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| Foto : http://www.quasedescolada.com |
O eu idealizado é uma falsidade, ele é uma imitação rígida e artificialmente construída de um ser humano vivo. Podemos investi-lo de muitos aspectos de nosso ser real mas ele continua sendo uma construção artificial.
Quanto mais investimos nele as nossas energias, a nossa personalidade, os nossos processos de pensamento, nossos conceitos, idéias e ideais, mas força retiramos do centro de nosso ser, o único que é passível de crescimento.
Esse centro de nosso ser é a única parte de nós que pode viver, crescer e ser, ele é o nosso verdadeiro eu. É a única porção em nós que pode guiar-nos adequadamente.
Só ele funciona com todas as suas capacidades, ele é flexível e intuitivo. Apenas os seus sentimentos são verdadeiros e válidos mesmo que, no momento, eles ainda não ostentem toda a sua verdade e realidade, toda a sua perfeição e pureza.
Quanto mais retiramos desse centro vivo para investir no falso eu criado por nós, tanto mais nos distanciamos do eu verdadeiro, enfraquecendo-o e empobrecendo-o.
Na nossa caminhada de autoconhecimento muitas vezes esbarramos nesta questão tão intrigante e assustadora: Quem sou eu realmente ? Esta questão é o resultado da discrepância e do confronto entre o Eu Verdadeiro e o falso eu.
Somente com a solução dessa questão vital e profunda é que o nosso centro vivo responderá e funcionará com toda a sua capacidade. Então, nos tornaremos espontâneos e livres de todas as compulsões.
Confiaremos nos nossos sentimentos porque eles terão uma oportunidade de amadurecer e crescer. Os sentimentos tornar-se-ão para nós tão confiáveis quanto o poder de raciocínio de nosso intelecto.
Tudo isso é a descoberta final do Eu. Por enquanto ainda acreditamos que precisamos do eu idealizado para crescer e ser feliz. Uma vez que compreendamos que não é assim realmente, seremos capazes de abandonar a falsa defesa que faz com que a manutenção e o cultivo do eu idealizado pareçam necessários.
Uma vez reconhecido o dano causado pelo eu idealizado em nossas vidas, seremos capazes de dissolver essa que é a imagem de todas as imagens. Além disso temos de reconhecer as nossas exigências e padrões específicos e compreender a irracionalidade e a impossibilidades destes.
Todos temos de vez em quando um sentimento de aguda ansiedade e depressão, nessas ocasião devemos considerar a possibilidade de que o eu idealizado pode estar se sentindo questionado e ameaçado, seja por suas limitações, seja pelos outros ou pela própria vida. É nesses momentos que devemos reconhecer o desprezo por nós mesmos que subjaz à ansiedade ou à depressão.
Quando estivermos compulsivamente aborrecidos com os outros, devemos considerar a possibilidade de que isso seja apenas a externalização da raiva que sentimos por nós mesmos por não sermos capazes de corresponder aos padrões que afixamos em nosso falso eu.
Não devemos colocar em problemas exteriores a responsabilidade por essa depressão, por nosso medo. É importante que examinemos a questão por este novo ângulo.
No decorrer do processo vamos perceber que aquilo que considerávamos recomendável e que por isso mesmo colocamos como exigência de realização em nosso eu idealizado é, na verdade, apenas orgulho e pretensão. Ao atingir esta compreensão, uma percepção muito mais profunda nos permitirá reduzir o impacto do eu idealizado.
Aos poucos, iremos percebendo o tremendo castigo que infligimos a nós mesmos porque sempre que não conseguimos atingir a meta proposta por este falso eu ficamos impacientes e irritados e nossos sentimentos transformam-se em fúria e ira contra nós mesmos, a qual projetamos, geralmente sobre os outros porque é insuportável estar consciente desse ódio por nós mesmos.
Todavia, ainda que descarreguemos sobre os outros este ódio, o efeito sobre a nossa personalidade continua presente e pode causar doença, acidente, perda e fracasso exterior, de muitas formas.
O trabalho que precisamos realizar para descobrir todos os aspectos de nosso falso eu e dissolvê-los para que nosso Eu Verdadeiro possa emergir em toda a sua pureza, beleza e poder, pode ser o trabalho de toda uma vida ou talvez de várias vidas, mas ao fim e ao cabo o resultado será altamente compensador.
Excerto de um capítulo do livro "Não Temas o Mal" de Eva Pierrakos e Donovan Thesenga

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