Mostrando postagens com marcador biografia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador biografia. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de novembro de 2013

Alexandra David-Neel - uma mulher à frente do seu tempo

File:Alexandra David-Neels.jpg
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Alexandra_David-Neels.jpg

Autor: Preus Museum
Alexandra no Tibet em 1933

File:Alexandria David-NeelinLhasa.gif
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Alexandria_David-NeelinLhasa.gif
Imagem de domínio público nos EUA
Alexandra em Lhasa em 1924


http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:
Louise_Eugenie_Alexandrine_Marie_David_19th_century.gif

Autor : desconhecido
Alexandra adolescente em 1886






Descobri por acaso a história de Alexandra Daivd Neel na internet. Eu já tinha lido alguma coisa a respeito mas não a ponto de me apaixonar pela personalidade marcante desta grande mulher. Então, resolvi compartilhar com os leitores este resumo biográfico e espero que o apreciem tanto quanto eu.

Alexandra David-Neel , (1868, Paris - 1969), foi a primeira mulher que conseguiu entrar na cidade proibida dos tibetanos, Lhasa. Ela teve uma das existências mais aventureiras e espirituais do século passado.
Viajou várias vezes para o Tibete e aproximou-se por via direta, dos estudos e práticas  dos ensinamentos dos iniciados tibetanos. Em seus livros, ela apresentou ao mundo ocidental, além da geográfica e a descrição etnográfica das regiões visitadas, informações preciosas sobre as doutrinas tibetanas, sobre os rituais dos lamas e seus métodos de treinamento espiritual.
Nascida em Paris, Alexandra  estudou Línguas Orientais na Sorbonne e no Collège de France . Ela fazia parte da Sociedade Teosófica , no centro de Paris onde  ela ainda permaneceu por um período.
Durante sua juventude, ela era uma feminista e uma anarquista - ela escreveu um tratado sobre o anarquismo, traduzido em 5 idiomas (entre os quais russo). Estudou canto e ainda teve um período curto de canto lírico, cruzando a Europa por vários anos em passeios de ópera. 
Em 1891,  recebeu uma pequena herança que ela usou para fazer uma primeira verdadeira viagem 'para a Índia, viagem que durou um ano e meio. Após este primeiro contato com a cultura indiana, seu desejo mais ardente era voltar às solidões do Himalaia e descobrir o máximo possível sobre as doutrinas orientais,  budismo, Lamas, magia taoista e misticismo. 
Antes de sair novamente para o Extremo Oriente , ela fez um desvio pelo norte da África,  também interessada no mundo da espiritualidade muçulmana. Em Tunis ela conheceu Philippe Neel, um engenheiro que trabalhava nas estradas de ferro, com quem se casou. 
Em 1911 inicia a série de grandes expedições que vai fazê-la famosa. Forte e ativa, perseverante e intuitiva, Alexandra queria muito ir à Lhasa, capital do Tibete, absolutamente proibida a estranhos e ainda mais para as mulheres. Ela viveu por três anos em uma pequena vila do Himalaia, Sikkim, e  visitou todos os mosteiros da região. 
Ela continua sua jornada através de Sikkim, um pequeno país do Himalaia, no sul do Tibete, onde desenvolveu ligações muito estreitas de amizade com Sidkeong Tulku, príncipe deste pequeno Estado do Himalaia. Ele coloca à sua disposição um jovem monge de 14 anos Aphur Yongden, que mais tarde tornou-se seu filho adotivo..
Alexandra Davis-Neel e o monge Yongden entram no território tibetano em duas etapas, atingindo os centros sagrados Jigatze e Gyantze. Em 1916, como resultado dessas expedições, Alexandra foi expulsa de Sikkim, por determinação do superintendente britânico da região, pois os britânicos estavam suspeitando que viajava como ex  anarquista, com outras finalidades que não as pesquisas sobre o budismo tibetano. 
A exploradora não regressou à Europa por causa da guerra, e continuou suas viagens para o Japão, Coréia e China.
Ela passou três anos de estudos e meditações - pelo conselho do Dalai Lama, que permitiu a ela uma reunião (durante o exílio no território chinês) - no mosteiro de Kum-Bum, perto do grande lago Kuku-Nor, região com população tibetana. 
Alexandra deixou Kum-Bum tentando esconder sua identidade, a fim de não chamar a atenção dos britânicos, também presentes no território chinês.   Mas sua presença foi de qualquer maneira detectada, sendo obrigada a retornar a Kuku-Nor.
Sem abandonar nem por um segundo o projeto do Tibete, em 1942 ela partiu pela quinta vez para a região proibida do 'País das Neves " (nome dado pelos tibetanos para seu próprio país), desta vez a partir da missão britânica na Ynuan , acompanhada apenas de monge Yongden. 
Esta seria uma expedição bem sucedida, e ela representou o tema do primeiro livro de Alexandra David-Neel, livro chamado "A minha viagem para Lhasa" (1927).
Durante todo o período de suas viagens, ela foi confrontada com toda uma série de dificuldades, mas seus esforços foram recompensados ​​por profundas experiências espirituais. Assim, uma viagem que foi planejada para durar um par de meses durou 14 anos. 
Ela assimilou o modo de vida tibetano, terminando por preferi-lo ao europeu e tornando-se Lady-Lama, título que comprova que ela tinha sido aceita no mundo religioso do budismo tibetano.
Alexandra voltou por um tempo na França. Ela se acomodou em Provence, em Digne-les-Bains, em uma pequena propriedade que ela chamou Samten-Dzong - "Fortaleza de meditação" - que se tornou, em 1977, a sede da Fundação David-Neel.
Ela foi reconhecida como autoridade em matéria de doutrinas esotéricas e fez turnês para realizar grandes conferências na Europa, acompanhada por seu filho adotivo, Lama Yongden. Em 1937, os dois, novamente na China,  se encontraram com o líder comunista Mao (várias vezes), mas também o teólogo francês Teilhard de Chardin.
Por causa da guerra entre China e Japão, eles permaneceram na China mais do que eles tinham em mente. Perderam  todas as suas coisas e chegaram só em 1946, exausto e doente, na Índia, de onde  poderiam voltar ao ocidente.
No Digne-les-Bains, Alexandra continuou a escrever seus livros, mas sempre manteve vivo o desejo de sair novamente para o Tibete. Com a idade de mais de cem anos, pouco antes de morrer, Alexandra David-Neel estava pedindo para seu passaporte  ser renovado ...
Escreveu 30 livros sobre espiritualidade oriental, a maioria deles traduzidos em Inglês também:
  • Os ensinamentos orais secretos em seitas do budismo tibetano
  • Iniciações e iniciados no Tibete
  • Budismo, suas doutrinas e seus métodos
  • Minha viagem para Lhasa
  • A imortalidade e reencarnação
  • Magia e mistério no Tibete
Fontes:

domingo, 20 de janeiro de 2013

PEQUENA BIOGRAFIA DE UG KRHISNAMURTI

http://tarotoraculomilenar.blogspot.com.br/2011/06/arcano-xvi-16-torre-fulminada.html

Sobre a imagem deste post: Eu estava fazendo este post e de chofre surgiu na mente a XVI carta do tarot, a torre fulminada então houve uma imediata associação com o que estava lendo. Não sei se farão a mesma associação, mas isto é apenas uma tentativa de justificar a presença desta imagem neste post.


A boa vontade desse homem sem medo para desprezar todo o conhecimento acumulado e a sabedoria do passado é nada menos que estupenda. Neste particular ele é um colosso, uma espécie de "Shiva" andante e falante, pronto para destruir tudo de modo que a vida possa mover-se com novo vigor e liberdade.


Seu cruel e incessante ataque às nossas mais queridas idéias e instituições atinge não menos do que uma insurreição na consciência; uma superestrutura corrupta, podre em seu núcleo, é colocada à parte sem a menor cerimônia, e nada é colocado em seu lugar.


Demonstrando grande prazer no ato da completa destruição, U.G. não oferece nada a seus ouvintes, ao contrário, retira deles tudo que eles acumularam laboriosa e inconscientemente. Se o velho deve morrer para que surja o novo, então U.G. é, certamente, o arauto de um novo começo para o homem.


A sociedade que, como apontou Aldous Huxley, é organizada em total desamor, não pode possuir qualquer lugar para um homem livre como U.G. Krishnamurti.


Ele não cabe em qualquer estrutura social, espiritual ou secular conhecida. A sociedade utiliza seus membros para assegurar sua própria continuidade, sentindo-se ameaçada por U.G., um desestabilizador convicto que não tem nada a proteger, nenhum seguidor para satisfazer, nenhum interesse em respeitabilidade, e que fala as verdades mais duras de se ouvir, não importando quais forem as conseqüências.


U.G. é um homem "acabado". Nele não há qualquer busca, e portanto nenhum destino. Sua vida agora consiste de uma série de eventos desconexos. Não há nenhum centro em sua vida, ninguém "conduzindo" sua vida, nenhuma sombra interior, nenhum "fantasma na máquina". O que existe é uma máquina biológica altamente inteligente e sensível, funcionando suavemente; você procura em vão pela evidência de um self, psique ou ego. Há apenas o simples funcionamento de um organismo sensível.


É uma pequena maravilha que um tal homem "acabado" possa descartar o banal, os lugares-comuns da ciência, religião, política e filosofia, indo diretamente no núcleo dos assuntos, apresentando seu caso de maneira simples, sem medo, vigorosa e sem corroboração, (and without corroboration) a qualquer um que queira ouvir.


O sujeito desta obra, Mr. Uppaluri Gopala Krishnamurti, nasceu em 9 de julho de 1918, na aldeia de Masulipatam, no sul da India, filho de um casal de classe média da casta Brâmane.


Até onde sabemos, não houve qualquer evento excepcional cercando seu nascimento, celestial ou de outro tipo. Sua mãe morreu de febre puerperal sete dias após dar á luz seu primeiro e único filho. Em seu leito de morte, ela implorou à avó materna do menino que tomasse cuidado especial dele, acrescentando que tinha certeza de que ele teria um grande e importante destino pela frente.


Seu avô materno tomou esssa predição muito seriamente, e prometeu dar ao menino todos os benefícios de um abastado "príncipe" brâmane. Seu pai casou-se de novo, deixando U.G. aos cuidados dos avós.


Seu avô era um ardente Teosofista e conheceu J. Krishnamurti, Annie Besant, Cel. Alcott, e os outros líderes da Sociedade Teosófica. U.G. encontrou todas essas pessoas em sua juventude e teve a maior parte de sua formação em volta de Adyar, o quartel-general da Sociedade Teosófica em Madras, na Índia.


Ali havia infindáveis discussões sobre filosofia, religiões comparadas, ocultismo e metafísica. Cada parede da casa era coberta com quadros de famosos líderes Hindus e Teosóficos, especialmente Jiddu Krishnamurti.


A infância de U.G. foi pautada pelo saber religioso, discurso filosófico e a influência espiritual de vários personagens, tudo isso interessando profundamente o menino.


Seu avô levou-o por toda a Índia a visitar lugares sagrados, ashramas, retiros e centros de ensino religioso. Ele passou diversos verões no Himalaya, estudando yoga clássica com um famoso adepto, Swami Sivananda.


Foi nesses verdes anos de sua vida que U.G. começou a sentir que "algo estava errado em algum lugar", referindo-se a toda a tradição religiosa em que ele tinha sido imerso quase desde seu nascimento. Ele presenciou certos fatos que o decepcionaram, e começou a questionar a autoridade dos outros sobre ele. Então, ele desistiu da prática da yoga, e foi desenvolvendo um sadio ceticismo sobre tudo o que era considerado como espiritual em sua adolescência.


Rompendo com as tradições bramânicas, ele arrancou de seu corpo as vestes sagradas, símbolo da herança religiosa, e tornou-se um jovem cínico, rejeitando as convenções espirituais de sua cultura e questionando tudo para si mesmo. Ele mostrava cada vez menos respeito pelas instituições e costumes religiosos considerados tão importantes por sua família e pela comunidade, e um crescente desdém pela herança religiosa.


Com vinte e um anos, U.G. tinha se tornado um estudante secular quase ateu, estudando filosofia e psicologia ocidental na Universidade de Madras. A essa altura, ele foi convidado por uma amigo para ir com ele visitar o famoso "Sábio de Arunachala", em seu ashram em Tiruvannamalai, não muito longe do sul de Madras.


No ano de 1939, U.G., relutantemente, aceitou o convite. Por essa época, ele estava convencido de que todos os homens sagrados eram impostores. Mas, para sua surpresa, Ramana Maharshi era diferente.


O Bhagavan, um homem sereno, da maior sabedoria e integridade, não poderia causar uma impressão mais forte no jovem U.G. Ele raramente falava àqueles que dele se aproximavam com questões.


U.G. aproximou-se do mestre apreensivamente, fazendo-lhe três perguntas:


"Existe algo como iluminação"?, perguntou U.G.


"Sim, existe", respondeu o mestre.


"Existe nela quaisquer tipos de níveis?"


O Bhagavan respondeu:


"Não, não há níveis. É uma coisa só. Ou você está ali ou não está absolutamente."


Finalmente, U.G. perguntou:


"Essa coisa chamada iluminação, você pode me dar?"


Olhando o sério jovem bem nos olhos, ele respondeu:


"Sim, eu posso lhe dar, mas você pode pegar?"


Daí em diante, U.G. ficou obcecado por essa resposta e implacavelmente perguntava a si mesmo: "O que é isso que eu não posso pegar?". Ele resolveu então que, "haveria de pegar" o que quer fosse aquilo sobre o que Maharshi estava falando.


Mais tarde ele disse que esse encontro mudou o curso de sua vida e "recolocou-o nos trilhos". Ele nunca mais visitou o Bhagavan novamente. Ramana Maharshi morreu in 1951, de câncer, e é considerado um dos maiores sábios que a Índia jamais produziu.


Pelos seus 20 anos, o sexo começou a ser um problema para U.G. Embora intermitentemente prometendo privar-se de sexo e casamento em consideração a uma vida de celibato religioso, ele pensava eventualmente que sexo era um impulso natural, que não era sábio suprimí-lo, e que, de qualquer modo, a sociedade tinha providenciado instituições legítimas para preencher esse anseio.


Ele escolheu como sua noiva uma das três belas jovens de origem Brâmane que sua avó havia selecionado para ele, como possíveis companheiras adequadas. Mais tarde ele foi levado a dizer, "Eu acordei na manhã seguinte ao meu casamento e soube sem dúvida que havia cometido o maior erro de minha vida".


Ele permaneceu casado por dezessete anos, cuidando de quatro filhos. Desde o começo ele quis separar-se, mas os filhos foram chegando e o casamento continuou. Seu filho mais velho, Vasant, teve poliomielite, e U.G. decidiu mudar-se com a família para os Estados Unidos, a fim de que o jovem pudesse receber o melhor tratamento. Nesse processo ele gastou praticamente toda a fortuna que ele recebera de seu avô. Ele tinha esperança de sua esposa pudesse obter educação apropriada para encontrar um emprego, ficando numa posição independente, de maneira que ele pudesse ir embora sozinho. Realmente ele conseguiu isto, achando-lhe um emprego com a World Book Encyclopedia


Por essa época toda sua fortuna tinha ido embora, e ele estava farto de ser um orador público (primeiro como representante da Sociedade Teosófica e depois como orador independente), seu casamento tinha terminado, e ele estava perdendo o interesse na batalha para ser alguém neste mundo.


Pelo início de seus quarenta anos ele estava quebrado, sozinho e esquecido por seus antigos amigos e associados. Então ele começou a peregrinar, primeiro em Nova York, depois em Londres, onde ficou reduzido a passar seus dias na Biblioteca Pública de Londres, para escapar dos rigores do inverno, dando aulas de culinária indiana por algum dinheiro.


Sua peregrinação prosseguiu em Paris. Desse período U.G. disse mais tarde, "Eu era como uma folha soprada pelos ventos inconstantes, sem passado nem futuro, nem família ou carreira, nem qualquer tipo de preenchimento espiritual. Lentamente, perdia a condição de fazer qualquer coisa.Eu não estava rejeitando ou renunciando ao mundo; ele flutuava adiante de mim e eu era não era capaz de segurá-lo, estava privado de qualquer força de vontade."


Quebrado e sozinho, ele foi até Gênova onde ele tinha deixado alguns francos em uma velha conta, suficiente apenas para mantê-lo por uns poucos dias. Então essa pequena quantia acabou, ele ficou em dívida com o aluguel, e ficou sem ter onde ir.


Decidiu então ir ao Consulado Indiano em Gênova, e pedir para ser repatriado para a India.

"Eu não tinha dinheiro, amigos, e nenhuma vontade restara. Achei que ao menos da Índia eles não poderiam me expulsar. Afinal, apesar de tudo eu era um cidadão; talvez eu pudesse apenas sentar debaixo de uma árvore banyan em algum lugar e alguém me alimentasse. "

Assim, com quarenta e cinco anos, completamente falido aos olhos do mundo, sem um penny e sozinho, ele caminhou até o Consulado e pediu para ser repatriado para a Índia. Ele tinha pouca chance. Mas isso foi um ponto de mutação em sua vida.


Ele foi ao Consulado Oficial da Índia e começou a contar sua triste história ao Cônsul. Quanto mais ele falava, mais fascinado ficava o Cônsul. Logo o escritório inteiro ficou em completo silêncio ouvindo sua extraordinária narrativa. A secretária e tradutora do Consulado, Valentine de Kerven, estava ouvindo atentamente. No início de seus sessenta anos, ela tinha muita experiência do mundo, e encheu-se de piedade pelo estranho e carismático homem à sua frente. Ninguém no escritório sabia o que fazer com ele.


Valentine, que conhecia a adversidade por si mesma, simpatizou com aquele homem errante e destituído, e logo ofereceu-lhe um lar na Europa. Ela tinha uma pequena herança e pensão que seria suficiente para ambos. U.G. , relutante em voltar para Índia e ter que encarar sua família, amigos e suas pobres perspectivas, aceitou, cheio de gratidão, o oferecimento.


Os próximos quatro anos (1963-67) foram dias pacíficos para ambos. Ela deixou seu emprego no consulado e viveu calmamente com U.G., passando temporadas na Itália, no sul da França, Paris e Suiça. Mais tarde começaram a passar os invernos no sul da Índia, onde as coisas eram relativamente baratas, e o tempo mais saudável.


Durante esses anos, U.G, como ele declarou mais tarde, não fez nada. " Eu dormia, lia o Time Magazine, e fazia caminhadas com Valentine ou sozinho. Isso era tudo." Ele estava numa espécie de período de incubação. Sua procura estava próxima do fim. Ele nunca mencionou a Valentine os poderes ocultos, experiências espirituais e fundamentos religiosos que haviam constituído grande parte de sua vida. Eles viveram simples e quietamente como donos de casa viajantes (as private migrating householders).


Eles foram passar os meses de verão no sótão de um antigo chalé de 400 anos de idade, na chamosa vila suiça de Saanen. Por alguma razão J. Krishnamurti decidiu dar uma série de palestras em uma enorme tenda levantada nas vizinhanças da mesma pequena cidade. Buscadores religiosos, yogis, filósofos e intelectuais do ocidente e do oriente começaram a aparecer na pequena vila para presenciar suas palestras, para dar e receber aulas de yoga, e trocar idéias sobre assuntos espirituais e filosóficos.


U.G. e Valentine mantiveram uma respeitável distância, não desejando participar da crescente cena que se assemelhava mais e mais a um circo. Nesse ambiente U.G. aproximou-se de seus quarenta e nove anos. Kowmara Nadi, uma famosa e respeitada astróloga de Madras, havia há muito tempo atrás predito que U.G. haveria de passar por uma profunda transformação em seu quadragésimo-nono aniversário. Aproximando-se esse dia, incontáveis coisas estranhas começaram a ocorrer com U.G. Algo radical e completamente inesperado estava para acontecer-lhe.


A partir dessa idade, U.G. começou a ter dores de cabeça recorrentes e dolorosas, e, não sabendo o que fazer, começou a tomar enormes quantidades de café e aspirina para enfrentar as terríveis dores. Por essa época ele começou também a parecer mais jovem, ao invés de mais velho. Naquela época, com quarenta e nove anos, ele parecia um homem de setenta ou oitenta anos. Após essa idade, ele começou a envelhecer normalmente, embora ele ainda aparente ser muito mais jovem do que seus atuais sessenta e sete anos (este prefácio foi escrito aproximadamente em 1985).


Entre essas dores de cabeça ele passaria por experiências extraordinárias onde, como ele mais tarde descreveu, "Eu sentia como se minha cabeça estivesse faltando". Surgindo simultaneamente com esses estranhos fenômenos, vieram os assim chamados poderes ocultos, aos quais U.G. se referia com poderes e instintos naturais do homem. Uma pessoa totalmente desconhecida podia andar pela sala e U.G. podia ver seu passado inteiro, como se estivesse lendo uma biografia. Ele podia dar uma olhada na palma da mão de um estranho e instantaneamente saber seu futuro.


Todos os poderes ocultos começaram a se manifestar nele gradualmente após a idade de trinta e cinco anos. "Eu nunca usei esses poderes para nada; eles simplesmente estavam lá. Eu sabia que eles não tinham grande importância e simplesmente deixei-os ali."


Coisas continuaram a acontecer dentro dele, e U.G., preocupado que Valentine pudesse concluir que ele estava louco, nada mencionou a ela ou a qualquer outro sobre esses assuntos. Pouco antes de completar quarenta e nove anos, ele começou a ter o que mais tarde chamou de "visão panorâmica", um jeito de ver em que o campo de visão aparecia em volta dos olhos abertos em quase 360 graus de largura, enquando o observador desaparecia inteiramente e os objetos se moviam passando direto através de sua cabeça e corpo (while the viewer or observer disappeared entirely and objects moved right through the head and body).


O organismo inteiro, desconhecido a U.G. nessa época, estava evidentemente preparando-se para alguma calamidade ou transformação de enormes proporções. U.G. não disse nada. Na manhã de 9 de julho de 1967, data de seu aniversário de quarenta e nove anos, U.G. foi com um amigo para ouvir J. Krishnamurti em uma palestra pública numa grande tenda nos arredores de Saanen, a aldeia onde ele e Valentine tinham morado por algum tempo.


U.G. contratou com um editor para escrever sua autobiografia. Enquanto trabalhava no livro, U.G. chegou à parte que descrevia sua associação com J. Krishnamurti. Ele não se lembrava muito do que sentira perante o reverenciado "Instrutor do Mundo" da Sociedade Teosófica. Ele havia perdido completamente o contato com J. Krishnamurti por muito tempo e não tinha opinião definida sobre ele. Então ele decidiu ir, naquela dia, assistir a palestra matutina de J. Krishnamurti para "refrescar a memória", como ele disse mais tarde.


No meio da palestra. U.G. ouviu a descrição que J. Krishnamurti fazia de um homem livre, e de repente percebeu que era ele mesmo que estava sendo descrito. "Que diabo estou fazendo ouvindo alguém descrever como estou funcionando?" Liberdade na consciência tornou-se naquele momento não mais algo "lá fora", mas simplesmente o jeito que ele estava funcionando psicologicamente naquele exato momento. Isso o chocou tanto que ele deixou a tenda completamente atordoado e caminhou sozinho em direção ao chalé, do outro lado do vale. Aproximando-se do chalé, ele parou para descansar num banco, de onde se avistavam os belos rios e as montanhas do Vale de Saanen.


Sentado sozinho no banco, olhando o vale verde e os picos escarpados de Oberland, ocorreu-lhe:


"Eu tenho procurado por toda parte para descobrir uma resposta para minha pergunta, 'existe iluminação?', mas nunca questionei a busca propriamente dita.


Porque implicitamente eu assumi que esse objetivo, iluminação, existe, eu tive que procurar, e é a própria busca que estava me sufocando e me afastando de meu estado natural.


Não há tal coisa como iluminação espiritual ou psicológica porque não existem essas coisas, espírito ou psique, absolutamente.


Fui um maldito idiota (damn fool) toda a minha vida, procurando por aquilo que não existe.


Minha busca terminou."




Agradecemos ao pessoal do site Desenredo pela tradução desse artigo.


Fonte: http://editoraadvaita.blogspot.com.br/search?updated-min=2009-01-01T00:00:00-03:00&updated-max=2010-01-01T00:00:00-03:00&max-results=50