nos com ela?

É tendência de todos nós conformar-nos com as coisas, acostumar-nos com elas, delas culpando as circunstâncias. "Ah, se as coisas estivessem correndo bem, eu seria diferente", dizemos, ou "Dai-me a oportunidade e eu me preencherei", ou "Esmaga-me a injustiça de tudo isso" — sempre a culparmos das nossas perturbações os outros ou o nosso ambiente ou a situação econômica.

Se nos acostumamos com a perturbação, isso significa que nossa mente se embota, assim como uma pessoa pode acostumar-se de tal maneira com a beleza que a cerca, que nem a nota mais. Tornamo-nos indiferentes, calejados, insensíveis, e nossa mente se embota mais e mais. Se não podemos acostumar-nos com a perturbação, dela tratamos de fugir, recorrendo a uma certa droga, ou ingressando num partido político, bradando, escrevendo, assistindo a uma partida de futebol, indo a uma igreja ou templo, ou procurando outro tipo de divertimento.

Por que razão fugimos dos fatos reais? Temos medo da morte — isso apenas para exemplo — e inventamos teorias, esperanças e crenças de toda espécie, para disfarçarmos o fato da morte, mas esse fato continua existente. Para compreendermos um fato cumpre olhá-lo e não fugir dele. Em geral, temos tanto medo do viver como do morrer. Temos medo de nossa família, da opinião pública, de perder nosso emprego, nossa segurança, medo de centenas de outras coisas. O fato simples é que temos medo, e não que temos medo disto ou daquilo. Mas, porque é que não podemos enfrentar esse fato?

Só podemos enfrentar um fato no presente; mas, se nunca o deixais estar presente, porque estais sempre a fugir dele, nunca podereis enfrentá-lo, e, tendo criado uma verdadeira rede de fugas, estamos dominados pelo hábito da fuga.

Ora, se sois sensível, sério, por pouco que seja, não só estareis cônscio de vosso condicionamento, mas também dos perigos dele decorrentes, da brutalidade e do ódio a que ele conduz. Por que então, se estais vendo o perigo de vosso condicionamento, não agis? É por que sois indolente? Indolência é falta de energia; entretanto, não vos faltará energia em presença de um perigo físico imediato — uma serpente no vosso caminho, um precipício, um incêndio. Por que então não agis ao verdes o perigo de vosso condicionamento? Se vísseis o perigo do nacionalismo para vossa própria segurança, não agiríeis?

A resposta é que não vedes. Por um processo intelectual de análise podeis ver que o nacionalismo leva à autodestruição, mas nisso não há nenhum conteúdo emocional. Só quando há esse conteúdo emocional, tendes vitalidade.

Se vedes o perigo de vosso condicionamento como um mero conceito intelectual, jamais fareis coisa alguma em relação a ele. No perceber um perigo como uma mera idéia, há conflito entre a idéia e a ação e esse conflito tira-vos a energia. Só quando vedes o condicionamento e o seu perigo imediatamente, tal como vedes um precipício, é só então que agis; portanto, ver é agir.

A maioria de nós percorre a vida desatentamente, reagindo sem pensar, de acordo com o ambiente em que fomos criados, e tais reações só acarretam mais servidão, mais condicionamento; mas, no momento em que aplicardes toda a atenção ao vosso condicionamento, ver-vos-eis inteiramente livres do passado; ele se desprenderá naturalmente de vós.


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