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Peregrina de Paz Sua vida e trabalho em suas próprias palavras
Nascida em uma pequena granja do leste, em princípios do século, cresceu modestamente e como muita gente, pouco a pouco adquiriu dinheiro e coisas materiais. Quando se deu conta de que esta vida em torno de si mesma não tinha mais sentido e que os bens terrenos eram mais um obstáculo do que uma bênção, caminhou toda uma noite no bosque, até que sentiu "uma disposição absoluta, sem a menor reserva, de entregar minha vida a Deus e de servir aos demais".
Gradual e metodicamente adotou uma vida de simplicidade voluntária. Começou o que seria um período de preparação, sem saber realmente para o que estava se preparando. Fez trabalho voluntário para alguns grupos que promoviam a paz, trabalhou também com deficientes físicos, emocionais e mentais. Durante este período de preparação, em meio a muitos altos e baixos espirituais, encontrou a paz interior - o seu chamado. Sua peregrinação pela paz começou na manhã de 1º de janeiro de 1953.
Fez votos para permanecer em peregrinação até que a humanidade houvesse aprendido o caminho da paz. Peregrina da Paz caminhou só, sem um centavo e sem o respaldo de nenhuma organização. Caminhou "como uma oração", como uma oportunidade para inspirar outros a orar e trabalhar pela paz. Vestia blusa e calça azul marinho, e uma túnica curta, com bolsos ao redor, onde levava seus únicos pertences terrenos: um pente, uma escova de dentes dobrável, uma caneta, cópias de sua mensagem e sua correspondência habitual.
Depois de caminhar 25.000 milhas[40 000 quilômetros], o que levou até 1964, deixou de contar milhas e sua primeira prioridade foi falar, sem deixar contudo de caminhar todos os dias. Seu programa de conferências, sempre aumentando, tornou necessário que começasse a aceitar com freqüência que a transportassem. Peregrina de Paz falou com milhares de pessoas durante a era McCarthy, a guerra da Coréia, a guerra do Vietnã e assim sucessivamente.
Encontrava-se com as pessoas nas ruas das cidades e nos caminhos movimentados, nos bairros, nos subúrbios, desertos e paradas de caminhões. Era entrevistada por todas as estações nacionais de rádio e televisão, igualmente por centenas de estações locais através do país; repórteres de jornais de inúmeros povoados e cidades, grandes e pequenas, escreveram sobre ela. Ela os buscava, se não a encontrassem primeiro, para que as pessoas ouvissem sua mensagem. Deu palestras a grupos universitários de psicologia, ciências políticas, filosofia e sociologia, assembleias de cursos secundários e preparatórios, clubes cívicos; falou nos púlpitos de uma infinidade de igrejas. Com o passar dos anos, seu entusiasmo contagiante, sua inteligência e sua sensível sabedoria, aumentaram seu atrativo e aqueles que a escutavam respondiam cada vez mais com um sorriso caloroso e espontâneo, ou com perguntas ponderadas.
Durante estes anos em que muitos de nós temos cada vez mais medo de andar pelas ruas, - ela caminhava pelos lugares "perigosos" das cidades e dormia junto à estrada, nas praias e nas paradas de ônibus, quando não lhe era oferecida uma cama. Através dos anos, os desconhecidos se tornaram amigos, convidando-a para ir a suas casas e planejando suas conferências, quase sempre com um ano ou mais de antecedência.
Peregrina de Paz acreditava que havíamos entrado num período de crises na história da humanidade, "caminhando à beira de uma guerra nuclear de aniquilação ou de uma era dourada de paz". Sentiu que era seu chamado despertar as pessoas de sua apatia, fazendo com que pensassem e trabalhassem pela paz. Sempre animou toda a gente a buscar a verdadeira fonte de paz em seu interior e empregar meios pacíficos em suas relações com os outros.
Quando morreu, Peregrina de Paz cruzava o país pela sétima vez. Havia percorrido os cinqüenta Estados, visitado as dez províncias do Canadá e algumas partes do México. Em 1976 uma pessoa a levou de avião ao Alasca e Havaí, com o fim de conhecer seus filhos, caminhar e dar palestras nas igrejas e através dos meios de comunicação. Em 1979 e 1980, regressou a estes Estados, levando consigo grupos pequenos de pessoas que desejavam aprender mais acerca de seu estilo de vida.
Tinha planos para regressar ao Alasca e Havaí em 1984 e estava pensando em convidar outras pessoas para que se unissem a ela em "viagens de inspiração" por diversos Estados nos anos vindouros. Fez o que gostava de chamar "a gloriosa transição para uma vida mais livre" em 7 de julho de 1981, próximo de Knox, Indiana. Morreu instantaneamente em uma colisão de frente quando era conduzida de carro para uma conferência.
Seus amigos por todo o país estavam chocados. De certa maneira, nunca imaginamos que Paz seria chamada a deixar esta vida terrena tão cedo. Não obstante, um amigo escreveu: "Estou seguro de que a forma como se deu a transição, sem que ela deixasse sua atividade até que ela ocorresse, foi tal como ela o teria desejado".Em sua última entrevista a um jornal, disse que tinha uma saúde radiante. Estava planejando o itinerário para depois de sua rota atual de peregrinação e tinha compromissos para falar até 1984.
Ted Hayes, da estação de rádio WKVI em Knox, numa entrevista com ela, gravada em 6 de julho, comentou: "Você parece ser a pessoa mais feliz do mundo." Ela respondeu: "Claro que sou uma pessoa feliz. Como poderia alguém conhecer Deus e não estar em gozo?" As mensagens de amigos que souberam de sua morte continuam chegando no pequeno correio de Cologne, Nova Jersey, para onde era enviada toda sua correspondência. As cartas são comovedoras: "Minha querida Paz, acabo de me inteirar de sua morte deste corpo terreno... se não for verdade, por favor escreva-me".
Alguém mais escreveu: "Sei que você está em união com Deus... nos veremos no Universo..." O editor que a entrevistou em 1960 e que se tornou um grande amigo, escreveu: "...trago em meu coração muitas orações, agradecendo seus ensinamentos, seu impacto e influência em minha vida, desejando-lhe o melhor em sua viagem..." Um amigo em Massachusetts escreveu: "Foi um golpe forte, é o mínimo que se pode dizer e uma grande perda para nosso pequeno planeta! Meu coração está pleno neste momento, porque eu, como muitos outros, queríamos tanto a Paz! Mas ao mesmo tempo sinto que sua presença estará sempre entre nós através de seus belos ensinamentos e do exemplo de sua vida..."
http://www.peacepilgrim.com/pdf-files/pp_port.pdf
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