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quinta-feira, 21 de julho de 2016
sexta-feira, 27 de maio de 2016
terça-feira, 30 de setembro de 2014
HORA DE ACORDAR - ALAN WATTS
Imagem Google
“Despertar não significa que você despertou, significa que há apenas o despertar. Não há “você” que está desperto, só existe pura consciência. Enquanto você se identificar com um “você” que esteja acordado ou não acordado, você ainda estará sonhando. Despertar é despertar do sonho da existência de um “eu separado”, é a revelação que existe apenas consciência.”
– Adyashanti
– Adyashanti
Este vídeo apresenta, de forma humorada o que a frase assim está querendo dizer.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
O QUE NÃO O DEIXA SABER QUEM VOCÊ É?
A sociedade, a cultura, a família, estimulam desde cedo, cada componente a ser ele mesmo, a buscar sua individualidade, a fortalecer seu ego.
Com o passar do tempo este condicionamento se consolida e, segundo Alan Watts "a sensação de 'eu' como um centro de ser solitário e isolado é tão poderosa e é experimentada de um modo tão comum, tão fundamental nas nossas formas de falar e pensar, nas nossas leis e instituições sociais, que não conseguimos experimentar ser, exceto como algo de superficial no esquema do universo."
Entretanto, muitos filósofos e espiritualistas, compreendem que realmente não estamos isolados nem solitários e, no dizer de Alan Watts "nós não viemos a este mundo; viemos dele, como as folhas de uma árvore. Tal como o oceano produz ondas, o universo produz pessoas. Cada indivíduo é uma expressão de todo o reino da natureza, uma ação singular do universo total."
Daí decorre também o fato de que é impossível eliminar o ego porque simplesmente não existe nada separado do Todo. O ego é uma ficção da mente.
Acreditando-se que somos unos com tudo e por isso mesmo inseparáveis do todo, que necessidade teríamos desta união com Deus?
Quando entendermos que não há o outro, seja o ego, seja outro indivíduo ou mesmo Deus porque tudo é uma unidade, quando esta afirmação de unidade deixar de ser um conhecimento e passar a ser algo que passamos a sentir, a vivenciar, então, descobriremos que não há nada mais a descobrir, a realizar, a buscar porque já somos tudo que buscávamos, apenas havíamos esquecido disto.
Ao fim e ao cabo,
"A assim chamada realização de si mesmo é a descoberta, para si mesmo e por você mesmo, de que não existe você mesmo para ser descoberto". (UG Krishnamurti)
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Na compreensão de UG Krishnamurti, a forma de sair do ciclo vicioso da mente é quebrar a continuidade do pensamento. Quando isto acontece, mesmo por uma fração de segundo, o domínio do pensamento será anulado e o corpo cai em seu ritmo natural. E, o ritmo natural do corpo e suas ações, já são perfeitos e por isso a harmonia já está lá.
O "estado natural" de que ele fala é sem dúvida um estado de silêncio, de vazio interior, sendo impossível de se conseguir intencionalmente pela prática de técnicas meditativas, terapias, rituais, contemplação, etc, visto que esses processos estão sempre recriando a relação sujeito-objeto, a qual supõe sempre o tempo, o esforço e o vir a ser.
Por isso U.G. diz que "o estado natural é acausal - está além do fazer, da causa e efeito".
Assim, se o ego, reconhecendo seu estado de tormento interior, percebe de maneira profunda, completa e total que nada pode fazer para atingir a união tão almejada com o Divino, então ele pode cessar todo o esforço e repousar exatamente nessa bem-aventurança.
Assim, se o ego, reconhecendo seu estado de tormento interior, percebe de maneira profunda, completa e total que nada pode fazer para atingir a união tão almejada com o Divino, então ele pode cessar todo o esforço e repousar exatamente nessa bem-aventurança.
Alan Watts - Tabu - O que não o deixa saber quem você é? -Tradução de Fernando de Castro ferreira e Olavo de Carvalho. Editora Três.
UG Krishnamuti um Filósofo Radical. in : http://www.desenredo.com.br/Textos/UG_Artigo.htm
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
SEMEAR O GRÃO, COLHER O FRUTO
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Esta observação pode ser aplicada à todos os esforços de auto melhoria empreendidos com o auxílio de gurus, de meditações, da prática da ioga, da aceitação de si, da psicoterapia, e mesmo da existência conduzida totalmente no momento presente. Tudo que se aprende é que tais disciplinas contêm em si mesmas sua própria contradição, tanto quanto tentar se elevar do solo apoiando-se nos tornozelos.
E essa descoberta pode ter seu lado bom, pois nossa energia psíquica e física se encontra, assim liberada de tarefas impossíveis para poder se concentrar apenas no possível: poderemos então semear os grãos, colher os frutos, construir casas, cantar canções, fazer amor, e viver até que a morte nos interrompa.
E eu chamo a atenção sobre esse ponto para melhorar a sorte da humanidade? Estaria então em contradição comigo mesmo. Digo-o mais para que nos permitamos semear os grãos e colher os frutos, em toda liberdade. Nada a fazer quanto ao que seja melhor ou pior, progresso ou recuo.
Esses são juízos de valor e disse-se bem: "Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois sereis julgados do julgamento de que julgais e medir-vos-ão com a medida com que medis." E se disser agora: "mais isso também é um julgamento!" - ainda assim se elabora um outro julgamento. É melhor não julgar? Não, trata-se apenas de viver e morrer, dia e noite, de ir e vir, um estado de coisas onde o mal e o bem não podem ser isolados.
Alan Watts em:Tabu, p. 141-142. Tradução de Fernando de Castro Ferreira e Olavo de Carvalho.
Nota: De acordo com este posicionamento, para se auto realizar, basta viver, ou seja, semear o grão, colher o fruto, simples assim, mas... consciente de tudo que isto implica ....
Fonte da imagem: http://deusguianossospassos.blogspot.com.br/2013_03_01_archive.html
domingo, 14 de julho de 2013
O UNIVERSO = DEUS BRINCANDO
Escondido na flor do maracujá
É por isso que é tão difícil, para você e para mim, descobrirmos que somos Deus disfarçado, fingindo que ele não é ele. Mas quando a brincadeira já durou muito, todos nós acordamos, paramos de fingir e recordamos que somos todos um só ser - o Deus que é tudo aquilo que existe e que vive para sempre e sempre."
Alan Watts
POR QUE NÃO VEMOS DEUS?
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| Google Images |
Alan Watts
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
DIAGNÓSTICO PRECISO DA DOENÇA DESTA CIVILIZAÇÃO
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| Fonte: Google Images |
Hoje, lendo mais uma vez meu livrinho TABU de Alan Watts (é um dos meus preferidos), descobri que no prefácio do livro deste livro ele foi capaz de fazer uma síntese maravilhosa, um diagnóstico preciso da doença da nossa civilização e do remédio que necessitamos. Por isso estou compartilhando esta página com vocês.
PREFÁCIO
"Este livro investiga um poderoso embora não reconhecido tabu: nossa conspiração tácita para ignorarmos quem ou o que realmente somos.
Em resumo, sua tese é que a sensação vigente de que nossa própria pessoa é um ego separado, distinto e encerrado num invólucro de pele, constitui uma alucinação que não se harmoniza nem com a ciência ocidental, nem com as religiões-filosofias experimentais do Oriente, particularmente com a filosofia central e germinal do hinduísmo: o vedanta.
Essa elucidação subjaz ao emprego abusivo da tecnologia para o domínio violento do meio ambiente natural do homem e, por conseguinte, à sua eventual destruição.
Assim, necessitamos urgentemente de um sentido de nossa própria existência, que se adapte aos fatos físicos e nos permita vencer o sentimento de estarmos alienados do universo.
Para conseguir este propósito, recorri às intuições do vedanta, apresentando-as, contudo, num estilo completamente moderno e ocidental - de maneira que este volume não procura ser uma obra didática ou uma introdução ao vedanta no sentido comum.
É, antes, um enxerto fertilizante da ciência ocidental com uma intuição oriental.
.....
Sausalito, Califórnia
Califórnia
Janeiro de 1966
Allan Watts
Nota do editor do blog: Deixei de colocar o parágrafo final onde ele coloca os agradecimentos por não achar necessário.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
EGO, VERDADEIRA FALSIFICAÇÃO LEGÍTIMA
Imagem google
Segundo Allan Watts o mundo, como ele existe atualmente, tem por base:
"[...] a suposição inicial de que o indivíduo é o ego separado e, como esta suposição é obra de um 'duplo vínculo', qualquer tarefa empreendida com esta base - incluindo a religião - acabará por se destruir a si própria.
Justamente por ser um embuste desde o início, o ego pessoal só pode reagir à vida de um modo falso. Porque o mundo é uma miragem eternamente ilusória e eternamente desapontadora, mas isto apenas do ponto de vista de alguém que esteja do lado de fora do mundo - como se fosse outra pessoa - e que, então, o procura apreender.
Sem nascimento e morte, sem a perpétua transmutação de todas as formas de vida, o mundo seria estático, sem ritmo nem dança, mumificado.
Justamente por ser um embuste desde o início, o ego pessoal só pode reagir à vida de um modo falso. Porque o mundo é uma miragem eternamente ilusória e eternamente desapontadora, mas isto apenas do ponto de vista de alguém que esteja do lado de fora do mundo - como se fosse outra pessoa - e que, então, o procura apreender.
Sem nascimento e morte, sem a perpétua transmutação de todas as formas de vida, o mundo seria estático, sem ritmo nem dança, mumificado.
"Todavia, há uma terceira reação que também é possível. Não o recolhimento, não a busca com base na hipótese de uma recompensa futura, mas sim a mais completa colaboração com o mundo, como um sistema harmonioso de conflitos controlados - colaboração baseada na compreensão de que o único 'eu' real é todo o infindável processo.
Esta compreensão já está em nossos ossos, nervos e órgãos sensórios. Nós apenas não conhecemos, no sentido de que o débil raio de atenção consciente aprendeu a ignorá-la - e o aprendeu tão completamente que nos tornamos verdadeiras falsificações legítimas [...]"
Esta compreensão já está em nossos ossos, nervos e órgãos sensórios. Nós apenas não conhecemos, no sentido de que o débil raio de atenção consciente aprendeu a ignorá-la - e o aprendeu tão completamente que nos tornamos verdadeiras falsificações legítimas [...]"
Fonte: Tabu. Alan Watts. Ed. Três. 1966. p.73
SOMOS UMA UNIDADE?
| Google images |
No passado o grande tabu foi o sexo, hoje, vivemos a época da liberação da sexualidade. Então, qual seria hoje o tabu de nossa sociedade ? A pergunta tem razão de ser porque na sociedade sempre há algo que é reprimido, que não se reconhece, que é considerado tabu.
Mas, voltando à questão inicial, hoje em dia, nós, integrantes do dito mundo civilizado, temos o sentimento de sermos solitários e visitantes muito temporários no Universo.
Alan Watts e outras pessoas ( não muitas), com as quais concordo, pelo menos até prova em contrário, acreditam que:
"[...]não viemos a este mundo, 'viemos dele', como as folhas de uma árvore. Tal como o oceano produz ondas, o universo produz pessoas. Cada indivíduo é uma expressão de todo o reino da natureza, uma ação singular do universo total. Raramente este fato é (se é que alguma vez chegou a ser) sentido pela maioria dos indivíduos. Nem mesmo aqueles que conhecem a veracidade teórica deste fato conseguem senti-lo ou apreendê-lo, continuando a ter consciência de si próprios como 'egos' isolados, dentro de sacos de pele. [...]" {Alan Watts (1)}
Este modo de ver o mundo e a nós mesmos, como coisas separadas, predispõe a uma série de consequências:
1 - Ter uma atitude hostil para com o mundo "de fora". Nossa disposição é de conquista em vez de cooperação harmoniosa.
2 - Não temos senso comum, não há condições para dar um sentido ao mundo sobre o qual todos estejam de acordo.
A Hipótese Gaia trata-se, também de uma subversão do mundo do modo como o ocidental vê as coisas do mundo em que vive.
Alan Watts, Gritjof Capra, James Lovelock, Lyn Margules, Arne Naess, Aldo Leopoldo, UG Krihsnamurti, entre outros, chegaram a esta visão do mundo como uma unidade, por diferentes caminhos, entretanto a nota comum a todos é o estudo da filosofia oriental, seja o Zenbudismo, o Vedanta ou outras formas de expressão religioso/filosófica do oriente.
Autora: Josélia Oliveira
Livro consultado:
Watts, Alan. Tabu - O que não o deixa saber quem você é ? Trad. de Fernando de Castro Ferreira e Olavo de Cavalho. Editora Três. Edição especial de Planeta n. 52-A. 1966
quarta-feira, 28 de março de 2012
Perceber o Mundo como Uma Unidade
| http://en.wikipedia.org/wiki/File:Alan_Watts.jpg |
No passado o grande tabu foi o sexo, hoje, vivemos a época da liberação da sexualidade. Então, qual seria hoje o tabu de nossa sociedade ? A pergunta tem razão de ser porque na sociedade sempre há algo que é reprimido, que não se reconhece, que é considerado tabu.
Mas, voltando à questão inicial, hoje em dia, nós, integrantes do dito mundo civilizado, temos o sentimento de sermos solitários e visitantes muito temporários no Universo.
Alan Watts e outras pessoas ( não muitas), com as quais concordo, pelo menos até prova em contrário, acreditam que
"[...]não viemos a este mundo, 'viemos dele', como as folhas de uma árvore. Tal como o oceano produz ondas, o universo produz pessoas. Cada indivíduo é uma expressão de todo o reino da natureza, uma ação singular do universo total. Raramente este fato é (se é que alguma vez chegou a ser) sentido pela maioria dos indivíduos. Nem mesmo aqueles que conhecem a veracidade teórica deste fato conseguem senti-lo ou apreendê-lo, continuando a ter consciência de si próprios como 'egos' isolados, dentro de sacos de pele. [...]" {Alan Watts (1)}
Este modo de ver o mundo e a nós mesmos, como coisas separadas, predispõe a uma série de consequências:
1 - Ter uma atitude hostil para com o mundo "de fora". Nossa disposição é de conquista em vez de cooperação harmoniosa.
2 - Não temos senso comum, não há condições para dar um sentido ao mundo sobre o qual todos estejam de acordo.
A Hipótese Gaia de James Lovelock, trata-se, também de uma subversão do modo como o ocidental vê o mundo em que vive.
Alan Watts, fritjof Capra, James Lovelock, Lyn Margules, Arne Naess, Aldo Leopoldo, UG Krihsnamurti, entre outros, chegaram a esta visão do mundo como uma unidade, por diferentes caminhos, entretanto a nota comum a todos é o estudo da filosofia oriental, seja o Zen Budismo, o Vedanta ou outras formas de expressão religioso/filosófica do oriente.
Esta forma de perceber o Universo como uma unidade atualmente, está bastante difundida principalmente na Índia, povos indígenas, e muitos cientistas/filósofos e seus seguidores.
Josélia Oliveira
Livro consultado:
Watts, Alan. Tabu - O que não o deixa saber quem você é ? Trad. de Fernando de Castro Ferreira e Olavo de Cavalho. Editora Três. Edição especial de Planeta n. 52-A. 1966
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
A ILUSÃO DE SEPARAÇÃO
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| Fonte da imagem : http://spleenbored-minhaspoesiasfavoritas.blogspot.com/2009_05_01_archive.html |
Alan Watts, confidencia, em seu livro Tabu, que:
"[...] o livro que eu confiaria a meus filhos não conteria sermões, deveres e obrigações. O amor genuíno vem do conhecimento, não de um sentimento do dever ou de culpa. Quem gostaria de ser uma mãe inválida com uma filha que não pode casar-se por sentir que deve ficar cuidando da mãe e que portanto a detesta? Meu desejo seria dizer, não o que as coisas devem ser, mas sim como é que são e como e por que razão ignoramos como elas são.
Não podemos ensinar um ego a ser outra coisa que não egoísta, embora os egos tenham as formas mais sutis de se fingirem reformados. A primeira coisa a fazer, portanto, é desfazer, por experimento e experiência, a ilusão do ser como um ego separado.
O resultado pode não ser um comportamento nas linhas da moralidade convencional. Pode muito bem ser como aquilo que os justos disseram de Jesus: "Olhem para ele! Um glutão e um bêbado, um amigo dos cobradores de impostos e dos pecadores!"
Além disso, ao vermos através da ilusão do ego, torna-se impossível pensarmos que o nosso ser é melhor ou superior a outros pelo fato de tê-lo conseguido. Existe apenas, em todas as direções, um só ser nos seus incontáveis jogos de esconde-esconde.
Os pássaros não são melhores do que os ovos de onde saíram. Na verdade, até podemos dizer que um pássaro é a maneira de um ovo se transformar em outros ovos. O ovo é o ego, com o pássaro sendo o ser libertado.
Há um mito hindu em que o Ser é um cisne divino, que pôs um ovo, do qual saiu o mundo. Assim, nem mesmo estou dizendo que devemos sair de nossa casca. Um dia, de qualquer modo, nós (o verdadeiro nós, o ser) faremos isso, seja como for, mas não é possível que o papel do ser permaneça adormecido na maioria de seus disfarces humanos e que, assim, conduza o drama da vida na terra a seu fim, numa vasta explosão.
Outro mito hindu diz que, à medida que o tempo progride, a vida no mundo se vai tornando pior e pior, até que finalmente, o aspecto destrutivo do Ser, Xiva, executa uma terrível dança que consome tudo em fogo.
Depois, diz o mito, seguem-se 4.320.000 anos de paz total, durante os quais o ser é simplesmente ele mesmo e não brinca de esconder.
Depois, o jogo começa de novo, agora como um universo de perfeito esplendor que só se começa deteriorando 1.728.000 anos depois, e cada estágio do jogo é organizado de tal maneira que as forças da escuridão se apresentam apenas durante um terço do tempo, tendo, no final, um breve mas totalmente ilusório triunfo. [...]"
sábado, 14 de janeiro de 2012
O que nos impede de saber quem somos?
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| GOOGLE IMAGES |
Em várias leituras anteriores, pesquisei sobre o problema do ego, como ele pode nos envolver procurando nos fazer pensar que nós somos o ego,etc. A conclusão a que chegamos é que precisamos nos livrar do ego o mais rápido possível para deixar a nossa essência espiritual aparecer e nos conduzir.
Entretanto, lendo Allan Watts, notei que ele afirma:
"quanto mais lutamos por alguma espécie de perfeicão ou de domínio - em moral, em arte ou em espiritualidade - mais vemos que estamos jogando uma forma rarefeita e sublime do velho jogo do ego e que quaisquer alturas que alcançarmos só serão evidentes para nós e para os outros em contraste com o fracasso de outrem.
Esta compreensão é, de início, totalmente paralisante. Estamos numa armadilha no pior dos "duplos vínculos" - vendo que cada direcão que podemos tomar implicará e, portanto, evocará também seu oposto. Decidimos ser um Cristo e haverá um Judas para nos trair e uma multidão para nos crucificar. Decidimos ser um diabo e todos os homens se unirão contra nós no mais íntimo amor fraterno.
Nossa primeira reacão será: para o inferno com tudo! O único caminho poderá parecer esquecer todo o esforco e ficarmos absortos em banalidades ou, então, sairmos do jogo pelo suicídio ou a psicose, passando o resto dos dias delirando num hospício.
Mas há outra possibilidade. Em vez de saimos do jogo, perguntemos o que a armadilha significa.
[...]O sentido de paralisia, é por conseguinte a compreensão nascente de que isto é um absurdo e de que nosso ego independente é uma ficcão. Na realidade ele não existe.
[...]O sentido de "eu" que deveria ter sido identificado como a totalidade da experiência de nosso Universo, foi, em vez disso, cortado e isolado como um observador desligado deste Universo.
[...]Quando sabemos com toda a certeza que o nosso ego separado é uma ficcão, senti-mos, realmente, como todo o processo e padrão da vida. A experiência e o experimentador tornam-se uma experimentacão. O conhecido e o conhecedor tornam-se um conhecimento.
Cada organismo experimenta isto de um ponto de vista diferente e de um modo diferente, pois cada organismo é o Universo experimentando-se numa variedade interminável. Não precisamos portanto cair na armadilha que esta experiëncia prepara para os crentes num Deus externo, todo poderoso - a tentacão de sentir "Eu sou Deus" e esperar ser adorado e obedecido por todos os outros organismos.
[...]Ninguém deve tentar libertar-se da sensacão do ego. É preciso carregá-la enquanto durar, como um aspecto ou representacão do processo total - como uma nuvem ou onda, como uma sensacão de quente ou de frio - ou de qualque coisa que aconteca só por si.
Libertar-se do ego é o último recurso do egoismo invencível. Apenas confirma e fortalece a realidade da sensacão. Todavia, quando esta sensacão de separacão é compreendida e aceita como qualquer outra sensacão, depressa se evapora como a miragem que é.
É por isso que não me mostro muito entusiástico a respeito dos vários "exercícios espirituais", meditacão ou ioga, que alguns consideram essenciais para a libertacão do ego, já que, sempe que são praticados na intencão de receber alguma espécie de iluminacão ou despertar espiritual, acaban por fortalecer a falácia de que o ego pode se libertar simplesmente puxando os cordões de seus sapatos.
Mas nada existe de errado com a meditacão só por meditar, da mesma forma que escutamos música só pela música,
[...]é preciso compreender que o ego é exatamente aquilo que finge não ser. Longe de ser o centro livre da personalidade, é na realidade, um mecanismo automático implantado desde a infäncia pela autoridade social, talvez com um toque de hereditariedade misturado.
[...] Todavia, neste momento, quando parecemos prestes a transformar-nos num fantoche completo, a coisa toda explode, já que não há destino a não ser que haja alguém ou algo a ser destinado. Não há armadilha sem alguém para cair nela.
Não há compulsão, a não ser que haja também liberdade de escolha, pois a sensacão de se comportar involuntariamente só é conhecida por contraste com a de se comportar voluntariamente.
Deste modo, quando a linha entre mim e aquilo que me acontece se dissolve e já não há protecão para um ego, mesmo como uma testemunha passiva, encontro-me não num mundo mas como um mundo que não é nem compulsivo nem caprichoso.
Aquilo que acontece nem é automático nem arbitrário: acontece, simplesmente, e os acontecimentos são todos interdependentes de um modo que parece incrivelmente harmonioso.
Tudo isso acompanha tudo aquilo. Sem os outros não há eu, sem outro lugar não há aqui - de maneira que , nesse sentido, ser é outro e aqui é outro lugar.
[...] Sentimos na verdade como se fôssemos uma folha soprada pelo vento, até compreendermos que somos ao mesmo tempo o vento e a folha. O mundo fora de nós é tanto nós quanto o mundo dentro de nós. Toodavia logo descobrimos que podemos continuar com nossas atividades comuns - trabalhar e tomar decisões como antes, embora, de certo modo, isto tenha passado a ser um fardo menor.
[...]Os olhos veem e os ouvidos escutam tal como o vento sopra e a água corre.
[...]Não deveríamos perguntar qual é o valor e para que serve essa sensacão? Para que serve o Universo? Qual é a aplicacão prática de um milhão de galáxias ? Todavia, justamente por não servir para nada, serve para alguma coisa - o que pode parecer um paradoxo, mas não é. Para que serve por exemplo tocar música? Se o fazemos apenas para ganhar dinheiro, para sermos melhores do que os outros artistas.... {..] não teremos inspiracão.
[...]Contudo, que pensaríamos nós de uma sociedade que não tivesse lugar para a música,...[...] a dançaa ou qualquer atividade que não estivesse ligada a quaisquer problemas práticos de sobrevivëncia?
É óbvio que tal sociedade estaria sobrevivendo para nada, para nenhum propósito, a não ser que, de qualquer modo conseguisse transformar em delícias as tarefas essenciais de agricultura, construção, serviço militar, produção industrial ou cosinha. Mas nesse momento o objetivo sobrevivência seria esquecido.
Essas tarefas seriam realizadas por seu próprio valor e, então, as fazendas começariam a parecer-se com jardins, as casas começariam a contar com interessantes telhados e misteriosos ornamentos, as armas teriam curiosos elementos gravados, os carpinteiros levariam maior tempo com o acabamento de seu trabalho e os cosinheiros passariam a ser gourmets.
PS. Vou ficando por aqui, A. Watts é tão complexo para mim como talvez tenha sido para os leitores. Mas, quando comecei a ler o livro Tabu, de Alan Watts, muitas coisas pareceram ficar mais claras para mim. Se gostaram poderão aprofundar mais este tema no livro: Tabu (O que o impede de saber quem vocë é?) - Alan Watts - tradução de Fernando de Castro Ferreira e Olavo de Carvalho, Ed. Três, s/data.
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